nov 19

É um pássaro? É um avião? “Não! É uma ilusão criada, no capitalismo, para que compensemos a falta de liberdade individual com a liberdade imaginária vivenciada por ele, o super-herói” e o Super-Homem é um deles.

Essa é uma das definições do Prof. Nildo Viana, em seu “Heróis e super-heróis no mundo dos quadrinhos” (Editora Achiamé, RJ, 77p.), livro no qual explica os valores axiológicos dos gibis e analisa o inconsciente coletivo a eles associado. Em “A Ciência dos Super-Heróis”, de Lois Gresh e Robert Weinberg (Ediouro, 230p.), no qual os super-heróis são explorados do ponto de vista científico, o Super-Homem é mostrado como uma impossibilidade. Por exemplo, o poder de voar do Super vem do fato de que em Krypton, a gravidade é mil vezes mais forte do que a da Terra, mas isto exigiria ossos muito densos e maiores e obviamente ele não seria nadinha parecido com os humanos. Infelizmente, até Krypton é um absurdo, pois mesmo um planeta com gravidade 50 vezes maior que a da Terra, é essencialmente impossível de se formar, segundo a física conhecida da matéria sólida, pois ele se colapsaria em si mesmo. More »

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nov 19

Numa das mais clássicas definições sobre a ciência, o físico americano Richard Feyman (talvez o mais autêntico e bem humorado entre os cientistas de primeiro time) disse que ela “é um processo de aprendizado sobre a natureza em que, diferentes idéias sobre como o mundo trabalha são medidas contra a observação”. Sim, mas os sentidos e as aparências nos enganam. Só pra ficar no exemplo mais batido, dizer que a Terra é que gira em torno do Sol era, aparentemente, um contra-senso enorme. Foram observações mais acuradas que mostraram como “o céu funciona”.

Mas fazer a verdadeira ciência é lutar junto à fronteira do desconhecimento. Não é uma briga das mais fáceis, na verdade é uma guerra sem fim, que tem que ser travada por soldados-cientistas muito bem preparados e equipados (para gênios como Feyman, bastam lápis e papel…). Além do desconhecido, outro inimigo da ciência e talvez, mais forte, é a ignorância pura, simples e até desinteressada. Fatos já estabelecidos, teorias já comprovadas ou amplamente refutadas permanecem ignoradas pela maioria das pessoas.

Two Oceans Aquarium 4 - Floresta de kelps

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nov 12

Semana retrasada foi publicado aquele que deverá ser considerado nos próximos anos o relatório mais famoso do Banco Mundial: “o relatório Stern”, que mede a economia mundial segundo as mudanças provocadas pelo aquecimento global. O texto e seus modelos matemáticos receberam elogios e aprovação de laureados com o Prêmio Nobel da Economia (vejam no blog do Marcelo Leite http://cienciaemdia.zip.net/).

Esperando que o Nobel da Economia, não esteja contaminado de politicagem como o da Literatura, é como se o texto recebesse a aprovação científica usual de apreciação pelos pares. Confesso que não li o relatório (afinal são 700 páginas. Alguém, de fato, já leu?). Mas me sinto a vontade pra comentar a entrevista de Nicholas Stern à revista Veja. Eu ainda sou do tempo que o sonho de todo brasileiro era aparecer nas páginas amarelas da Veja, pois isto lhe conferiria, quase que automaticamente, uma mística de inteligência e bom-senso. E o Sr. Stern, por telefone, conseguiu isto, por ter organizado um texto que mede o impacto do aquecimento global na economia mundial. More »

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nov 5

Semana passada (29/10), enquanto os brasileiros votavam pra presidente, a Folha de São Paulo trazia dois artigos aparentemente não relacionados, mas profundamente intricados. Numa página, Marcelo Gleiser, considerado o melhor divulgador brasileiro da ciência, professor de Física nos EUA e, apesar de pesquisador, rico, chama a atenção para os caminhos da divulgação científica, que idealmente deveria ocorrer apenas após todo processo burocrático de avaliação do artigo por pares da mesma área, antes da aceitação e publicação em periódico reconhecido.

Infelizmente como os cientistas são demasiados humanos, eles acabam divulgando antes os resultados e as pessoas ficam meio sem saber se podem ou não confiar nele. Apesar de admirador de Gleiser, não dá pra concordar com todo o artigo. Primeiro que, apesar de fundamental para os cientistas, o público dito leigo não liga pra processo: como é mesmo aquela história que diz que leis e salsichas, se soubéssemos como são feitas não as obedeceríamos nem as comeríamos? More »

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