nov 9

Várzea Amazônica

et al. é a abreviação da expressão latina et alicui que significa “e colaboradores”. Explico: na maioria das revistas científicas a citação de um trabalho com mais de dois autores é feita usando-se o sobrenome do primeiro autor acompanhado de et al. (por exemplo, Silva et al. 2007, só pra escrever um dos sobrenomes mais populares do Brasil).

Uma vez ouvi não sei onde a expressão “et eu”. Morri de rir. É usada pejorativamente contra o manjado tipo de professor-pesquisador que não cansa de dizer “Eu isso, Eu aquilo, Eu aquele outro, Eu, Eu, Eu….”. Também é usado para cientistas que só enxergam o próprio umbigo na hora de escrever: você lê o paper e o cara se cita toda hora. Bem, nem sempre é tão pecado assim. Pode ser que ele seja um dos poucos a tratar daquele assunto usando uma abordagem recente ou diferente. (Hum….).

Certa vez li em uma revista científica famosa um trabalho de 30 páginas de um pesquisador estrangeiro que admiro. Havia 15 citações e 14 se referiam a trabalhos do próprio autor (desculpe, seria grosseiro dizer o nome). Do que já li por aí, é o campeão do “et eu”. Neste espaço vou me dar o direito de auto-citação. Divulgarei aqui algumas publicações de minha própria lavra.

Está inaugurada a seção “et eu”. More »

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nov 8

 

Segundo o site do Greenpeace:

Durante meses, uma equipe do Greenpeace viajou por todo o Brasil, documentando os impactos das mudanças climáticas em diversas regiões. O resultado foi um filme com imagens impressionantes de seca, inundação e destruição, além de depoimentos emocionados de pessoas no Sul, na Amazônia e no Nordeste que sofreram, sofrem e podem sofrer ainda mais com essas alterações do clima. O documentário traz também a opinião de cientistas sobre as causas do aquecimento global e o que o governo e a população podem fazer para barrar já os impactos das mudanças climáticas.

Sabe como é… ambientalistas fazem sempre aquele alarde danado. E dessa forma o vídeo tem lá seu sensacionalismo, o que não é motivo para deixar de vê-lo. Pelo contrário, assista e se toque que este impacto ecológico e aquecimento global já está acontecendo e afetando a sua vida! Não precisa sair correndo e entrar em desespero, basta começar a fazer a sua parte. Informar-se sobre o assunto e divulgar já é um bom começo. Ou você é tão tranqüilo quanto os camaradas aí embaixo? ; )

Ursos de Folga! HUMOR

 

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nov 8

Cartoon aquecimento Global

As frases acima já foram consideradas lemas dos economistas. A primeira refere-se ao fato que o desenvolvimento teria que acontecer a todo custo não importando se seria ou não sustentável a longo prazo, pois de qualquer forma não estaremos vivos para ver.

Já “Não existe almoço grátis” é bem mais famosa, significando que, tudo aquilo que você pode pensar que é de graça, na verdade não é. Só pra ficar no assunto deste post: usou petróleo e carvão? A conta do gás carbônico liberado chegou. Não é baixa.

Na semana que foi lançado o relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas as manchetes dos jornais, em geral, foram similares à da Folha Online: “Aquecimento fará milhões de famintos e sem água neste século, diz estudo”. Exagerada? Quem viu meu post anterior sabe que simpatizo com os sensacionalistas. Mas claro, a Folha não é nada disto. Há quem diga que é formadora do cidadão consciente!

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nov 7

O sensacionalismo da grande mídia é execrado por quase todo mundo. Dizem que não colabora para informar nem “conscientizar” o público. No Brasil, em geral, é usado nas notícias sobre crime e violência. Na minha juventude o Notícias Populares ostentava orgulhoso o jargão “se espremer sai sangue”.

Aqui AgoraNo início dos anos 90, o SBT montou o Aqui Agora, um telejornal que exagerava na pauta de “polícia”, mas tinha lá sua graça, em especial nas manchetes. Uma vez participei do fechamento da edição e elaboração das chamadas. Foi quando Zélia Cardoso de Melo (lembram?) anunciou que estava grávida do Chico Anísio. Manchete proposta: “Milagre: mulher de chico fica grávida”, porém foi usado “Zélia de barriga cheia e vapt, vupt”. Em outra feita, o jornal acompanhara a investigação do homicídio de uma protética. Chamada da matéria final: “Assassinato de protética: descoberto o pivô do crime”. Mau gôsto?!? Talvez melhor que certos jornais que se consideram “transformadores” do mundo.

Os tablóides ingleses são sempre acusados de sensacionalismo. Alguns destacam a violência, mas os bons apenas estampam com estardalhaço (e ironia) a conduta inapropriada de algum fast-famoso, político ou membro da família real.

Concordo com Reinaldo Azevedo quando diz que se Brasília tivesse um tablóide “inglês”, a democracia brasileira amadureceria mais rapidamente. Assim, por exemplo, episódios como o da mansão que abrigava a “República de Ribeirão Preto” seriam instantaneamente descobertos, explicados com clareza e apropriadamente (des)troçados. Não há muito que dizer, quando a verdade vem estampada, nua e crua.

Capa do The Independent Bem, mas o que tudo isto tem a ver com ciência? Em 10/12/2006 o blog Ciência e Idéias reclamou da manchete do The Independent sobre o genoma: “O livro da vida está re-escrito”. Achou exagerada. Mas e que tal o montante de recursos colocado nas pesquisas do genoma? Não é descomunal também? Não tenho certeza, mas deve ter sido um cientista que criou o termo “livro da vida”. E afinal, o que há de tão errado assim nesta manchete? Ela apenas faz troça da crença de certos biólogos moleculares que se dizem conhecedores da verdade absoluta “estampada” nos genes. Além do mais, novas descobertas reescrevem sim, a ciência e suas certezas (algumas são teorias ou hipóteses, mas tratamos como certezas ou fatos). More »

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nov 6

HD Virtual 4Shaded

Para tornar ainda mais acessível a informação e cultura, o Bafana Ciência disponibiliza um HD Virtual para você poder baixar livros, textos de divulgação, quadrinhos e diversos artigos além de outros tipos de arquivos que citarmos aqui.

Todos os livros, quadrinhos, textos e arquivos contidos no HD podem ser facilmente encontrados na internet, nós apenas tivemos o trabalho de trazê-los para nosso HD virtual. Não temos o intuito de ferir os direitos autorais de quaisquer autores, pelo contrário, visamos apenas divulgar as suas idéias e valorizar sua obra.

Por isso leitores:

1 – Se forem usar como referência um livro ou artigo do nosso HD (ou de qualquer outro lugar), jamais deixe de citar a fonte e o autor da obra.

2 – Não nos responsabilizamos pelo uso ilícito ou pelo conteúdo dos arquivos do HD virtual. Nós apenas coletamos o que já está disponível e adicionamos ao HD.

4 – Aconselhamos: baixe, leia e apague os arquivos.

5 – Adquira a obra original se você puder.

UploadVocês também podem fazer o upload de arquivos para o HD. Basta apenas ir em Upload files, clicar em arquivos. Em seguida escolha o(s) arquivo(s) que quiser adicionar e por último clique em upload e aguarde que o arquivo seja carregado.

Quaisquer sugestões, elogios ou aborrecimentos entre em contato pelo nosso e-mail: contato@bafanaciencia.blog.br

 

Acesso: http://bafanaciencia.4shared.com/ ou na barra lateral do blog.

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nov 6

O continente africano possui paisagens e flores magníficas, mas no quesito grandiosidade, alguns animais da África têm fama mundialmente inquestionável. As cinco espécies que recebem maior destaque são: rinoceronte, elefante, leão, búfalo e leopardo. O Rand, que é a moeda da África do Sul (7 Rands = 1 dólar), ostenta-os, respectivamente, em suas notas de R10, R20, R50, R100 e R200. Estranhou a lista? Cadê o hipopótamo, a chita, o gorila e a girafa? Na verdade, os chamados “big five” não são exatamente os “maiores”, mas sim os mais agressivos e perigosos ao homem.

MapinguariPor que a diversidade de grandes animais só é alta no continente africano? A resposta mais correta é o fator histórico-evolutivo, pois há 20 mil anos atrás, o continente americano também contava com mamíferos quase gigantescos: tatus, ursos, veados (com galhadas de mais 10 metros de largura) e o mais famoso deles, a preguiça gigante, que depois virou lenda na Amazônia com o nome de Mapinguari (tem até pesquisador atrás dela). Então, há cerca de 13 mil anos, o bicho-homem atravessou o estreito de Behring e caminhando (8 km/ano) até a Patagônia foi dizimando estas belas espécies.

O episódio é conhecido como overkill (supermatança) e ninguém tem dúvida que ocorreu, pois todas as outras hipóteses, em especial as climáticas, levantadas para explicar a rápida extinção, foram descartadas. Assim, apesar do tamanho enorme, estes bichos não tinham nenhum instinto evoluído para evitar o homem e representavam uma importante fonte de proteína para nossos ancestrais.

Isto é basicamente provado pelo fato de que, na África, as extinções nesta mesma época foram menores, pois como é o berço de nossa espécie, os animais já haviam sido selecionados para evitar aquele bípede cabeçudo que atuava em grupo. More »

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nov 4

Um rápido olhar no mapa da África e é possível identificar países que destoam pelo desenho de suas fronteiras. A Namíbia, ao sul do continente, é um deles, pois sua fronteira leste, com Botswana e África do Sul, é uma linha reta na vertical (veja o mapa abaixo).

Mapa da Namíbia

Pode-se achar estranho, mas quem só vê o mapa não viu nada ainda. Que tal saber que até 1990 a Namíbia era colônia da África do Sul? Isto contrariava até mesmo a Corte Internacional de Justiça que em 1971 já havia declarado que o controle sul-africano era ilegal. Em 1990, os altos custos da ocupação (50 mil soldados), as pressões internacionais de dentro e de fora do continente, e a bancarrota interna do governo do apartheid, fizeram com que a então chamada, África do Sudoeste (South-West Africa), voltasse a ser Namíbia.

Mas isto ainda não é tudo de curioso neste país: os apenas 2 milhões de habitantes falam 45 línguas (!). Ainda bem que a língua inglesa unifica a nação, já que a alfabetização atinge 85% da população e as aulas do idioma de Sua Majestade são diárias. Bom pra eles, pois os alunos e professores da única universidade (Universidade da Namíbia na capital Windhoek) podem aproveitar mais facilmente a literatura científica, toda em inglês, e ainda viajar aos grandes centros mundiais e aprender novas técnicas sem o obstáculo do idioma (como eu, por exemplo).

Porém, estranho mesmo na Namíbia é sua costa. Com uma extensão de 1570 km e largura variando de 80 a 150 km, é um imenso deserto que cobre 15% de todo país. Praticamente não cai uma gota de água da chuva o ano todo, mesmo sendo à beira do mar. Por quê? More »

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nov 3

Cartoon Olavo de Carvalho

Dispenso apresentações a uma das personalidades mais lúcidas e produtivas deste país. São mais de 20 livros e um sem-número de artigos publicados. Não concordo com tudo que ele fala, mas faço questão de ouvir (e ler) o que ele tem a dizer.

E na missão de divulgar e disseminar o conhecimento aqui vão alguns links para ler e ouvir o que tem a dizer este integralista, conservador e “imbecil” filósofo brasileiro.

Página de Olavo de Carvalho: http://www.olavodecarvalho.org/

Site do coletivo virtual da qual é co-autor: http://www.midiasemmascara.com.br/

True out Speak, seu programa semanal de rádio.

Ouça a última edição:

 

Acesse o site e faça o download das edições anteriores: http://www.blogtalkradio.com/olavo

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nov 3

WWF  - Planeta Vivo 2006

Quem tem paciência de acompanhar alguns dos meus artigos sabe que não simpatizo com “Relatórios Mundiais” que mostram como o Homem “destrói a natureza”. Recentemente a WWF lançou um destes, Planeta Vivo 2006, afirmando que nossas pegadas ecológicas indicam que estamos esgotando os recursos do planeta. O manuscrito foi escrito por cientistas do mais alto gabarito técnico, mas em nenhum momento a palavra fome foi mencionada, mesmo sendo um problema muito relacionado à questão ambiental, devido, por exemplo, à necessidade crescente de terras para cultivo.

Porém certas iniciativas locais da WWF têm sido muito realistas e proveitosas. Prova disto é o recente relatório publicado por ela e pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) sobre o Projeto Várzea: Desenvolvimento de sistemas de manejo comunitário para a várzea amazônica: lições que estamos aprendendo (download). O texto (33 páginas e ricamente ilustrado) descreve o trabalho de 12 anos com comunidades ribeirinhas no Baixo Amazonas (do Madeira ao Xingu) no co-manejo pesqueiro dos recursos da várzea.

Pra quem nunca ouviu falar, manejo pesqueiro é o corpo de técnicas destinadas a proteger os estoques de peixes, enquanto tenta viabilizar o maior rendimento possível aos pescadores e principalmente garantir a sustentabilidade da atividade no longo prazo. No caso Amazônico se simplesmente houver uma redução sobre os estoques, haverá a demanda por outras formas de sustento para o ribeirinho (agricultura, pecuária), o que pode afetar o ambiente e impactar indireta, mas fortemente, os peixes que dependem da floresta da várzea, para reprodução e alimentação na época da cheia. More »

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nov 1

 

O Ciência Brasil é um blog de divulgação científica escrito pelo Prof. Dr. Marcelo Hermes-Lima. Desde sua criação em março deste ano vem fazendo o maior sucesso, em apenas 9 meses de existência o blog já conta com mais de 30.000 acessos, o que é um estouro! Já que se trata de um blog e que este fala especificamente de ciência.

Um dos pontos fortes do blog é a colaboração de diversos leitores e cientistas para a produção de conteúdo da página. O Prof. Marcelo além de expor seus próprios textos, divulga nos posts os artigos que recebe de amigos, cientistas e diversos leitores. Este tipo de colaboração além de tornar a página rica e diversificada, ajuda a manter a atualização do blog. Afinal, cientistas brasileiros são tão criativos quanto ocupados.

No caso do Prof. Marcelo, além de cuidar do Departamento de Biologia da UnB, ministrar duas disciplinas, pesquisar e publicar artigos, orientar alunos de mestrado e doutorado, esposa, filhos, blog, e-mails, cachorro, papagaio e etc… ainda apresenta um talk-show no Painel Brasil. Aliás esse é o primeiro talk-show de ciência no Brasil!

Todos os programas têm um tema predefinido como AIDS e HIV, Colesterol, Darwin e a Evolução da Vida, onde o Prof. Marcelo convida um especialista no assunto e desenvolve uma entrevista formal, capaz de agradar tanto os leigos quanto os especialistas que também assistem ao programa. É uma grata novidade para a divulgação científica no Brasil, como disse o próprio Marcelo em uma entrevista para a Agência FAPESP: “Nossa proposta é mostrar a importância da educação e da divulgação científica feita com fidelidade às informações. O Ciência Brasil é uma aula universitária disfarçada de entrevista”.

O Bafana Ciência apóia e fomenta este tipo de atitude. Às vezes não basta apenas reclamar que faltam incentivos e que a burocracia não ajuda a produção e divulgação de ciência no país. Como fazem o Prof. Marcelo, o Bafana aqui e tantos outros blogs de divulgação, temos de arregaçar as mangas e usar as ferramentas que temos para que a informação e o conhecimento cheguem ao maior número de pessoas possíveis. Citando o EcoLine: Conhecer mais, para mudar melhor e Conhecer melhor para mudar mais.

Blog: http://cienciabrasil.blogspot.com/

Talk-shows: http://www.painelbrasil.tv/home/ciencia/

 

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nov 1

Qualquer espécie de ser vivo, pode ser definida como um conjunto de animais que ao se reproduzirem deixam descendentes férteis. Uma maneira mais divertida e não de todo errada é dizer que “uma espécie é aquilo que um taxonomista competente diz que é”. Há ainda a espécie compreendida como um exemplar platônico (“ideal”) num vidro de laboratório ou numa exsicata no herbário. Todos os que forem iguais a este único indivíduo são da mesma espécie dele. Aquilo que não é tão igual é do mesmo gênero e assim por diante. Mexeu? Ou é bicho ou foi o vento.

Boas fotos e desenhos detalhados, além de uma “chave de identificação” com descrições de partes, e raspas e restos que interessam, auxiliam o taxonomista principiante a chegar em nível de espécie. Este modo de organização, que devemos à Linnaeus, é frequentemente repetido por escritores que também identificam textos ou parágrafos, como autênticos “Camões”, “Fernando Pessoa” ou “Cervantes”, espécimes raros, que deixaram mais saudosos admiradores do que descendentes férteis. No máximo, alguns filhos bastardos, que, como híbridos, não se reproduzem, ou de tão estéreis se reproduzem assexuadamente como escrevinhadores do rei de plantão nesta mundão de meu Deus…

Mas, como diria o colunista sem assunto, “não é isto que eu queria falar…”. Também não vou fazer como aquele personagem rodrigueano que se realmente pudesse falar o que pensava, durante o discurso na cova aberta do falecido, dissertaria antes sobre os enlevos da recém órfã…. Ainda hei de enquadrar estas páginas do “Almirante Nelson” e colocar na parede do meu escritório. De preferência, ao lado do “Passarinho” que Gerda Brentani pintou em 1970 (era disto que eu queria falar).

Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 2 More »

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