dez 21

A Catástrofe!

Houve uma época em que os filósofos naturais podiam ser divididos em catastrofistas e uniformitaristas. Os primeiros achavam que o planeta havia se formado em pouco tempo (seis mil anos), com abruptos soerguimentos e rápidas inundações. Já os adeptos do uniformitarismo acreditavam que as mudanças eram lentas e graduais, imperceptíveis até no tempo de vida da espécie humana, como depois ficou verificado, incluindo a co-evolução com a parte viva do planeta, que também se modifica lentamente, na imensa maioria dos casos.

Como a maioria de seus antecessores, os atuais catastrofistas também não acreditam no tempo profundo. Para eles a medida de todas as coisas é o período que passam no planeta alardeando que o mundo vai mal, muito mal, que o “Homem destrói a natureza”, e que se os EUA não assinarem o Protocolo de Kyoto, o mundo vai esquentar e vamos todos fritar como ovos (por favor, quero o meu “meio-mole-meio-duro”). Não sei o leitor, mas fico com um baita tédio deste papo.

CianobactériasA vida na Terra tem uns 3,5 bilhões de anos, dos quais dois são desperdiçados apenas com bactérias, depois algas azuis-esverdeadas (ou cianobactérias) que ao metabolizarem o hidrogênio da água começaram a expelir oxigênio e então, liberaram, para outras tentativas, a grande aventura da vida. E os nossos alarmistas analisam os últimos mil ou 500 anos e dizem que o clima na Terra está mudando e o “Homem” (este etéreo) é declarado culpado, com agravante se for capitalista. É bom sempre lembrar, a espécie humana tem 200 mil anos, donde mil anos representam 0,5% da nossa existência. More »

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dez 20

Esta semana o Jornal Opção publicou uma matéria sobre o intercâmbio universitário entre a Universidade Estadual de Goiás e a Universidade de Cape Town (África do Sul) realizado pela pesquisadora Adriana Rosa de Carvalho (minha professora, viu!!) no projeto Restabelecimento do sistema de monitoramento comunitário da pesca artesanal do Rio Olifants (África do Sul) para subsidiar a participação dos pescadores no processo de co-manejo da pesca do Harder (Liza richardsonii) financiado pelo CNpq. Veja na íntegra aqui.

A professora é um exemplo para alguns professores que passam mais tempo à reclamar e criticar a falta de recursos da universidade do que trabalhar.  Bons profissionais não se acomodam aos primeiros obstáculos, mas aprende à superá-los.

O recado também serve para os alunos, estudar é muito importante e é a única saída. Incentivar os professores, estudando tanto ou mais que ele (nem sempre faço isto…) e dedicar-se com afinco à profissão da sua vida é fundamental, pois ninguém atende aos apelos da caixinha de reclamações.

Além do prestígio acadêmico pelo trabalho, a professora Adriana nos trouxe belas fotos da África do Sul confira logo abaixo: More »

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dez 14

Cartoon Galileu

Com a publicação de “A mensagem das estrelas” em 1610, cuja primeira edição teve 550 exemplares, Galileu foi nomeado matemático e filósofo do grão duque de Florença (Cosme II de Médicis), a quem, por coincidência, dedicara sua obra. Com essa nova colocação livrou-se da obrigação de subir os oito degraus do estrado que o alçava a um metro e meio do chão na Universidade de Pádua (conservado até hoje no Palácio del Bo) para lecionar. Mudou-se para Florença, foi dispensado das aulas (sonho de quase todo professor-pesquisador universitário), tornou-se um homem célebre na Europa, e claro, alarmou os filósofos da classe do pensamento dominante.

Ele já reclamava com um amigo: O senhor, não sabe, então, que mesmo se as estrelas descessem a Terra para dar seu testemunho, isso não iria convencer os obstinados, que só se importam com os vãos aplausos do que é vulgar, imbecil e estúpido?. É altamente assombroso o que Galileu fez, não contra a “Igreja” ou as instituições “perversas e selvagens”, mas sim contra um modo de pensar que não mais satisfazia seu espírito inquieto.

Para entender melhor o tamanho do seu trabalho, meditemos resumidamente à luz de quatro filósofos da ciência do século XX. More »

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dez 12

Freak(onomics) Brothers

Freak Brothers é o nome de uma antiga revista em quadrinhos sobre três amigos que só pensavam “naquilo” o que na década de 70 significava: dinheiro sem trabalho, sexo, rock’n roll e drogas, com predileção por esta última parte. Acabavam sempre enrascados em mil situações hilárias (Freak quer dizer extravagante, hippie, ou as duas coisas de uma só vez).

Pra desespero dos puristas da nossa língua, as editoras Campus e Elsevier lançaram em português, na tradução da professora da PUC-RJ Regina Lyra, o livro Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta: as revelações de um economista original e politicamente incorreto do economista Steven D. Levitt e do jornalista Stephen J. Dubner.

Elsevier LTDAO fato do selo da editora Elsevier (um dos mais bonitos no mercado de livros) subsidiar a obra não é irrelevante já que a Elsevier é uma das editoras mais consagradas no meio científico, além de uma das mais tradicionais na Europa. Nascida na família holandesa Elzévier, ficou famosa no século XVI pela edição de romances no formato in-12º, hoje conhecidos como “de bolso”.

Voltemos ao livro que apesar do nome não tem nada de maluco-confuso (tradução alternativa para freak). As premissas lógicas da dupla de escritores são: as pessoas reagem a incentivos (quer econômicos ou não), e, às vezes, trapaceiam; o senso comum em geral está equivocado e por fim, é importante observar, medir, fazer as perguntas certas e usar a técnica adequada para analisar os dados. More »

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dez 10

Falando em vida de inseto, já pensou como deve ser a vida de uma mosca ao longo do seu pouco mais que um dia de vida?

“Como será viver tão sozinho a ponto de nem sequer saber o que é solidão? Assim vive Jaime, uma mosca-das-frutas. Ao nascerem, elas possuem apenas um dia e o único propósito de sobreviver, acasalar e morrer. Porém, Jaime nasce atrasado em relação aos seus irmãos e irmãs e perde o ciclo de vida ao qual fora destinado. Agora, com menos de um dia de vida, Jaime inicia sua curta jornada pelo mundo, buscando algo que dê sentido à sua existência.”

Este é o enredo desta bela animação de José Guillermo Hiertz, totalmente nacional. Talvez não tenha todo o rigor ecológico como pôde ser visto em “Vida de Inseto”, mas ressalto a extrema qualidade gráfica do filme e a acuidade do diretor ao abordar temas existenciais. Às vezes passamos toda nossa vida em busca de um objetivo e acabamos por esquecer o principal, viver a nossa curta existência. A animação já arrecadou vários prêmios e vale a pena ver e refletir!

 

 

Mais informações no site: http://www.atealua.com.br/

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dez 7

Vida de Inseto (filme)

Os desenhos animados inspirados ou não em fábulas antigas sempre trazem animais em seus enredos. Às vezes são figurantes como o grilo falante de Pinóquio que representa o lado bom da consciência do boneco de pau. Já Dumbo é o protagonista de uma história de superação de um “deficiente físico”. Às aspas referem-se ao fato que não há na verdade, deficiência. Dumbo é um espécime africano (orelhas grandes) entregue erroneamente pela cegonha a uma mãe asiática.

DumboAliás, eu sempre achei que os elefantes asiáticos eram os únicos domesticáveis, inclusive Tarzan, que viveu na África, usava os asiáticos como meio de transporte, mas depois de minha visita ao Zimbábue pude passear numa genuína elefanta (ou elefoa como queiram) africana domesticável e vi que são muito dóceis e eu diria até confortáveis. Também é bom lembrar que a sociedade elefantina é matriarcal, daí o fato que todos os artistas elefantes em Dumbo são fêmeas, incluindo as companheiras muy-amigas da mãe de Dumbo (as fêmeas tem mais iniciativas que os machos. Isto é demonstrado várias vezes no clássico longa- metragem).

Walt Disney é o pai de tudo isto. Ele soube aproveitar o novo cinema sonoro, e captou como ninguém a graça dos animais, tanto que transformou o asqueroso rato, no mais simpático ser do mundo animado (apesar de, numa pesquisa em 2003, o esperto Pernalonga ser apontado como o preferido dos americanos). More »

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dez 5
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dez 1

Alan Teger (pesca)

Esta semana, no Instituto Oceanográfico da USP, aconteceu o 1º Workshop Brasileiro sobre Modelagem de Ecossistemas aplicada à Pesca (Download das palestras aqui). No post Os Bagres da Amazônia falei que esta é minha área de pesquisa principal. Realmente uma pena não ter participado para aprender mais sobre temas correlatos, além é claro de conhecer os pesquisadores (também tenho saudades de São Paulo…).

Modelagem ecológica pode parecer mais umas daquelas ocupações de cientistas em suas torres de marfim, mas decididamente não é (Aliás, se fosse não teria problema nenhum, mas este assunto fica pra outra hora). Na verdade é uma forma simples, porém abrangente pra se predizer alguns processos ecológicos e nossa pressão sobre eles. More »

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