Em resposta ao Meme nos enviado por Carlos Hotta do Brontossauros
MINHA PRIMEIRA VEZ
Por Igor Pivomar
Todo mundo passa por um período de iniciação. Os primeiros passos, as primeiras palavras, rabiscos tortos no caderno, até mesmo um pequeno ritual para fazer parte da turma da rua de cima! Pra tudo há uma primeira vez. De todas, a iniciação sexual é com certeza a que marca para sempre a vida de um garoto, principalmente quando já começa a ter suas próprias idéias do mundo que o rodeia.
Meu primeiro “contato sexual” não teve nada de físico, foi totalmente psicológico. Tudo aconteceu em meados da Copa de noventa e oito em Princesa do Norte, cidade onde nasci e fui criado. O estopim de minha iniciação foi uma gravidez indesejável de minha tia Ana.
Era a tarde, dia do jogo Brasil contra Estados Unidos, e todos discutiam se a criança devia ou não vir ao mundo. Curioso com os fatos, estava sempre atento as conversas e discussões de toda parentela. Foi então que o meu tio Tomás, que era professor, tentando esclarecer alguma coisa disse: “A natureza age com perfeição. No ato da cópula milhões de espermatozóides se deslocam em direção ao óvulo e lutam arduamente entre si para que no fim apenas um seja contemplado na fecundação. Os outros milhões vão pro beleléu… o moleque que ta aí dentro é um vitorioso Ana!”. Após estas palavras (que me lembro bem) tudo começou.
Como o tio Tomás sempre falou difícil, corri logo para o dicionário. E após algumas revelações, confesso, fiquei paranóico. Pensava: “Eu fui o único entre tantos! Entre milhares de irmãos, só eu. E se eu estiver no lugar de um espermatozóide que seria um cientista, um astro de rock ou até mesmo presidente? Meu deus, o que eu fiz? Espera… talvez eu esteja no lugar de um ladrão, um assassino ou até um ditador. Deus sabe o que faz”. Com o tempo minha crônica aumentou: “Tenho milhares de filhos esperando pra nascer! Nossa, que pai eu sou, jogar os filhos numa privada – até que é bão… – por pura satisfação! Se faltar gente no mundo, a culpa será minha. Vou ficar um mês sem ver aquela loira da revista.”.
O tempo passou e fui amadurecendo. Vi que o índice demográfico global depende muito mais das mulheres. Que o presidente pode ser ladrão, o cientista pode matar milhares e um astro de rock pode também ser traficante. Tudo isso não se define no ato fecundo, mas sim, depois se cresce e se cria para o mundo.
Hoje meu primo tem dez anos e está justamente nesta fase de descobertas, e eu sou professor de biologia como o tio Tomás. Sempre que posso mostro a ele algumas realidades, tentando não apagar-lhe suas fantasias. Quero que a primeira vez dele seja tão emocionante quanto a minha.
Taí um bom motivo pelo qual hoje me tornei biólogo. É claro tive muitas outras influências mais tarde (TV Animal, experimentos em aulas de ciências, vida na roça), mas esta, de longe, foi a melhor.
Agora imagino como terá sido a iniciação científica de:


