É muito freqüente considerarmos o início da Ciência com a tríade, Copérnico (1473-1543)-Galileu (1564-1642)-Newton (1642-1727). Mais recentemente no livro Math and the Mona Lisa, o Prof. B. Atalay da Universidade de Mary (Washington) descreve a saga de Leonardo Da Vinci (1452-1519) que se adiantou, com seus escritos e desenhos, ao menos 50 anos às publicações de Copérnico (De revolutionibus orbeum coelestium, o sol é o centro do universo) e de Vesalio (De humani corporis fabrica, o primeiro tratado anatômico detalhado). Da Vinci seria, então, o primeiro cientista no sentido mais moderno do termo.
É no mínimo estranho, pensar em Leonardo como cientista, se o que chegou até nós, pesquisadores-caipiras, são suas geniais obras de artista. Como é que um cara que pintou a Última Ceia, a Mona Lisa e Anunciação do Anjo a Maria (acima, o meu preferido) pode ser considerado um cientista? Ah! Este mundo de “especialistas focados” sempre coloca dúvidas sobre o trabalho dos gênios que atuam em todas as áreas. Veja o caso, por exemplo, do maior poeta alemão de todos os tempos, Goethe, que desenvolveu um método para classificar organismos e que foi completamente ofuscado por suas obras literárias. Quem pode confiar na cientificidade de um poeta? Para ele poderíamos dizer: “Como cientista, o maior poeta. Como poeta, um dos maiores”.
Mas deixemos os artistas gênios para uma outra hora. Voltemos aos “cientistas” ou pensadores antigos. No século III antes de Cristo (a.C.), 2300 anos atrás, Erastóstenes de Cirene estimou o diâmetro da Terra com extrema acurácia (
Pois é, infelizmente, os principais escritos de Aristarco, Erastóstenes, e tantos outros se perderam no incêndio da biblioteca de Alexandria (século IV depois de Cristo). Mesmo assim, parece que Copérnico chegou a citar Aristarco no rascunho de sua principal obra (De revolutionibus…de 1543). Porém ele não foi sua principal fonte de inspiração.
O periódico History of Science publicou este ano, um artigo do Prof. F. Jamil Ragep da McGill University, intitulado “Copernicus and his islamic predecessors: some historical remarks” (Copérnico e seus predecessores islâmicos: alguns reparos históricos - 2007, xlv, 65-81). O tema não é irrelevante, pois estamos falando daquele período que é considerado o nascimento da ciência ocidental.
Provas da influência islâmica sobre a obra copernicana não faltam: Copérnico cita cinco autores islâmicos (notadamente do século XIII) em De revolutionibus… e os os modelos (islâmico e copernicano) são praticamente idênticos. Além disso, a notação do modelo de Copérnico segue o padrão arábico, quando o normal seria, para ele, o latim (o inglês da época).
Alguns historiadores da ciência ainda não reconhecem esta fonte de inspiração para a obra de Copérnico, pois não consideram que haja evidências suficientes e acreditam outrossim que a descoberta tenha ocorrido por ambas as partes independentemente (algo não incomum na ciência).
Para o Prof. Ragep a repulsa da maioria dos historiadores em admitir tal influência se deve a vários motivos: maior foco sobre as conseqüências do copernicanismo do que sobre suas origens; o arrefecimento do status de revolucionário de Copérnico devido ao seu conservadorismo em defender, por exemplo, o movimento circular; um pouco de “centro-europeismo” (o termo é meu) dos historiadores; e certa marginalização dos especialistas em ciência islâmica por causa da natureza antiga dos escritos, que dificulta o trabalho dos não-especialistas.
Mas a principal “tese” de Ragep é que a grande influência dos islâmicos sobre Copérnico reside no método ou filosofia, mais do que nos modelos propriamente ditos. Assim, para Aristóteles as ciências matemáticas (incluindo astronomia) eram dependentes da física/filosofia natural, que por sua vez era subordinada da metafísica. Copérnico concebeu um outro tipo de física que seria formulada dentro da astronomia. Como os islâmicos que o influenciaram, ele pretenderia saber apenas como os corpos se deslocavam e não o porquê (a causa última) do movimento. Uma forte evidência deste ponto é que há uma enorme coincidência entre o modo como Copérnico objetou à teoria da imobilidade da Terra de Ptolomeu e uma passagem de Tsui’s Tadikira sobre o mesmo tema, que ainda foi muito citada por outros autores islâmicos antes de Copérnico e muito provavelmente chegou ao conhecimento dele.
Desta forma, a “revolução e a inovação” científicas de Copérnico já tinham sido fundamentadas e demonstradas 300 anos antes pelos islâmicos, e discutidas (de modo diferente, é claro) 800 anos antes pelos pensadores gregos. Uma vez um físico disse que quanto mais a ciência avança, menos sobra pro trabalho de Deus. Depois deste texto, eu poderia arriscar que quanto mais a história da ciência esclarece, os até então inovadores (ou revolucionários, como queiram) acabam destituídos de originalidade. A história da ciência, como a dos povos, se repete como farsa? Hum…isto não foi muito original….



abril 22nd, 2009 at 14:00
nossa odeio isso!!!!
tenho que fazer um trabalho e não sei oq fazer agora
fevereiro 18th, 2010 at 15:02
achei chato d+
março 1st, 2011 at 20:46
caramba , aki ñ teve conteudos que eu prescisava para o meu trabalho !
by : biazinhááh