Ciência proibida para esposas

Modern Bovary

Recentemente uma jornalista da revista Época gerou a fúria dos blogueiros divulgadores de ciência, pois fez críticas rasas a algumas pesquisas realizadas em diferentes universidades do mundo todo.

O episódio tem várias facetas e uma delas é o enorme ego de boa parte dos cientistas que só admitem críticas, aos seus procedimentos e resultados, vindas de seus pares. É como se as críticas de “alienígenas” ao mundo científico não valessem e por isto devem ser logo tratadas como coisa de “não-iniciados” pois os pesquisadores cada vez mais se parecem com os cientistas-profetas de Fundação (download da trilogia), o clássico de ficção-científica de Isaac Asimov, em que os cientistas são vistos como homens operadores de milagres, tal o avanço tecnológico que demonstram, e não como mero seres humanos que conseguem suas proezas com muito esforço e boa dose de talento.

Outra faceta é como as revistas semanais e jornais diários enxergam e divulgam a ciência e seus resultados. Ainda são normais os erros crassos de conceitos, além é claro de extrapolações de resultados beirando o mau gosto. Por exemplo, recentemente a Veja publicou uma reportagem sobre os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e escreveu que “na perspectiva evolucionista vamos às compras para nos mostrarmos poderosos, o que é uma herança ancestral”. Pois é, meu amigo. Se sua mulher pegou seu cartão de crédito, não a deixe ler isto. Ela vai culpar nossos avós que moravam nas cavernas ou que ainda nem da árvore haviam descido: “Desde que o mundo é mundo querido, eu mereço uma Vuitton…”.

Este tipo de bobagem chegou aos píncaros no livro Os ovários de Madame Bovary, no qual os autores, com a maior cara de pau, tentam explicar a traição de, por exemplo, madame Bovary ao marido, porque ela está procurando um “macho melhor, mais ajustado ao ambiente…”. Imagine, a traidora pega em delito ao invés de dizer: “Não é nada disso que você está pensando”, afirmar: “Não é que aquele Darwin tinha razão? É meu instinto de procriação…

O Melhor Amigo!!!

Quer mais, amigo leitor e cabra-macho? Num artigo publicado recentemente na Biology Letters (April 23, 2009 5:179-182), os autores (um homem e uma mulher) mostram que o “oestradiol”, um hormônio produzido nos ovários tem implicações decisivas na fertilidade feminina mas, mais do que isto, também na motivação e comportamento sexual das mulheres. Quanto maior o nível de oestradiol, menor a motivação da mulher com o parceiro principal e maior a inclinação dela em procurar outros parceiros! É companheiro, as desculpas “cientificamente comprovadas” estão aí, pra livrar a cara das mais assanhadas: “Menina, te contei? Na festa ontem meu oestradiol estava alto…”.

Madame Bovary

Fiquei sabendo deste trabalho, na Ciência Hoje (jan/fev, de 2009), que é a menina dos olhos da divulgação científica nacional. Uma nota foi publicada, com a frase “…os homens, antes do casamento… podem querer exigir um exame de sangue com os níveis de estradiol das parceiras… na média, as voluntárias com maior nível do hormônio, tiveram mais parceiros que as outras…”. A nota é ilustrada com, acredite meninos, duas mulheres se beijando. (Pois é, companheiros de divulgação científica. E a gente reclama da Veja e da Época).

Simpsons - Kiss Magie

Antigamente havia romances proibidos para meninas. Mas neste mundo, tão cheio de cientistas com suas máquinas e pesquisas maravilhosas, talvez seja necessário censurar, à nossas moçoilas, alguns artigos científicos.

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2 Respostas

  1. Luiz BEnto Says:

    Sem dúvidas temos artigos de resultados e, principalmente, conclusões no mínimo duvidosas. Sem dúvidas a revisão por pares não é algo perfeito. Mas também não tenho dúvidas que a divulgação científica brasileira vai de mal a pior.

    Tenho certeza que grande parte destas manchetes e artigos sensacionalistas poderiam ser evitadas se o jornalista em questão tivesse o interesse de ler mais do que o press-release ou abstract do artigo.

    Uma coisa interessante da internet é que podemos comentar um artigo e dar o link dele, em muitos casos de download gratuito. Mas tenho certeza que a grande maioria não busca a fonte original. Recebo comentários de pessoas que não leram nem o que eu escrevi, muito menos o artigo citado. Será que a crise é ainda maior? Muita informação, as pessoas fingem que leem o que os jornalistas escrevem, os jornalistas fingem que leem o que os cientistas escrevem e os pares fingem que leem o que os cientistas escrevem? Onde vamos parar?

    Sei lá…devaneios.

  2. Benedito Domingues do Amaral Says:

    Ronaldo, olha o rinha do clima. Ainda vai ter navalha & cia no shopping da ciência!

    A polêmica sobre as mudanças climáticas

    O ex-reitor da UNB José Carlos de Azevedo sempre foi um sujeito polêmico. Aqui, ele questionando as conclusões do IPCC sobre as mudanças climáticas.

    Da Folha
    Distanciada da ciência e da razão

    JOSÉ CARLOS DE AZEVEDO

    Há prova científica sobre a influência do CO2 no clima? Não há. Há prova de que o CO2 nada tem a ver com o clima? Há uma pletora

    O ARTIGO de Myanna Lahsen (Tendências/Debates”, 3/4), em que pretendeu criticar dois artigos que escrevi nesta página, me fez lembrar duas pessoas. O comediante Groucho Marx disse: “Hoje, ciência é o nome do jogo, e, se você conseguir enganar, você está dentro”.

    O filósofo Mario Bunge, no estudo “In Praise to Intolerance to Charlatanism in Academia” (”Louvando a Intolerância ao Charlatanismo na Academia”, Anais da New York Academy of Sciences), critica os que falam de ciência e dela nada entendem. Bunge disse que Feyerabend “tem merecido atenção porque, erradamente, admitiram que ele conhece algo de física.
    Mas, de fato, a sua ignorância desse assunto, o único que procurou entender, era abismal”. Lahsen entende menos de física que Feyerabend.

    Para ela, “é fácil criar confusão sobre a ciência do clima”, sem saber que na ciência não há confusão, há divergência, e que não existe a “ciência do clima”. Lahsen, antropóloga dinamarquesa, diz que o IPCC “não é uma instituição de pesquisa” e “não faz previsões do tempo nem do clima.

    Ele avalia ciência já produzida”, mas se desdiz ao afirmar que o IPCC tem “milhares de cientistas”.
    Levianamente, ela afirma que tenho “entendimento errado” do que é o IPCC e que me baseio em um relatório de 23 cientistas, “um número muito pequeno se comparado aos milhares de cientistas (…) do IPCC”, o que é falso. Para Lahsen, a validade científica depende de votação, apesar de a frase de Galileu ter mais de 400 anos:

    “Em questões de ciência, a autoridade de mil não vale o humilde raciocínio de um só indivíduo”. O que fazem esses “milhares de cientistas” que frigiram 50 bilhões de dólares para provar a influência do CO2 no clima e nada conseguiram?

    Deselegante, a antropóloga climatológica referiu-se a Singer, a Seitz e a mim como “aposentados”. Seitz presidiu a Academia Nacional de Ciências dos EUA, deu importantes contribuições à física do estado sólido e deixou seu nome gravado na história da ciência -não foi menor a contribuição de Singer.

    Lahsen, que é ignorante para ler Seitz, diz que ele “nunca fez nem publicou ciência sobre o clima”; é obvio que nada fez porque essa ciência não existe. O que é publicar ciência? Cabem perguntas: há prova científica sobre a influência do CO2 no clima? Não há.

    Algum livro de física de nível universitário menciona esse efeito estufa? Salvo engano, só há um, o “Thermal Physics”, de Kittel (edição de 1990), que, em quatro linhas, atribui o efeito ao vapor d’água. O que os ecoterroristas chamam de efeito estufa nada tem a ver com o que ocorre numa estufa para plantas ou em um automóvel com os vidros fechados e exposto ao sol.

    Há prova de que o CO2 nada tem a ver com o clima? Há uma pletora. O artigo de Jan Veizer, entre outros, prova, numa perspectiva de 4 bilhões de anos do ciclo do carbono, que o fator preponderante não é o CO2, é a radiação cósmica. E há prova inequívoca, a feita com o gelo retirado em Vostok, que mostra que a temperatura sempre aumenta antes de o nível do CO2 aumentar; não ocorre o oposto, como quer a sábia danesa, que não distingue causa de efeito nem sabe que há mais coisas entre o céu e a Terra além do CO2.

    O Danish National Space Center corresponde ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), onde Lahsen se encontra. Lá, os dinamarqueses E. Friis-Christensen, K. Lassen e H. Svensmark provaram que a radiação cósmica cria múons que chegam às nuvens baixas da Terra e formam os núcleos de condensação que definem o clima e o tempo.

    Por sua vez, N. Shaviv e J. Veizer, em Israel e no Canadá, provaram a correlação que há entre o clima na Terra e a passagem do sistema solar pelos braços da galáxia local, a Via Láctea. Por isso, o Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear) amparou esses estudos e reuniu cientistas e cerca de 30 instituições para estudar a natureza do clima e do tempo sob essa perspectiva.

    São o Sol e a radiação cósmica que os definem. Mas a pseudocientista Lahsen discorda, diz que é o CO2, o que me leva a lhe sugerir que volte à Dinamarca e lá exiba a sua sabedoria. Mas o que faz uma antropóloga em um instituto de estudos espaciais? Conversa com seres extraterrestres?
    R. Lindzen, do MIT, disse que adeptos do IPCC agem como a juventude nazista. Myanna Lahsen segue a cartilha da juventude fascista, de Mussolini: “Credere, obbedire, combattere”. Crer, obedecer, combater. É o que cabe aos pobres em espírito.

    JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA AZEVEDO, 76, é doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA). Foi reitor da UnB (Universidade de Brasília).
    Enviado por: luisnassif -

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