Quando Charles Darwin (1809-1882) chegou às Galápagos em 15 de setembro de 1835 pareceu relativamente desapontado com o que viu. Apesar de já conviverem com pelo menos 200 exilados deportados do Equador, então colônia inglesa, as aves locais não fugiam dos homens quando os avistavam. Darwin cutucou uma delas com seu rifle e achou que elas não serviam ao nobre esporte inglês de caça ao pássaro que ele adorava. O que ele poderia fazer ali, naquelas ilhas áridas com suas flores feias e aves de aspecto “sul-americano”?
Foi então observar os vulcões e os comparou com fornalhas de ferro inglesas “perto de Wolverhampton”. Depois caminhando sob o sol escaldante em busca de depósitos de águas da chuva, ajudou à capturar alguns iguanas para uma refeição que o capitão do Beagle, FitzRoy, classificou como “razoável”, o que para nosso paladar de brasileiro, deve ser considerada “quase desprezível”.
Mas Darwin também pegou um dos iguanas e jogou-o ao mar. O iguana voltou nadando, e ele repetiu a maledicência com o pobre bichinho mais algumas vezes, anotando seu comportamento. Se mamãe Darwin, estivesse por lá, provavelmente diria com a típica empáfia inglesa: “Charles, você já tem 26 anos. Pare de brincar com a comida”.
De qualquer forma, o jovem coletou 31 tentilhões com seu rifle, representando nove ou seis tipos diferentes (há controvérsias), de três ilhas que visitou, mas irritado com o sol e a falta de água, e achando que eles não se diferenciariam naquelas ilhas próximas, fez anotações imprecisas sob quais ilhas eles pertenceriam, misturando os indivíduos de duas delas. Como se diz no jargão científico, o ex-aluno relapso da Universidade de Edimburgo usou “acochambration methods ecology”.
Mas seu superior olhar inglês cometeu um erro ainda maior, quando ignorou a informação do governador local e dos exilados, que era possível identificar de qual ilha, as tartarugas pertenciam, apenas olhando o formato e o desenho de seus cascos. Darwin achou que as tartarugas eram espécies continentais, levadas pelos navegantes até a ilha para servirem de alimento.
Saiu de lá, cinco semanas depois, achando difícil imaginar ilhas tropicais “tão inteiramente inúteis para o homem como para os animais maiores”. Porém antes que chegasse ao próximo destino do Beagle (o Taiti), ele verificou os espécimes coletados e encontrou que cada ilha tinha “sua própria variedade de pássaro. Fato paralelo ao mencionado a respeito das tartarugas”.
Pensou seriamente que tudo aquilo era insignificante demais, pois afinal, ele ainda não tinha lido Charles Darwin… e então era apenas um filósofo natural, quiçá criacionista, com muitas dúvidas e curiosidade.
Naquela noite, depois do prato de sopa de tartaruga, foi até o convés e ainda viu o cozinheiro jogando os cascos daqueles répteis gigantes ao mar. O Taiti era logo ali. Ainda havia muito no que pensar.
Continua…
PS.: – Estou indo às Galápagos no fim desta semana. Tentarei enviar mais informações de lá.


