Entrevista com nosso 1o igNobel !!!

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O prêmio igNobel é concedido anualmente, na mesma época do Nobel, para pesquisadores que publicaram trabalhos em revistas científicas internacionais, mas que podem ser considerados, no mínimo, exóticos, quando comparados com papers tradicionais, aqueles que se colocados lado a lado, vão construindo o universo do “conhecimento científico”… sei, sei…

Desta feita, o Brasil-il-il levou o seu igNobel. A honraria, veio na categoria Arqueologia e foi para os doutores Astolfo Araújo, da USP, e José Carlos Marcelino, do Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo, que foram premiados por demonstrarem com um experimento simples, como os tatus são hábeis para bagunçar sítios arqueológicos. O título do trabalho é: The Role of Armadillos in the Movement of Archaeological Materials: An Experimental Approach e foi publicado na Geoarchaeology: An International Journal (Vol. 18, No. 4, 433 – 460, 2003).

O simpático e bem humorado Prof. Astolfo concedeu esta mini-entrevista para o Bafana.

Imagem Bafana

Um prêmio é como um modelo matemático? Isto é, antes um “simples” e esquisitão do que nenhum?

Eu acho que um prêmio é sempre uma coisa legal. É sinal de que alguém LEU  o que você escreveu, em primeiro lugar, e convenhamos que foi alguém lá em Harvard (risos). O impacto da ciência brasileira é bem pequeno. Eu acho que por mais exótico que possa parecer, um monte de gente deve ter ido atrás do artigo e lido. Como o artigo é bem feito do ponto de vista científico (com métodos, tratamento estatístico dos dados, resultados relevantes, etc…), isso deixa qualquer autor feliz.

Afinal o que a tatuzada faz num registro arqueológico? Além de bagunçar, eles também destroem as peças? Quem prejudica mais o registro, machos ou fêmeas, adultos ou filhotes?

Imagem Bafana

Não temos dados a ponto de dizer se machos e fêmeas têm comportamentos escavadores distintos, e na verdade nem mesmo os biólogos sabem disso. Até onde observei, os tatus não destroem as peças, quando muito arranham, mas nada muito sério. Seu principal impacto é referente  à posição das peças, seja horizontalmente ou verticalmente. É isso o que chamamos de “contexto arqueológico”, a relação espacial das peças entre si. O contexto é mais importante do que as peças isoladas.

A parte experimental foi observada por crianças, não? Conta um pouquinho pros nossos leitores. Aliás, o experimento teve réplicas (isto é, usou outros tatus e recintos)?


Sim, realizamos a experiência dentro do recinto dos tatus, no Zoológico de SP. O recinto estava em reforma, e pudemos usar o local. Como foi durante o período normal de visitação, chegava aquele monte de crianças, que ficavam absolutamente fascinadas com dois marmanjos escavando no lugar dos tatus. Foi uma experiência única, porque você imagina o que é ser um animal de zoológico. Acho que todo mundo deveria passar por isso uma vez na vida (risos).

Imagem Bafana

Não repetimos o experimento por fatores vários. Depois do experimento eu fui para os EUA estudar, e meu amigo e co-autor José Carlos Marcelino sofreu um acidente sério. Nunca mais conseguimos parar para fazer algo parecido, mas a idéia está lançada e outros colegas podem ir além. Afinal, é assim que a ciência progride (risos).

Que outro animal pode também ser perigoso para confundir o registro arqueológico?

Animais escavadores de modo geral, como cupins e formigas, podem ser muito perigosos. No caso, por escavarem aos poucos, eles podem causar mudanças mais sutis ao longo dos milênios e, por isso, mais difíceis de serem detectadas.

Além dos tatus, o que mais prejudica a arqueologia no Brasil?

Fora tatus e falta de recursos (risos)… o próprio ser humano é altamente prejudicial, especialmente quando resolve fazer obras faraônicas, como a transposição de um rio.

Indiana Jones odiaria tatus, tanto quanto cobras?Armadillo.jpg (27 KB)

Não! Tatus são muito legais, eles só fazem o que fazem para sobreviver. Na verdade, acho que o Indiana Jones não odeia as cobras, só tem medo delas.


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10 Respostas

  1. Luiz Bento Says:

    Parabéns pela entrevista. Depois de tanta reportagem menosprezando o prêmio, acho que estávamos precisando da opnião do próprio autor.

    Abraços.

  2. Douglas Harrison Says:

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  3. TuJuan Thompson Says:

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