A falta de energia elétrica volta a rondar o país comprometendo o já pífio crescimento da economia nacional, pois cerca de 90% da energia brasileira é gerada em reservatórios e São Pedro não foi muito generoso este ano. Correndo atrás do prejuízo, o governo já mandou acender as termoelétricas, movidas a óleo e carvão, preocupando os que temem o dióxido de carbono na atmosfera. Isto é, quase o mundo todo.
Novas barragens são continuamente propostas, mas as obras são lentas e os órgãos ambientais, às vezes, são considerados culpados pela demora da liberação de licenças que supostamente impigem às construtoras. Este é o retrato do Brasil: de um lado nos orgulhamos de nossa legislação ambiental como a “mais completa do mundo”, do outro reclamamos que “atrasa o desenvolvimento”. Tudo isto à toa, pois a lentidão das construções é mesmo creditada à falta de regras claras na definição do preço da energia (variável preferencial para os investidores).
Independente disto, o fato é que a construção de uma hidrelétrica traz muitos impactos. Por exemplo, Itaipu inundou 1.300 km² e, de quebra, sumiu com “Sete Quedas”. Menos mal em saber que gera 24% da energia brasileira e 95% da paraguaia, ao contrário de Balbina, na Amazônia, que submergiu 2.400km² e fornece apenas 5% do suprimento da população manauara (2 milhões de pessoas).
Além da vegetação inundada e da indisponibilização de terra agricultável, o rio vira lago, mas pode acomodar usos como pesca artesanal e esportiva, turismo, piscicultura, esportes náuticos e armazenamento de água.
A biota do reservatório será inicialmente constituída pelos peixes adaptados ao rio. Porém, os peixes migradores são impedidos de fazer a piracema e na tentativa de minimizar o problema, as usinas têm construído escadas para peixes, que constituem-se em seqüências de tanques, ou seja, uma corredeira artificial para atrair os peixes à subida. Há casos em que prejudicam o armazenamento de água, como na Cachoeira de Emas em Pirassununga (não foi uma Boa Idéia).
Semana passada, a influente Nature publicou uma reportagem (Leia aqui) sobre o artigo de Fernando Pelicice e Ângelo Agostinho que está para sair na Conservation Biology (outro importante periódico). Eles analisaram as informações existentes sobre a escada de peixes do reservatório de Porto Primavera no Rio Paraná e de outros do Rio Paranapanema. Os resultados mostram que os peixes são incentivados à subir o reservatório, mas quando chegam lá, dificilmente desovam já que ficam perdidos na água clara e calma, se ainda conseguem reproduzir, raramente a descida dos ovos e alevinos tem final feliz.
Claro que melhores monitoramentos e estudos sobre as populações migratórias têm que ser realizados, mas os autores apresentam fortes evidências de que incentivar a passagem das populações pelas escadas é uma péssima estratégia. Segundo os autores, a escada induz o peixe a trocar um ambiente rico e propício à desova que é a região de tributários e pequenos rios abaixo da barragem, com um ambiente de qualidade bastante inferior (o lago).
Desta forma, aquilo que poderia ser uma solução ou ao menos inócuo, muito provavelmente é deletéria para a conservação das espécies. Mais uma pro Brasil aprender a mitigar melhor os impactos dos reservatórios, já que muitos deles surgirão, talvez devagar, mas certamente sempre. Não que eu torça por isto, mas sei que minha opção preferida, a energia atômica, está muito longe de ser realidade por aqui.
Veja também:
Enciclopédia de recursos pesqueiros em reservatórios brasileiros




janeiro 23rd, 2008 at 15:21
Caro Ronaldo. Envio esta mensagem formal para parabelizá-lo (e seus colaboradores) pelo excelente e bac(f)ana blog que você organizou. É o elo que faltava para repassar a informação científica para todos. De novo, parabéns.
janeiro 24th, 2008 at 10:32
Grande Ronaaaaaaaaldo!
Como sempre, dando um jeito de inserir ciência no café da manhã da família brasileira. Melhor ainda, ciência nossa, feita no quintal de casa.
Já ta ficando até chato falar isso, mas…parabéns camarada!
Abraços
P.S.: passei no concurso…to dentro e, ja assumi o cargo!
julho 24th, 2008 at 13:19
Quanta bobagem, pelo menos nessa matéria sobre escadas para peixes.
Vê-se que não é um militante científico.
Você não pode generalizar informações, estudos para tudo.
Qual é a sua fonte sobre Cachoeira de Emas? Como você pode dizer isso? Qual o seu conhecimento técnico?
Você ou vocês não enteram nada sobre “fishtrap”.
Entendi que de ouro seu artigo não tem nada, mas de tolices…
Abraços.
julho 24th, 2008 at 15:04
Oi Sidney. Realmente eu não sou um MILITANTE CIENTÍFICO, nem quero ser, isto é coisa pro Dawkins e agnósticos de plantão….Também não fui eu que “generalizei” as informações sobre escadas de peixes e sim, o Prof. Angelo Agostinho e o Fernando Pelicice, que então foram publicadas na Conservation Biology, que como você deve saber, é um importante periódico científico (aqui só fazemos divulgação). Estive em Emas e pra mim é óbvio: se não fosse a escada, a acumulação de água poderia ser maior. Foi o que escrevi no texto e acredito não estar errado. O livro “Ecologia e Manejo de Recursos Pesqueiros em Reservatórios do Brasil”, resenhado aqui no Bafana, também disserta sobre as escadas. Mas você deve conhecer, né?, pois trabalha com o Carlos (irmão do Ângelo). Se ainda você quiser, podemos fazer assim: nos envie uma cópia do artigo que você publicou no Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP em 2006 (não achei na Internet, aliás só encontrei sua tese, mas prefiro ler o artigo), que a gente avalia pra posterior divulgação aqui em contraposição ao artigo do Agostinho & Pelicice. O Bafana agradece sua colaboração.
março 11th, 2009 at 23:47
hahaha qto exagero …
maio 29th, 2009 at 14:18
Guaira
Guaira cidade bela
nela existe uma igrejinha
lá perto da prainha
entre as outras a mais bela
foi feita com as mais belas pedras da sete quedas
que esta no fundo do rio paraná
sete quedas esta submersa no fundo do rio paraná
dizem que sete quedas morreu
afogada
no fundo do rio Paraná pode ela estar marta mas vivo
pode ela esta morta mas viva esta em meu coração!
maio 10th, 2010 at 19:20
Os pesquisadores levaram um bom tempo para publicar algo que os técnicos do setor elétrico já sabiam há muito tempo, cansados de verem os peixes subirem e jamais descerem.
março 21st, 2011 at 13:29
era tao lindo pq fas isso para satisfazer um desejo do homem um ser q nao sabe viver sem oq destruiu e mesmo assim destroem tudo por uma mera futilidade q da-lo a sensacao de prazer.
agosto 16th, 2011 at 6:46
Se querem material bastante para esse tema procurem visitar o mun. de Levy Gaspariam, próximo de Três Rios-RJ, onde construiram 2 barragens e Manuel Duarte(RJ)Pôrto das Flôres(MG), + – 30 Km acima, indo para Rio das Flores(RJ), onde é iminente a construção de mais uma hidrelétrica. É dito que as usinas “prontas” nada geram, para quê a 3ª??? Os peixes ficaram bloqueados à mercê dos peixeiros que “matam a pau”! Venham conhecer as “anti-maravilhas” que embasarão seus debates e aproveitem para visitara FLORART(0xx/24/2458-0190)onde Dona Lineia tudo informará.