Expondo Darwin

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Já está em Goiânia a exposição Darwin – Descubra o homem e teoria revolucionária que mudou o mundo promovida pelo Instituto Sangari.  Como alguns sabem critiquei tempos atrás, aqui mesmo neste espaço, outra produção deste Instituto, a Exposição Genômica (vi em SP) que, por motivos diversos, achei mal feita (aparelhos de TV em exagero e muito texto num ambiente de penumbra com uma música horrorosa ao fundo…).

Mas “Darwin” vale a pena. Tem orquídeas verdadeiras e um texto explicando a paixão que elas exerceram no neto de Erasmus, o livre-pensador, que já tinha perdido um talentoso filho também de nome Charles Darwin (1758-1778). Este tio, que o mais famoso Charles (1809-1882) não chegou a conhecer, morreu ao se contaminar numa aula de anatomia com um corte que fez na própria mão (talvez não fosse tão talentoso assim…). Quando veio ao mundo, o futuro cientista da seleção natural era a esperança do avô, para compensar a perda do filho homônimo e para continuar a saga de grandes médicos na família. Mas o neto de Erasmus desmaiou na primeira aula de dissecação de cadáveres, e foi então, seguir os bichos, as plantas e pensar como tudo estava relacionado…

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Pensar… a exposição traz uma réplica do cômodo de trabalho de Darwin em sua Down House nos arredores de Londres. Uma mesa, uma cadeira, livros, um microscópio pobrezinho. Foi nesta atmosfera, apenas com uma idéia na cabeça, um lápis na mão e uma revolução no papel, que o inglês, contaminado de Adam Smith até os poros (fato que seus biógrafos errônea e estranhamente não dão o mínimo valor) descreveu um processo de evolução que funciona: a seleção natural.

É ainda possível “passear” como Darwin, nos jardins da Down House, através de uma montagem de fotos (10 segundos/cada) projetadas numa pequena parede da exposição (mereceria maior destaque).

Interessante ainda, a coleção de crânios de nossos ancestrais que formam a árvore da origem da espécie humana, já atualizada com as mais recentes descobertas, isto é, se não acharam nada esta semana, pois tal árvore, muda toda hora, principalmente pelo ego inflado daqueles que vivem a procurar ossos humanos e nossas raízes.

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Uma pena que nas réplicas das Galápagos, as tartarugas gigantes tenham sido construídas num tamanho pequeno (40 cm no máximo), quando o que é realmente impressionante é o tamanho dos machos adultos: um metro de comprimento, 250 kg e, então, quase 200 anos.

Dois painéis são lindos: um “mapa múndi” (esta expressão ainda existe?) com o traçado da viagem do Beagle e outro formado por réplicas de desenhos de animais e plantas. Os seres estão ali como numa coleção de selos. Darwin olhou para eles, lembrou de Linnaeus e resolveu interconectá-los.

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A exposição ocorre no Centro Cultural Oscar Niemeyer. Aliás, é verdade que este arquiteto não coloca esta obra em seu portfólio, porque ela foi mal executada? Bem, ela foi mesmo, é fácil ver as falhas… Mas definitivamente a obra de Darwin foi muito bem executada, afinal, foi ele mesmo “o pedreiro, o arquiteto e o valente primeiro morador” desta obra que persiste até hoje. Muito mais que um almanaque, vale à pena ir ver Darwin: A Exposição.

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