No artigo anterior falei sobre as tartarugas gigantes das Galápagos e citei de relance o Lonesome George ou George, o Solitário. Trata-se de um macho que vive na Estação de Pesquisa Charles Darwin (EPCD) e é o último espécime de Geochelone abingdoni (veja foto), uma das 11 espécies de tartarugas gigantes das Galápagos.
George foi levado para um cativeiro da EPCD em 1971 e viveu apertado até a chegada da Dra. Linda Cayot em 1988 que, encontrando-o acima do peso, começou um longo e paciente trabalho para que ele conseguisse se reproduzir. George foi primeiramente submetido a uma dieta rigorosa, pois répteis obesos têm menores chances de procriarem. Depois foi colocado num cativeiro maior, que o obrigava a caminhar bastante para obter seu novo alimento, que sempre era servido longe dele.
Quando George entrou em forma, recebeu a companhia de duas fêmeas da espécie G. becki, que viviam no vulcão do Lobo na ilha de Isabela e que são morfologicamente bem parecidas com a espécie de George que originalmente é da ilha Pinta, ao norte de Isabela. Na época não se sabia que geneticamente George está mais próximo de tartarugas da ilha Espanhola e que há ainda uma espécie híbrida entre G. abingdoni e G. nigrita, o que talvez facilitasse o cruzamento de George.
Mesmo assim, com as duas fêmeas e um trabalho diário, os pesquisadores tentaram estimular George para que ele acasalasse. Este procedimento não foi inteiramente revelado, mas imagino que colocando as fêmeas sempre próximas ao macho ele possa ter maior interesse em copular. Apesar disto, ele continuava reticente e, por vezes, agressivo com as fêmeas. Assim, houve outra mudança em sua dieta, agora com mais minerais e vitaminas, prescrita por pesquisadores do Zoológico de Washington, que é considerado um dos melhores do mundo.
Então, semana passada os pesquisadores descobriram no cativeiro de George um ninho com nove ovos (em tempo, para fazer o ninho, a fêmea escava um pequeno buraco e defeca abundantemente, para que quando o ovo caia, não se quebre. Além disso, o odor das fezes deve enganar os predadores de ovos).
Infelizmente, quatro ovos estavam podres e dois apresentaram fissuras nas cascas. Os três restantes foram levados à incubadoras e submetidos à diferentes temperaturas (quanto m aior a temperatura, maior a chance de nascerem fêmeas). Daqui à aproximadamente quatro meses será possível saber se eles serão realmente viáveis. Espera-se que com o tempo (muitos cruzamentos e gerações) estes, e futuros híbridos tragam de volta a “linha pura” do Solitário George.
Como na fábula do coelho e da tartaruga, George foi lento em sua corrida pelo sucesso reprodutivo (37 anos), por isto mesmo sua conquista é para ser celebrada ainda mais. Afinal, a ecologia funciona como a economia de mercado, isto é, quanto mais raro um produto (a espécie) maior o seu valor e de coelhos e humanos todos já estamos fartos.
Vídeo da BBC Brasil sobre o caso George:







agosto 7th, 2008 at 23:35
Eu ouvi falar do George nas aulas de vertebrados durante a graduação. Já faz uns anos, e fico feliz que ele ainda esteja vivo! Melhor ainda se algum dos ovos vingarem…
setembro 21st, 2008 at 16:29
Nossa! Quando ouvi sobre o caso dele pela primeira vez, já me disseram que era um caso perdido por ele ser muito velhinho… Fiquei tão feliz em saber que o George conseguiu reproduzir! Espero que os 4 ovinhos dêem certo!
E uma observação nada a ver: amei o último parágrafo (do coelho e da tartaruga)! ;D
Valeu Ronaldo Angelini! Poste as novidades sobre os ovos quando puder =]
fevereiro 7th, 2009 at 22:56
Aff
São 3 ovos , afinal, tira 4 ovos podres + 2quebrado de 9 ovinhos !
Achu que num sobra 4 não!
E o Geoge é fofo uhu!
fevereiro 17th, 2009 at 19:12
Será!!!
março 3rd, 2009 at 15:58
Estive em Galápagos na semana passada e George agora esta na Ilha San Cristobal, aos cuidados da Igreja, come todo o tipo de frutas que são compradas com os donativos feitos pelos turistas que vão lhe visitar. Continua solitário, gordo e sob os cuidados de uma igreja. Que destino!!!!