Namíbia. Um país que por causa da costa, caminha pra frente!

Um rápido olhar no mapa da África e é possível identificar países que destoam pelo desenho de suas fronteiras. A Namíbia, ao sul do continente, é um deles, pois sua fronteira leste, com Botswana e África do Sul, é uma linha reta na vertical (veja o mapa abaixo).

Mapa da Namíbia

Pode-se achar estranho, mas quem só vê o mapa não viu nada ainda. Que tal saber que até 1990 a Namíbia era colônia da África do Sul? Isto contrariava até mesmo a Corte Internacional de Justiça que em 1971 já havia declarado que o controle sul-africano era ilegal. Em 1990, os altos custos da ocupação (50 mil soldados), as pressões internacionais de dentro e de fora do continente, e a bancarrota interna do governo do apartheid, fizeram com que a então chamada, África do Sudoeste (South-West Africa), voltasse a ser Namíbia.

Mas isto ainda não é tudo de curioso neste país: os apenas 2 milhões de habitantes falam 45 línguas (!). Ainda bem que a língua inglesa unifica a nação, já que a alfabetização atinge 85% da população e as aulas do idioma de Sua Majestade são diárias. Bom pra eles, pois os alunos e professores da única universidade (Universidade da Namíbia na capital Windhoek) podem aproveitar mais facilmente a literatura científica, toda em inglês, e ainda viajar aos grandes centros mundiais e aprender novas técnicas sem o obstáculo do idioma (como eu, por exemplo).

Porém, estranho mesmo na Namíbia é sua costa. Com uma extensão de 1570 km e largura variando de 80 a 150 km, é um imenso deserto que cobre 15% de todo país. Praticamente não cai uma gota de água da chuva o ano todo, mesmo sendo à beira do mar. Por quê?

Via de regra nuvens de chuva se formam, em zonas de baixa pressão, com movimentos ascendentes da camada de ar. Ocorre que esta faixa do Atlântico é uma área de alta pressão atmosférica, que funciona como um anticiclone, trazendo vento seco descendente. Soma-se a isto, a corrente marítima fria que sobe a costa africana e esfria a superfície da água e o ar que, mais frio e consequentemente mais denso, torna-se incapaz de subir para formar nuvens. Em determinadas épocas um denso nevoeiro se forma (há relatos de inúmeros naufrágios na região) e avança ao continente, onde plantas desérticas adaptadas captam a água da umidade do ar.

Também não há rios perenes que atravessam o deserto. Aliás, a Namíbia tem apenas dois deles: o Orange na divisa com África do Sul e o Kunene na fronteira com Angola. Podes imaginar um país com apenas dois rios?

 

Rio OrangeRio Kunene

Mas aquilo que parece ser um imenso deserto em todos os sentidos da palavra, esconde tesouros riquíssimos. É o que mostra o livro Namibia’s Marine Environment (“Ambiente Marinho da Namíbia”) editado pelos pesquisadores Fergus Molloy e Tapio Reinikainen (Ed. Hirt & Carter Cape, África do Sul, 2003) e muito bem ilustrado.

A pesca, por exemplo, é responsável por 6,5% do PIB (Produto Interno Bruto) que em 2006 girou em torno de 4,7 bilhões de dólares. Também representa 21% do total exportado do país ($1,4 bilhões). Isto por que na década de 70 a captura era duas vezes maior que a atual (pouco mais de 1 milhão de toneladas). Dos oceanos o país também ainda explora as focas. Em 2000, 72 mil delas foram mortas dos quais 80% eram filhotes com peles valiosas. O número total estimado de filhotes para o mesmo ano foi de 480 mil indivíduos, distribuídos em 11 colônias ao longo de toda a costa. É eu sei, isto também é estranho. No mínimo, de gôsto duvidoso.

Outro produto animal explorado é o guano (fezes de aves, que são usadas como fertilizantes). A prática persiste desde 1830 com a raspagem de ilhas rochosas, e hoje em dia é facilitada pela construção de imensas plataformas próximas a costa, que servem como áreas de nidificação para as aves e facilitam a vida dos trabalhadores para a retirada de 3000 toneladas por ano.

Namíbia Marine       Mas há mais. Em 1908 foi encontrado o primeiro diamante e desde então, com altos e baixos, a mineração não parou mais. Quase 100 anos e muitos impactos ambientais depois, como o abandono puro e simples de maquinário no deserto, a extração continua a todo vapor. Imagine o poder da indústria mineradora de diamante durante 90 anos num “país-colônia”. Até hoje, ainda é “um pouco” complicado para a fiscalização ambiental entrar numa área de mineração. O consolo é que há avanços também neste assunto. Algumas mineradoras, por exemplo, têm se esforçado em criar suas próprias normas ambientais, especialmente por que o diamante é dragado do fundo do mar, revolvendo sedimento e com impactos ambientais ainda pouco compreendidos.

Há ainda as explorações de gás e petróleo iniciadas em 1974 e o turismo, que é considerada a terceira indústria da Namíbia. Na costa, a principal atração além da beleza paisagística, é pesca com molinete.

Tudo isto acontecendo num ecossistema riquíssimo em diversidade que possui alta produção primária com teia trófica complexa e potencialmente estável.

O país? Cresceu 3,7% em 2003, 6,0% em 2004, e 4,2% em 2005 e 2006. Entre os 53 países africanos é o 4º (empatado com África do Sul) no ranking da “boa governança”, uma medida de boas políticas que sintetiza a qualidade de serviços de governo, a estabilidade política do país, seu controle da corrupção e a obediência às leis.

Sim, há problemas como o desemprego e a alta incidência de HIV/AIDS. Mas para um país que ainda não atingiu a maioridade (17 anos de independência) o futuro parece bem promissor. Eu diria até que é um exemplo pros vizinhos de nariz empinado do outro lado do Atlântico. E olha que não estou falando dos argentinos.

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12 Respostas

  1. geraldo vunge dos santos Says:

    Ola eu vivo em angola e gostaria de obter mais informaçoes para mi poder estudadr na republica da namibia.
    cursar uma universidade,lecenciatura.pretendo saber do preço e custo de vida.

  2. Euires Says:

    Gostaria muito de receber imagens deste país, pois estou estudando ele a auguns dias é sonhando um dia em conhecelo.
    Desde já agradeço.
    Euires técnico em mineração cefet-go

  3. Manilson Tropa Says:

    olá pessoal, eu sou angolano, e eu queria informações de universidades namibianas, pois eu tenciono continuar os meus estudos ai. eu já estou a estudar cá em Angola (Eng. Informática) e portanto agradeceria se alguem podesse me ajudar. Obrigado pela atenção!

  4. Manilson Tropa Says:

    N.B: o meu email é o josetropa@hotmail.com / josetropa@msn.com e quem tiver alguma informação sobre universidades namibianas agradeceria se entrasse em contacto comigo, pois eu não estou a encontrar na NET.

  5. Manilson Tropa Says:

    será que ai(namibia) já não existe nenhuma universidade além da UNAM?

  6. Rageth Ornela Brawn Jorge Says:

    gostaria de saber kuanto e k eu pago para xtudar numa faculdade da namibia?

  7. Gimi Pascoal Paulo Says:

    gostaria de saber quanto e k eu pago pra xtudar numa faculdade da Namibia de economia e quanto tempo faz.r: pra 2012.

  8. dikaios Says:

    Tu aqui não tem mensalidade ou seja ,pagaras 10.080 rands por mês, isso dará por ai 1600usd. Não cobram, tu é que sabes se pagas no fim do ano ou no principio. o teu curso são 4 anos…

  9. Guilherme Charas Says:

    Bom dia gostaria de saber quanto pago para estudar numa faculdade da Namibia em regime de internado (alimentacao,dormida e curso de Informatica)

  10. Natalia Says:

    Eu penso em, dentro de alguns anos, me mudar para a Namíbia com uma amiga, e gostaria de saber quanto é , em média, o custo de vida, e também, como as mulheres são tratadas nesse território, e como é relação deste com outros países africanos, e como fica a transição de um país ao outro.
    Desde já agradeço pela sua atenção,
    Natalia.

  11. Ricardina Says:

    bom dia quero fazer o curso de arquitetura na Namibia e gostaria de saber quanto tempo faz, e quando é que terminam as escricoes para 2012

  12. david junior beirao da cunha Says:

    porque acho muito interessante

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