Acabou o segundo turno das eleições municipais e o eleitor pôde escolher entre apenas dois candidatos. Entre duas opções igualmente satisfatórias para responder uma pergunta, qual você escolhe? William de Ockham (1285-1349) respondeu esta usando o seu próprio princípio metodológico de economia da explicação: “aquilo que pode ser explicado por menos premissas é explicado em vão por mais”.
Claro que o resultado de uma eleição reflete muito mais que o racionalismo do princípio conhecido por Navalha de Ockham: “entre duas respostas igualmente plausíveis para uma pergunta, escolha a mais simples”. Talvez, se este princípio fosse firmemente aplicado pelos eleitores, o candidato vencedor seria aquele que passasse a impressão que iria se meter menos na vida do cidadão. Mas, como o eleitor também busca um “salvador da Pátria”, então a resposta das urnas acaba sendo oposta a da navalha de Ockham.
Mas Ockham não é considerado um dos pais do nominalismo, movimento que negaria a realidade aos “universais” (o uso de uma designação geral não implica a existência de uma coisa geral por ela nomeada) apenas por isto. Uma outra importante contribuição deste franciscano é de que Deus pode realizar qualquer coisa cuja execução não envolva uma contradição. Um ponto importante em 1330 e muito tempo depois disto também.
Ainda, com sua teoria do conhecimento empirista, refutou Tomás de Aquino que defendia que a essência de uma coisa existente é diferente, embora não separável, de sua existência. Para Ockham, se essência e existência fossem realidades distintas, então não seria contraditório uma existir sem a outra, mas como é contraditório uma essência sem existência, então não há verdadeira distinção entre as duas.
Para ter chego neste ponto, o jovem Ockham entrou em Oxford e, por volta de 1310 tornou-se o chamado “inceptor”, pessoa que cumpriu todas as formalidades para exercer o magistério em teologia.
Faltava apenas a licença para lecionar, isto é, doutorar-se, mas como sua força argumentativa e originalidade tornaram-se polêmicas, foi acusado de praticar o heresia em suas aulas. Assim, nunca obteve a licença, e foi considerado o “venerável inceptor”, aquele que conquistou (por sua originalidade) o doutorado, mas que não levou.
Antes de ser formalmente condenado por apoiar o superior geral da ordem franciscana, na questão da pobreza dos religiosos, contra o papa João XXII, fugiu para a proteção do imperador Luís da Baviera, que tinha lá suas rusgas com o papa. Era 1330 e ele acabou excomungado por desobediência.
Morreu provavelmente em 1349, dois anos depois de seu protetor da Baviera. Entre a excomunhão e a morte escreveu tratados contra os poderes e funções do papa, e da autoridade imperial, sempre com força argumentativa: “Nada deve ser pressuposto como evidente, a menos que seja conhecido per se ou evidente por experiência ou demonstrado pela autoridade da Escritura”.





