O grande intelectual Otto Maria Carpeaux, reforçou num artigo memorável (A idéia da Universidade e as idéias das classes médias [Download aqui]) que a vida espiritual das nações depende das universidades: a França medieval é a Sorbonne, a renascentista, o Collège de France, e a moderna, a École Normale Supérieure. Já a Inglaterra conservadora é Oxford e Cambridge. A Alemanha luterana foi Wittenberg e Iena e a moderna Bonn e Berlim. E por aí vai.
Agora os (meus) exemplos tupiniquins da nossa “vida espiritual”.
Recentemente, na Universidade de Brasília (UnB) descobre-se que o reitor comprou artigos de luxo para seu “apartamento funcional” com o intuito de receber e agradar aquelas “Very Important People” e assim estabelecer convênios “fundamentais” para a própria Universidade. Em assembléia, os professores da UnB se reúnem para discutir o caso e por 157 votos contra 24 (a UnB tem 1400 docentes), rejeita-se a proposta de afastamento do reitor e critica-se a “mídia golpista”.
Cá entre nós, gente: isto não é típico de Brasília? O que o reitor fez é considerado legal (vamos apurar abusos, etc….) e então a culpa é da imprensa. Não é o próprio espírito maligno e sinistro de Brasília?
Na Universidade de São Paulo (USP) ano passado, alunos invadiram a reitoria alegando que havia uma ameaça contra a autonomia universitária. A reitoria ao invés de chamar a polícia, inicia um “diálogo” (claro, claro, são muito democráticos….). Greves pontuais se iniciam pelo campus e depois de ameaças à professores que queriam continuar trabalhando, há finalmente o consenso que a greve é inócua e tola. A maioria das aulas volta ao normal, mas os invasores se mantêm na reitoria com uma lista de reivindicações completamente absurda. De repente, percebe-se que a Universidade passa muito bem com ou sem os invasores e, acreditem, sem a própria reitoria.
Não é típico “sumpaulo”? a) um movimento estudantil sem pé nem cabeça (“o avesso, do avesso, do avesso, do avesso”); b) uma reitoria que “acha feio o que não é espelho”; c) e a vida continua assim mesmo “da força da grana [da FAPESP] que ergue e destrói coisas belas”.
Em 2006, o reitor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) deixou o cargo para se candidatar à deputado federal. Como seus 50 mil votos não foram suficientes, ele tentou voltar à reitoria, mesmo numa situação completamente ilegal, já que nem concursado era. Com exceção de alguns professores e alunos, que literalmente passaram a dormir em protesto nas salas da reitoria, nenhuma autoridade política (nem o governador) se colocou explicitamente contra a atitude do político-reitor. No final, graças à teimosia destes alunos e professores, ele não voltou.
De novo, só entre a gente: isto tudo não é típico de um Estado que ainda guarda todos os ranços coronelistas, com pessoas ávidas para te dizer “você sabe com quem está falando?”.
Carpeaux em seu artigo, ainda afirmava “O fato central da nossa época é a violência generalizada a todos os setores da vida pública, a violência que pretende substituir o espírito no seu papel guiador das massas”. Profético, pois, incapazes de gerirem a “vida espiritual-intelectual” da nação, nossas universidades são guiadas por esta violência política, burocrática e “acadêmica de cartório”.
Pelo menos, ninguém pode acusá-las de não serem genuínas representantes regionais.
*************************************
Publicado originalmente na Revista Bula



novembro 3rd, 2009 at 14:07
ola a todos!! fica aqui o meu mail para me adicionarem no messenger….
gatinha_fofa223@hotmail.com
beijos e abraços!!!