Oecologia Brasiliensis

O volume 12 (3) da Oecologia Brasiliensis acaba de ser lançado.  Como todos os outros volumes este também tem um tema específico, trata-se de Monitoramento Biológico de Ecossistemas Aquáticos Continentais. Os editores convidados e responsáveis por este volume foram Darcílio Fernandes Baptista, Daniel Forsin Buss e Renata Bley da S. de Oliveira. Confira aqui!

O volume conta com 14 artigos e dentre eles, um de minha autoria junto com o Luiz Mauricio Bini (UFG) e o Fernando Starling (CAESB). Nós analisamos a dinâmica de três variáveis no lago Paranoá em Brasília: a transparência, a clorofila-a e o fósforo total (supostamente o nutriente limitante da produção primária do lago). Para isto contamos com dados do biomonitoramento da CAESB que mede estas variáveis nos diversos braços do reservatório. Nossa análise cobriu de 1976 a 2001, o que é para os padrões brasileiros uma análise de longo prazo muito boa.

É notória a melhoria da qualidade de água do Lago Paranoá (na verdade um reservatório) nestes anos todos. As Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) começaram a funcionar em 1995 reduzindo substancialmente a quantia de fósforo que entrava no sistema, via esgoto doméstico. Apesar disso, a clorofila-a (uma medida da quantidade de algas) continuava alta, provavelmente porque quando um fitoplâncton morria ele eliminava fósforo que era imediatamente absorvido por outra alga, e este mecanismo de retro-alimentação perpetuava a grande quantidade de algas que mantinha a transparência baixa. Este ciclo só acabou em 1999, quando eles abriram abruptamente as comportas do lago eliminando a camada superficial de água, juntamente com o fitoplâncton. Este evento é conhecido como flushing e desde então a clorofila-a é baixa e a transparência chega em alguns lugares a 6 metros.

Mesmo assim é imprescindível continuar o monitoramento das variáveis para entender a dinâmica do novo nível de produtividade primária, pois alguns braços do reservatório, como o do Riacho Fundo, ainda sofrem com a alta produtividade primária, incluindo macrófitas. Este problema espacial, foi abordado pelo recente Trabalho de Conclusão de Curso do Igor, mas depois falaremos disto. Ele ainda não entregou a versão final.

O volume 12(3) da Oecologia ainda traz outros artigos como sobre o monitoramento de micro-poluentes na Amazônia através do estudo dos botos, que por serem predadores de topo acumulam mercúrio em seus tecidos e um artigo sobre os melhores procedimentos estatísticos para dados monitoramento, pois apesar da enorme importância da coleta de dados em grandes escalas temporais, o pleno entendimento da dinâmica dos sistemas, ainda depende de uma análise criteriosa.

Literalmente, vida longa ao biomonitoramento dos nossos ecossistemas.

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2 Respostas

  1. Alexandre Says:

    Estive no site deles e está com diversos problemas na exibição de conteúdo. Não consegui abrir nada!
    O colega saberia informar de outras revistas interessantes que aceitam artigos de revisão voltada aos pesquisadores que atuam nos Neotrópicos?

  2. Alexandre Says:

    Obrigado pela ajuda. Achei a Oecologia Australis minutos depois de postar.
    De qualquer forma, minha outra pergunta permanece: há sugestões de outras revistas para submissão de artigos de revisão, cujo escopo seja semelhante ao da Oecologia Australis?

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