Revolução Genômica. Ai que canseira!

imagem via blog http://glaucenografia.blogspot.com/2007/12/revoluao-genomica.html

A exposição: Revolução Genômica, é uma badalada exibição de temas ligados à molécula de DNA, e já foi definido como “… o hardware molecular que dá suporte ao processo da vida”.

No primeiro salão da exposição, somos reportados à uma floresta tropical e toda a sua biodiversidade. Plantas foram dispostas formando um indisfarçável jardim de madame, com televisões multi-coloridas espalhadas por todos os lados. Alguns terrários de vidro exibiam espécimes verdadeiros de nossa fauna. Uma cobra, um sagüi, um tucano e até um homem, pra mostrar que compartilhamos, por ancestralidade, o DNA com eles. A idéia é boa, mas nada original. Meu amigo, Walter Barrela, enjaulou-se com a família no Zoológico de Sorocaba na década de 90. Somos mesmos uns animais.

enimagem via http://glaucenografia.blogspot.com/2007/12/revoluao-gomica.htmlDepois de um horrendo show de bichos empalhados, entramos numa “célula” com mitocôndrias e núcleo gigantes, um cenário mal copiado de uma das belezas bem feitas do Museu de História Natural de Londres. A co-evolução do nosso cérebro e capacidade de manusear objetos ainda não está tão complexa como a dos súditos da Rainha além mar.

Então caímos no salão principal, lotado de painéis modernosos contendo textos infindáveis e mais televisões com vídeos de movimentos celulares ou importantes pesquisadores falando do DNA. Decepcionado, pensei que se eu quisesse ler, compraria um livro. Se quisesse ver TV ficaria em casa.

A exceção fica pra original, bonita e enorme pilha de listas telefônicas que simbolizavam o genoma humano e a disposição e quantidade de suas quatro letras T, C, G e A (não vou explicar… procurem num livro de Biologia). Pena que em nenhum momento é mostrado que cada uma destas letras é uma molécula com átomos de carbono, etc… Vai ver os pesquisadores-educadores acharam que ia ser detalhe demais pra nosso público leigo e avesso à pensar…

Este salão principal tinha suas paredes, teto e chão forrados de preto, enquanto as “atrações” (na maior parte os painéis…) eram iluminadas individualmente. Ao fundo tocava-se uma música com o objetivo único de te ajudar a “transcender” o seu universo limitado e idiota, para aquele universo “mágico” do genoma. Hum….

O objetivo primeiro da educação científica é desmistificar a ciência, exatamente o oposto da atmosfera criada neste salão principal. Um erro básico, fruto da soberba destas gentes dedicadíssimas à ciência… (É irônico, que numa outra exposição no mesmo Parque do Ibirapuera, os objetos, robôs e vestuário de “Guerra nas Estrelas” fossem apresentados de maneira muito mais realística).

Então num brinquedinho, você “mexia” na molécula de DNA e um vídeo (claro, sempre ele) confirmava se você havia causado uma mutação, que segundo eles, é “a base da evolução”. Xiii, um ponto à menos, pois tudo bem, mutação gera novidade genética, mas não é a única fonte de variabilidade genética… Lembra do “crossing-over”? Ele produz mais variações válidas à maioria dos organismos do que as mutações (naquele livro de biologia que você tinha de ter consultado no parágrafo anterior, explica isto também…).

É quase inacreditável, que com importantes e ricos patrocinadores apoiando a iniciativa, não havia nenhum potente microscópio para você enxergar algo real. Claro que não íamos ver a molécula de DNA, mas com um microscópio eletrônico ou mesmo mais simples, você vê dentro das células de bactérias, algas, do fígado, etc…

Ah, sim! Tem mais. Da mesma forma que o genoma esconde o “segredo da vida”, também era proibido fotografar a exposição. Vai ver eles têm medo de bio-pirataria, de painel-pirataria, de TV-pirataria, etc…

Por que será que exposições e museus no Brasil são chatos? Está nos genes ou é o ambiente?

Confira dois vídeos sobre a mostra:

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