Versões Convenientes

The 2008 International Conference on Climate Change

No começo deste mês de março em “Noviorque” (by Paulo Francis) ocorreu a Conferência Internacional do Clima de 2008 (confira aqui), que aprovou a Declaração de Manhattan. O leitor que acompanha assuntos sobre o aquecimento global, mas não é um voraz internauta, deve estar se perguntando como esta notícia lhe passou despercebido, já que a mídia em geral quase não deu nenhum destaque para esta reunião com cerca de 500 autoridades (13 países) e 29 instituições, incluindo as mais famosas (Harvard, Pauster de Paris, etc…).

Bom, é que a Declaração de Manhattan diz que além de não haver consenso entre os especialistas sobre o aquecimento global, afirma que “não há nenhuma prova convincente de que as emissões de CO2 das atividades industriais, passadas e presentes, sejam a causa das variações climáticas catastróficas”.

Ainda, a Declaração aponta que os novos regulamentos que restringirão as emissões de CO2 retardarão também o desenvolvimento das nações, sem impacto significativo nas variações climáticas, mas com reduções consideráveis na prosperidade futura e na capacidade das cidades de se adaptarem as mudanças, aumentando, e não diminuindo, a vida humana na Terra.

Icebergs vão e voltam…Outra notícia recente, mas também pouco divulgada, é que os últimos dados do NOAA (Serviço Americano de Informação Ambiental) mostram que o gelo que havia derretido entre janeiro e outubro de 2007, no pólo norte já está de volta e na Antártica a camada de gelo está 1/3 acima dos níveis considerados normais. Al Gore aproveitou imagens deste ciclo natural de derretimento/congelamento para ganhar o Oscar de melhor documentário em 2007.

Aliás, Al Gore e os cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) receberam o Nobel da Paz em 2007, pois a Academia Sueca repetiu o que fez em 1985, quando a médica Helen Caldicott e a instituição “Médicos pela Prevenção da Guerra Nuclear” foram laureadas com o mesmo prêmio, pelo grande ativismo no movimento anti-nuclear mundial. E desde então, a humanidade estagnou sua produção elétrica por usinas nucleares em 6%, pois tem pavor deste tipo de geração de energia.

PSIO fato é que todo este medo não se justifica. Relatório de 2001 do Instituto Paul Scherrer na Suíça, compara o número de mortos de cada uma das principais fontes geradoras de energia elétrica, padronizados por terawatts/ano (1 terawatt é 1 bilhão de watts): o carvão matou 6.400 pessoas, o gás natural 1.200, a hidroeletricidade, 4.000 e a “terrível” energia nuclear, 31 (incluindo Chernobil)!

Vinte e sete anos após o prêmio de Dra. Helen e seus médiDra Helen Caldcottcos, alguns importantes ambientalistas encaram a energia nuclear como a única solução rápida, para diminuição dos atuais níveis de emissão de gás carbônico. Porém, quem é que vai encarar ter uma usina nuclear no perto de casa, depois de todo medo que nos embotaram? Muita gente ainda acha conveniente que mantenhamos este temor.

Como as outras alternativas energéticas (biocombustíveis, solar, eólica) não substituirão, no curto prazo, o carvão e o petróleo que emitem muito CO2, a Declaração de Manhattan realisticamente diz que será necessário diminuir a prosperidade futura, o consumo, o bem estar, etc… e então, dentro de 27 anos (2034) o medo do CO2 já estará tão entremeado em nossas mentes, que não importa se ele será ou não o verdadeiro culpado, pois é conveniente, que as versões sejam sempre mais importantes que os fatos.

 

Publicado originalmente na Revista Bula

 

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2 Respostas

  1. Carlos Hotta Says:

    A Manhattan Declaration é aquela feita pelo instituto que também diz que os efeitos negativos do cigarro são exagerados? Ah tá…

    O Heartland Institute é financiado pela GM, Exxon e Phillip Morris. http://www.independent.co.uk/environment/climate-change/tobacco-and-oil-pay-for-climate-conference-790474.html

    Eu até entendo e respeito que nós não estejamos do mesmo lado nesta questão do clima (tb concordo q há pessoas lucrando indevidamente nesta questão) mas espero que vcs escolham pessoas melhores para se alinhar no futuro.

  2. Ronaldo Angelini Says:

    Oi Carlos Hotta. Eu até gostaria de “estar ao lado” da GM e da Exxon, (meu salário não é lá estas coisas) mas não estou. Apenas me dou o direito à dúvida sobre aqueles que “estão ao lado” do “cândido” Al Gore….Você acredita mesmo em modelos matemáticos que garantem que daqui a 50 ou 100 anos o clima será assim, como direi, mais assado do que é hoje? E que por causa destes equações matemáticas programadas num computador nós, então, temos que “repensar todo o desenvolvimento do mundo” já que continuamos a ser feios, sujos e malvados?. Não, eu não durmo tranquilo em saber que um dos pilares da ciência, que é a dúvida pura e simples de uma hipótese (no caso, que o aquecimento global é provocado por nossas emissões de carbono), pode ser tão achincalhado, menosprezado, ridicularizado, não por um fato, mas por uma previsão feita por um modelo matemático. Eu, hem? Como se diz aqui em Goiás “Me coloque fora desta”.

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