XII Congresso de Limnologia em Gramado: e o “Quiquito” vai para…

Com uma programação muito boa, o XII Congresso de Limnologia de Gramado (RS) ocorreu semana passada. Participei numa “oficina” sobre modelagem e tive o prazer de dividi-la com o Carlos Ruberto Fragoso Jr. que, junto com dois outros autores, lançou o livro “Modelagem Ecológica em Ecossistemas Aquáticos” (Ed. Oficina de Textos). Um livro muito bom, que qualquer hora resenharei aqui com cuidado.

Mas o ponto alto do Congresso foi a entrega da medalha Lejeune de Oliveira, ao Prof. Ângelo Agostinho do Nupelia que deu uma ótima palestra sobre estratégias para reduzir impactos de hidrelétricas, em especial, sobre as comunidades de peixes. Já falamos no Bafana sobre alguns trabalhos dele, como o de escadas para peixes migradores (clique aqui), que ainda causa polêmica, e a “enciclopédia” Ecologia de Reservatórios (aqui). Uma homenagem muito justa.

Na foto abaixo, o Ângelo está ao lado do presidente do Congresso, o incansável Adriano Mello que merece os parabéns pela organização do evento.

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Uma Resposta

  1. Benedito Domingues do Amaral Says:

    Ô Ronaldo, apesar de estar fora de pauta, vi essa reportagem sobre seu ídolo maior, kkkkk, acho que vai gosta das lembranças do Lanterna na Popa. Abs
    Benedito

    17/09/2009 – 11:00
    Roberto Campos, construtor de país

    No final do post sobre os 45 anos do IPEA coloquei uma provocação: um elogio a Roberto Campos. Provocação, mas elogio merecido: é um dos construtores da pátria.

    Há vários Roberto Campos. O homem público foi dos maiores. Nada tinha a ver com o ultraliberalismo no vazio que marca essa pequena multidão de seguidores iletrados que deixou, que se apegaram aos seus slogans achando que decifravam seu pensamento.

    Embora sempre partidário do modo norte-americano – com os empresários sendo também homens públicos – era de um pragmatismo exemplar, seguindo a extraordinária geração dos homens públicos do pós-guerra – dos liberais, como ele, Bulhões, Gudin, Moreira Salles, aos intervencionistas, como Rômulo de Almeida, Cleantho de Paiva Leite, Celso Furtado.

    Liberal até a medula, participou da criação do BNDES porque era uma instituição fundamental para financiar o desenvolvimento e não havia instituições privadas que pudessem cumprir esse papel.

    No governo Castello, percebeu o incapacidade do capital estrangeiro de continuar investindo no setor elétrico. E iniciou a nacionalização de companhias.

    O segundo Roberto Campos foi o empresário, o homem que montou – e depois quebrou – o Investbanco. Certa vez conversei com o Luiz Carlos Mendonça de Barros, que iniciou carreira lá. Me disse que Campos quebrou a cara por estar muito à frente do seu tempo. Era um banco efetivamente inovador.

    O terceiro Campos foi o propagandista, o ultraliberal que emerge a partir de seus artigos na Folha de São Paulo. Como propagandista, recorre a slogans, slogan e slogans. É o papel do propagandista.

    Seus seguidores levaram ao pé da letra, captaram o que de mais superficial ele tinha – porque, para o propagandista o slogan é mais eficiente que o pensamento profundo -, e acharam que tinham decifrado Campos. Nem se tocaram que, quando homem público, Campos era pragmático, não dogmático. Apostava no papel de instituições públicas para melhorar o ambiente econômico – participou da criação do IPEA, do BNDES, da Finep. Apostava no pensamento estratégico, apostava no papel essencial do planejamento.

    Meu primeiro contato com ele foi numa entrevista pinga-fogo da pesada.

    Quando Campos iniciou sua carreira de propagandista, no início dos anos 80, o Guilherme Afif Domingos, então presidente da Associação Comercial de São Paulo, me convidou para entrevistá-lo para um vídeo que seria distribuído para todas as Associações Comerciais do estado.

    Disse-lhe que discordava fundamentalmente do discurso de Campos. Ele sabia mas disse que, provocado, Campos reagia melhor.

    Me preparei da melhor maneira que pude. Consegui enrolá-lo com várias questões, inclusive em relação ao seu preconceito contra a Petrobras.

    Acho que fui tão bem que o vídeo jamais foi divulgado pelo Afif.

    Preciso me lembrar de ver com a ACSP se existe alguma cópia dele.

    Nos últimos anos de vida de Campos, tornei-me muito amigo dele. Frequentava sua casa, colhia depoimentos sobre o Brasil e… sobre Poços de Caldas. Ele foi seminarista em Guaxupé, cidade nas cercanias de Poços (perdão, vizinhos, mas não resisti).

    Quando lançou seu livro em São Paulo, me convidou para o café de lançamento, colocou-me na cadeira ao lado da sua. Conversamos, ele sempre irônico, sempre aparentemente frio. De vez em quando apertava meu joelho discretamente. Era a maneira que tinha para demonstrar afeto.
    Autor: luisnassif – Categoria(s): Sem categoria

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