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	<title>Comentários sobre: Yes, Oswaldo III &#8211; Complexo de vira-latas e o homem da carrocinha</title>
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	<link>http://bafanaciencia.blog.br/artigos/yes-oswaldo-iii-complexo-de-vira-latas-e-o-homem-da-carrocinha.</link>
	<description>Blog de Divulgação Científica com ênfase em Ecologia</description>
	<lastBuildDate>Thu, 17 May 2012 14:01:17 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Por: henrique cukierman</title>
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		<dc:creator>henrique cukierman</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2009 16:55:39 +0000</pubDate>
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		<description>Olá Ronaldo,

Primeiramente quero agradecer a (rara!) oportunidade do diálogo público a respeito do meu livro. Desde já, vai aqui o afeto que se encerra em meu peito já não tão juvenil. O livro é o resultado de sete anos de pesquisa intensa e dedicada, sem falar no enorme esforço posterior para publicá-lo (ou seja, também quero de cara protestar contra a “facilidade” com que você, face a justas críticas de editoração, atribuiu-me um “certo desleixo” na realização deste volumoso empreendimento), o que faz com que tamanha oportunidade seja para mim uma benção, uma certeza de que valeu a pena o esforço.  Muito obrigado mesmo!

Também gostaria de parabenizá-lo pelo esforço de “trocar o livro em miúdos”, de buscar trazê-lo para um público maior, de resumi-lo e simplificá-lo para facilitar a divulgação de suas proposições. Neste sentido, não sei se sou a pessoa mais indicada para discutir o seu texto, pois, como autor, imaginei um leitor interessado na discussão acadêmica (não no sentido pejorativo, diga-se de passagem) e, portanto, por reduzir sua força e seu sentido, causa-me uma certa estranheza a simplificação das minhas proposições. Vou apontar aqui dois exemplos desse “estranhamento” (estou me referindo aos 3 posts do blog sobre o livro), reiterando que deve ser relevada a minha condição (des)privilegiada de autor:

1) não propus que “se fazia necessário construir um local para produzir soro, vacina e diagnósticos mais precisos”. Este sujeito indeterminado definitivamente não faz parte dos meus argumentos, pois foi exatamente o contrário que procurei mostrar, a saber,  o esforço dos nossos cientistas em tornar necessária uma tal construção, em convencer as autoridades governamentais, coisa nada fácil, que seria urgente construir um local assim. Ou, conforme procurei ressaltar à luz das proposições de Bruno Latour, as traduções mobilizadas para uma tal construção (lembre-se que, para dar conta da complexidade do que seja o esforço de tradução,  indiquei, entre outros, a ausência de evidências quanto à impossibilidade alegada por nossos cientistas de se importar o soro da Europa, a qual, no entanto, foi um argumento chave para convencer as autoridades) e as dificuldades de empreendê-la (ou seja, de tornar uma determinada tradução hegemônica e estável), pois bastou que a peste amainasse para que provisoriamente se abandonassem os planos de construir localmente um instituto soroterápico, só retomados posteriormente graças a uma “ajudinha” do micróbio da peste (como aliás você lembra muito bem), ou em termos dos “academicismos” que utilizo, graças a um aliança com um não humano. Parece um detalhe, mas para mim é fundamental explicitar que a ciência não é neutra. A indeterminação do sujeito que você utilizou é a forma mais subreptícia de reintroduzir essa neutralidade, ou seja, como se a necessidade de construir um instituto soroterápico viesse de “lugar nenhum”, como se prescindisse de qualquer tradução, como se estivesse fora do tempo e do espaço.

2) Também não propus que “sua desenvoltura [de Oswaldo Cruz] nos meandros enfadonhos e pouco éticos da administração ‘lá-fora´ permitiu o trabalho de outros (e dele mesmo) nas bancadas do laboratório, pois ele era o grande representante do pessoal do ‘aqui-dentro’”. Eu não aposto um centavo sequer nessa separação em nenhum momento do livro, ou seja, a divisão entre um ‘lado de dentro’ e um ‘lado de fora’ do laboratório é evidenciada por mim como uma proposta dos próprios cientistas para  separar a ciência da sociedade de forma a reafirmar a pretensa neutralidade da ciência. Cito em meu auxílio trecho das pp. 104-105 do livro: “(...) linhas divisórias nem são fixas nem intransponíveis, e muito menos pertencem à ‘ordem das coisas’. Em verdade, vão sendo construídas e administradas para levar a rede o mais longe possível de modo que, sendo permanentemente redesenhadas, constituem o movimento que, em última instância, constrói a Natureza, a Sociedade e a separação entre ambas. O que significa, mais exatamente, este aparente ir e vir ao longo de limites, ora transpassados, ora respeitados? Além de esclarecer este suposto ziguezague, a formulação latouriana para Pasteur – “Por um lado, jogava sua rede tão longe quanto pudesse; por outro lado, negava que tivesse aliados e simulava (...) que tudo aquilo que fazia procedia da ‘Ciência’”[Latour, A Pasteurização da França, p. 71] – vale perfeitamente para Oswaldo que, como se fora uma encenação, representava a solidão daqueles seres entregues aos sacrifícios de uma causa nobre, a causa da ciência, ao mesmo tempo que se cercava de mais e mais aliados.

Enfim, poderia apontar mais alguns exemplos, mas resultaria um post muito longo e enfadonho. Prefiro parar por aqui (quem sabe já não é o suficiente para novos debates?), não sem antes fazer um pequeno e justo reparo: a FAPERJ não teve nenhuma participação na edição propriamente dita do livro, pois de fato não é uma editora mas sim o fundo de amparo  à pesquisa do Rio de Janeiro, cujo valioso apoio, através de seu programa de editoração, foi o que tornou possível a publicação do meu livro. 

Mais uma vez, meu muito obrigado!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Ronaldo,</p>
<p>Primeiramente quero agradecer a (rara!) oportunidade do diálogo público a respeito do meu livro. Desde já, vai aqui o afeto que se encerra em meu peito já não tão juvenil. O livro é o resultado de sete anos de pesquisa intensa e dedicada, sem falar no enorme esforço posterior para publicá-lo (ou seja, também quero de cara protestar contra a “facilidade” com que você, face a justas críticas de editoração, atribuiu-me um “certo desleixo” na realização deste volumoso empreendimento), o que faz com que tamanha oportunidade seja para mim uma benção, uma certeza de que valeu a pena o esforço.  Muito obrigado mesmo!</p>
<p>Também gostaria de parabenizá-lo pelo esforço de “trocar o livro em miúdos”, de buscar trazê-lo para um público maior, de resumi-lo e simplificá-lo para facilitar a divulgação de suas proposições. Neste sentido, não sei se sou a pessoa mais indicada para discutir o seu texto, pois, como autor, imaginei um leitor interessado na discussão acadêmica (não no sentido pejorativo, diga-se de passagem) e, portanto, por reduzir sua força e seu sentido, causa-me uma certa estranheza a simplificação das minhas proposições. Vou apontar aqui dois exemplos desse “estranhamento” (estou me referindo aos 3 posts do blog sobre o livro), reiterando que deve ser relevada a minha condição (des)privilegiada de autor:</p>
<p>1) não propus que “se fazia necessário construir um local para produzir soro, vacina e diagnósticos mais precisos”. Este sujeito indeterminado definitivamente não faz parte dos meus argumentos, pois foi exatamente o contrário que procurei mostrar, a saber,  o esforço dos nossos cientistas em tornar necessária uma tal construção, em convencer as autoridades governamentais, coisa nada fácil, que seria urgente construir um local assim. Ou, conforme procurei ressaltar à luz das proposições de Bruno Latour, as traduções mobilizadas para uma tal construção (lembre-se que, para dar conta da complexidade do que seja o esforço de tradução,  indiquei, entre outros, a ausência de evidências quanto à impossibilidade alegada por nossos cientistas de se importar o soro da Europa, a qual, no entanto, foi um argumento chave para convencer as autoridades) e as dificuldades de empreendê-la (ou seja, de tornar uma determinada tradução hegemônica e estável), pois bastou que a peste amainasse para que provisoriamente se abandonassem os planos de construir localmente um instituto soroterápico, só retomados posteriormente graças a uma “ajudinha” do micróbio da peste (como aliás você lembra muito bem), ou em termos dos “academicismos” que utilizo, graças a um aliança com um não humano. Parece um detalhe, mas para mim é fundamental explicitar que a ciência não é neutra. A indeterminação do sujeito que você utilizou é a forma mais subreptícia de reintroduzir essa neutralidade, ou seja, como se a necessidade de construir um instituto soroterápico viesse de “lugar nenhum”, como se prescindisse de qualquer tradução, como se estivesse fora do tempo e do espaço.</p>
<p>2) Também não propus que “sua desenvoltura [de Oswaldo Cruz] nos meandros enfadonhos e pouco éticos da administração ‘lá-fora´ permitiu o trabalho de outros (e dele mesmo) nas bancadas do laboratório, pois ele era o grande representante do pessoal do ‘aqui-dentro’”. Eu não aposto um centavo sequer nessa separação em nenhum momento do livro, ou seja, a divisão entre um ‘lado de dentro’ e um ‘lado de fora’ do laboratório é evidenciada por mim como uma proposta dos próprios cientistas para  separar a ciência da sociedade de forma a reafirmar a pretensa neutralidade da ciência. Cito em meu auxílio trecho das pp. 104-105 do livro: “(&#8230;) linhas divisórias nem são fixas nem intransponíveis, e muito menos pertencem à ‘ordem das coisas’. Em verdade, vão sendo construídas e administradas para levar a rede o mais longe possível de modo que, sendo permanentemente redesenhadas, constituem o movimento que, em última instância, constrói a Natureza, a Sociedade e a separação entre ambas. O que significa, mais exatamente, este aparente ir e vir ao longo de limites, ora transpassados, ora respeitados? Além de esclarecer este suposto ziguezague, a formulação latouriana para Pasteur – “Por um lado, jogava sua rede tão longe quanto pudesse; por outro lado, negava que tivesse aliados e simulava (&#8230;) que tudo aquilo que fazia procedia da ‘Ciência’”[Latour, A Pasteurização da França, p. 71] – vale perfeitamente para Oswaldo que, como se fora uma encenação, representava a solidão daqueles seres entregues aos sacrifícios de uma causa nobre, a causa da ciência, ao mesmo tempo que se cercava de mais e mais aliados.</p>
<p>Enfim, poderia apontar mais alguns exemplos, mas resultaria um post muito longo e enfadonho. Prefiro parar por aqui (quem sabe já não é o suficiente para novos debates?), não sem antes fazer um pequeno e justo reparo: a FAPERJ não teve nenhuma participação na edição propriamente dita do livro, pois de fato não é uma editora mas sim o fundo de amparo  à pesquisa do Rio de Janeiro, cujo valioso apoio, através de seu programa de editoração, foi o que tornou possível a publicação do meu livro. </p>
<p>Mais uma vez, meu muito obrigado!</p>
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		<title>Por: Ememrson Kran</title>
		<link>http://bafanaciencia.blog.br/artigos/yes-oswaldo-iii-complexo-de-vira-latas-e-o-homem-da-carrocinha./comment-page-1#comment-2467</link>
		<dc:creator>Ememrson Kran</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2009 02:48:58 +0000</pubDate>
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		<description>Sergio Buarque e Nelson Rodrigues...lembrou bem. Mas quem foi que pediu pra prestar atenção em nossas músicas infantis? São deprimentes muitas delas! difícil fazer ciência na terra brasilis não é Ronaldo. To agora me lembrando de um cientista brasileiro muito importante para minha profissão, que também suou muito a camisa: Landel de Moura. Professor Ronaldo, bote um dia um pedacinho da história dele aqui na Bafana pra nós, bota? Inté....</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Sergio Buarque e Nelson Rodrigues&#8230;lembrou bem. Mas quem foi que pediu pra prestar atenção em nossas músicas infantis? São deprimentes muitas delas! difícil fazer ciência na terra brasilis não é Ronaldo. To agora me lembrando de um cientista brasileiro muito importante para minha profissão, que também suou muito a camisa: Landel de Moura. Professor Ronaldo, bote um dia um pedacinho da história dele aqui na Bafana pra nós, bota? Inté&#8230;.</p>
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