abr 4

More Than Just a Game (movie)

Um dos chavões sobre a esquerda brasileira é que ela não era unida nem na prisão. Bem, parece que isto não é só um defeito de brasileiros. Na Robben Island, ilha símbolo do regime racista sul-africano conhecido como apartheid, os presos políticos de diversas facções também não se bicavam, nem na hora do futebol. Futebol na Robben Island? Por acaso presos políticos negros de cabelos pixaim podiam jogar bola, sem serem incomodados pelos guardas “brancos de olhos azuis”?

E não é que podia? Claro que não foi fácil, os presos tiveram que reclamar muito para conseguir este direito e contaram com a ajuda fundamental da Cruz Vermelha Internacional. Esta história é contada por Chuck Korr e Marvin Close em More Than Just a Game: Football V Apartheid (editora Collins, 2008), que traduzo livremente para: “Mais Que Apenas um Jogo: Futebol X Apartheid” e pode vir a ser um best-seller em 2010, quando a Copa do Mundo será jogada naquele país que foi banido do futebol pela FIFA em 1964, e assim permaneceu por quase 30 anos, quando a democracia finalmente nasceu na África do Sul (uma prévia do livro aqui). More »

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jan 21

Oi gente!


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Como alguns de vocês sabem minha esposa, a professora Adriana Rosa Carvalho tem um projeto aprovado no edital Pró-África do CNPq e por isto estamos aqui na maravilhosa Cape Town para que o projeto com os pescadores do estuário do Rio Olifants possa seguir em frente. Se quiser ler mais sobre o projeto clique aqui.

Eu estou aqui muito mais como marido, motorista e carregador de mala. Rapaz é a vida que eu pedi pra Deus… Bom, mas dêem uma olhada nas fotos. A construção do estádio de Cape Town para a Copa do Mundo vai a todo vapor. Inclusive conversamos com nosso agente de viagens daqui e ele nos desaconselhou a assistir a Copa! Sabe porque? Ele disse que os times sul-americanos irão sofrer bastante porque em Julho faz um frio de rachar na África do Sul, especialmente em Cape Town, onde será uma das semi-finais.

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jun 21

É um chavão, mas vá lá: normalmente quando se fala em África a maioria das pessoas vai logo pensando em hordas famélicas num ambiente árido e sem esperança. E então elas se perguntam se não têm culpa neste sofrimento, pois afinal, além da escravização de boa parte da sua força de trabalho, o ocidente colonizou seus países explorando suas veias abertas, para enriquecimento das nações além mar. Mas será que foi, ou continua, desta forma?

Robert Guest, editor de assuntos africanos para a The Economist em seu livro The Shackled Continent – Africa’s past, present and future (Ed. Macmilian, 280p., 2003, 11 libras e ainda não traduzido para o português, mas que poderia ter como título: “O Continente Acorrentado – O passado, presente e futuro da África”), tenta reverter a pergunta do porquê a África é tão pobre, para: por que a África é tão improdutiva? Por que mesmo representando aproximadamente 10% da população mundial este continente contribui com apenas 2% para o comércio mundial? Robert Guest morou em alguns países africanos durante três anos, e em 2004, após a publicação deste livro, ganhou o prêmio Bastiat de Jornalismo. Não sei se o prêmio é importante. Talvez seja. Mas o livro com certeza é. More »

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jun 6

Para a geração que chega agora nos 40, poucos filmes foram tão impressionantes na adolescência como Tubarão de Steven Spielberg. Longe dos monumentais efeitos computadorizados de hoje, o aclamado diretor conseguia manejar muito bem a câmera, colocando os espectadores, hora como vítima, outra como predador, fazendo-os, por assim dizer, sentirem-se como ambos. Tudo isto ao som daquela “musiquinha”: tundundun-dundun-tundun… mais aterrorizante talvez apenas, os gritos agudos no chuveiro de Hitchcock, em Psicose, conhecido e traduzido em Portugal como O Filho que era Mãe (parece piada, mas é pura verdade, perguntem pro Ruy Castro).

A cena de abertura do filme é clássica: a garota, num luau com os amigos transviados, vai nadar nua, no oceano tranqüilo. E então, tundundun… na poltrona da cidade do interior (longe do mar) já sabíamos o que ia ocorrer, mas nos aterrorizávamos mesmo assim. Depois vem a caçada ao grande bicho -“assassino”, que mostra toda a sua força, até ser explodido em zil pedaços. Politicamente incorreto? Então que tal lembrar do cultuado Moby Dick, romance de Hermam Melville, sob a direção de John Huston? No filme, Ahab, o capitão, exala ódio da baleia branca. A obsessão do perna-de-pau em matá-la é tamanha que, alude à luta de um homem para atingir sagazmente seus objetivos, enfrentando a natureza indomada. Numa palavra: clássico. É claro, o filme de Huston, que colocou lindos olhos de cavalo na baleia franca, enxota Tubarão para a “sessão da tarde”, pois é um clássico nascido de outro, combinação que nem sempre dá certo. More »

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abr 28

Sem tremer as bases o Prof. Dr. Marcelo Hermes-Lima volta com a décima edição do Talk Show científico Ciência Brasil. Dessa vez o entrevistado é o Prof. Alberto Veloso – Especialista em Sismologia.

Os terremotos são muito comuns no planeta terra. Segundo dados do serviço sismológico americano, por ano há 100 mil terremotos que são sentidos, ou seja, é 1 terremoto a cada 5 minutos. Nessa primeira parte do programa, o especialista em Sismologia e fundador do observatório sismológico da Universidade de Brasília (UNB), Alberto Veloso, traz aspectos científicos e históricos desses fenômenos e estudos dos pesquisadores. Os terremotos são uma submovimentação do chão, que às vezes pode ocorrer de forma violenta devida a uma passagem de um das sísmicas. De acordo com o especialista, a terra está submetida à esforços e tensões geológicas que atuam de forma lenta, mas durante muito tempo a rocha pode se deformar e com isso até quebrar, e é nessa quebra que acontece o terremoto. Historicamente, o primeiro registro de um terremoto foi há 4 mil anos a.C.

Agora confira ou baixe aqui pelo Bafana mais um episódio do Ciência Brasil.

Download aqui

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fev 14

Capa do Ralatório CCS

É preciso dizer uma verdade: o relatório do IPCC, Carbon Dioxide Capture and Storage (Captura e Estoque de Dióxido Carbono) de setembro de 2005 foi mal diagramado, as figuras são insuficientes e o texto não responde o que todo mundo quer saber. Pra quem não leu: ele não fala nem quanto o mar ou a temperatura vão subir.

A Figura 7 do Resumo (confira abaixo), que mostra os cenários de emissão de CO2 (2005-2095), com ou sem as medidas de mitigação é confusa e a legenda diz: “Este exemplo é baseado num simples cenário e, portanto, não cobre o intervalo inteiro de incertezas”. Afinal: posso ou não confiar na extrapolação? As outras figuras ficariam lindas em cartolinas de trabalhos de colégio. Além disso, eles poderiam ter feito a gentileza de colocar o seguinte gráfico: no eixo X, o tempo (1900-2100), no eixo Y1, a temperatura e no Y2, o CO2 (pra fazer este tipo de gráfico, vá pro Excel e escolha gráfico, depois, tipos personalizados, e linhas em dois eixos). É pedir demais, colocar o intervalo de confiança? More »

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dez 20

Esta semana o Jornal Opção publicou uma matéria sobre o intercâmbio universitário entre a Universidade Estadual de Goiás e a Universidade de Cape Town (África do Sul) realizado pela pesquisadora Adriana Rosa de Carvalho (minha professora, viu!!) no projeto Restabelecimento do sistema de monitoramento comunitário da pesca artesanal do Rio Olifants (África do Sul) para subsidiar a participação dos pescadores no processo de co-manejo da pesca do Harder (Liza richardsonii) financiado pelo CNpq. Veja na íntegra aqui.

A professora é um exemplo para alguns professores que passam mais tempo à reclamar e criticar a falta de recursos da universidade do que trabalhar.  Bons profissionais não se acomodam aos primeiros obstáculos, mas aprende à superá-los.

O recado também serve para os alunos, estudar é muito importante e é a única saída. Incentivar os professores, estudando tanto ou mais que ele (nem sempre faço isto…) e dedicar-se com afinco à profissão da sua vida é fundamental, pois ninguém atende aos apelos da caixinha de reclamações.

Além do prestígio acadêmico pelo trabalho, a professora Adriana nos trouxe belas fotos da África do Sul confira logo abaixo: More »

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dez 1

Alan Teger (pesca)

Esta semana, no Instituto Oceanográfico da USP, aconteceu o 1º Workshop Brasileiro sobre Modelagem de Ecossistemas aplicada à Pesca (Download das palestras aqui). No post Os Bagres da Amazônia falei que esta é minha área de pesquisa principal. Realmente uma pena não ter participado para aprender mais sobre temas correlatos, além é claro de conhecer os pesquisadores (também tenho saudades de São Paulo…).

Modelagem ecológica pode parecer mais umas daquelas ocupações de cientistas em suas torres de marfim, mas decididamente não é (Aliás, se fosse não teria problema nenhum, mas este assunto fica pra outra hora). Na verdade é uma forma simples, porém abrangente pra se predizer alguns processos ecológicos e nossa pressão sobre eles. More »

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nov 29
Laduma
icon1 Ronaldo Angelini | icon2 Artigos, Crítica, História, Publicações, Turismo, África | icon4 11 29th, 2007| icon35 Comentários »

Soccer

Laduma” é uma expressão Zulu que pode significar “ficar famoso”, “trovejar” ou mesmo “fazer barulho” e é usada pelos narradores de futebol da África do Sul depois do gol. Aliás, o campeonato nacional nunca é narrado em inglês, pois as TVs preferem uma das outras 10 línguas oficiais do país. O esquisito é que durante a transmissão, alguns repórteres falam em inglês, outros em africâner (a língua da identidade nacional) e o narrador numa terceira (Xhosa, Suthu, Zulu. Há muitos sul-africanos que também não entendem estas línguas).

Enquanto estava na África do Sul, assisti ao jogo Brasil x Portugal. A cada 10 minutos os locutores se revezavam, um em inglês o outro numa outra língua que não consegui identificar. Ainda bem que o futebol tem sua linguagem própria e deu pra entender direitinho: o Brasil continua mal, correndo atrás da bola.

Quando Carlos Alberto Parreira aportou na África do Sul em 2006, sua missão foi tentar ser um Laduma, ou mais modestamente, fazer com que os torcedores do Bafana Bafana, como é chamada a seleção local, voltassem aos estádios. Por enquanto, não deu certo.

O alvo de críticas freqüentes é seu alto salário, mas a missão de Parreira não é das mais fáceis. Em novembro de 2006, os Bafanas venceram Zâmbia por 1 a 0, num jogo onde sobraram caneladas e maus tratos à bola. Parreira e Jairo Leal assistiram a partida e como vestiam pela segunda vez ternos pretos num jogo do Bafana, foram apelidados de “MIB – Homens de Preto” numa alusão a comédia dos agentes do FBI que são os policiais dos extra-terrestres na Terra.

Ao problema da falta de qualidade dos jogadores locais (bem longe de Camarões, Zâmbia ou Angola) soma-se o fato de que o embargo esportivo à África do Sul terminou apenas em 1992. O país do apartheid ficou 30 anos sem experiência em competições internacionais. Isto é, a nova geração não tem referencial de vitórias ou mesmo derrotas. More »

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nov 25

 

Alagados

Desde 1989, trinta e quatro áreas ao redor do mundo têm merecido atenção toda especial dos conservacionistas; foram identificadas como “hotspots” pois possuem ao menos 1500 espécies de plantas endêmicas e já perderam mais que 70% de sua cobertura original. Duas destas áreas estão no Brasil, o cerrado e a mata atlântica, e três na África do Sul, a saber: região das Suculentas do Karoo (litoral do Oceano Atlântico na divisa com Namíbia), Província Florística do Cabo (6200 espécies endêmicas, vai do Cabo da Boa Esperança até o Oceano Índico) e a região de Maputaland-Pondoland-Albany (Oceano Índico na divisa com Moçambique). Mapa aqui

Este ano a Nature publicou uma carta (“letter”) enviada pelo grupo de pesquisa do Jardim Botânico de Kirstenbosch que descreve um estudo sobre a Província Florística do Cabo, considerada uma “ilha ecológica continental” (todas as referências ao final do texto). O manuscrito ressoa o conceito de “hotspot” (sem esta de traduzir como “ponto-quente”…), fundamentado no artigo de Myers de 2000 (25 hotspots na época) da mesma Nature. Todos estão preocupados em maximizar a aplicação de recursos para fins de conservação identificando as áreas que mereceriam prioridade. More »

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nov 20

Be Happy Elefante

“Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais…” era assim que começava uma musiqueta que cantávamos, quando crianças, para atormentar os adultos. Depois veio o Jotalhão, o elefante do Maurício de Souza que acabou virando extrato de tomate, com o lema “o mais amado do Brasil”, ou algo similar.

Na África do Sul, e na África de modo geral, os elefantes ainda incomodam muita gente, mas atraem turistas, exigindo cuidados especiais da direção dos Parques Nacionais e dos gerentes das reservas particulares (chamadas de “game farms”). Estas propriedades são um atrativo negócio em que o fazendeiro ao invés de criar animais para abate, os cria para serem vistos por turistas em preservadas paisagens naturais.

O problema com o “way of life” elefantino é que ele é um glutão. Diferente das girafas que ficam com as folhas e espinhos, os indivíduos da espécie Loxodonta africana, preferem a árvore ou o arbusto inteiros na época seca, pois na chuvosa o consumo é exclusivamente de gramíneas. Apesar disso, eles consomem por volta de 165 espécies de plantas, o que o transforma no melhor dispersor de sementes do continente.

elephant Sun Enquanto estava em Cape Town, num programa no canal 3 (em tempo, há apenas 5 canais de TV aberta na África do Sul) houve um debate sobre o impacto dos elefantes na vegetação ciliar de alguns rios ao leste do país. A provisão de água, para eles mesmos e também para outros animais, estaria seriamente ameaçada, já que a derrubada da mata de galeria acarreta o carreamento do solo e conseqüente assoreamento do rio. Não há consenso, sobre o que fazer, entre os especialistas. Uns pedem pra deixar como está, pois alguns morrerão e o ciclo da vida continuará; outros acham que os elefantes devem ser “conduzidos” para outras áreas ou mesmo mortos, já que temem os impactos da população acima da capacidade suporte das áreas, o que acarretaria prejuízos para todas as espécies animais. More »

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nov 9

Várzea Amazônica

et al. é a abreviação da expressão latina et alicui que significa “e colaboradores”. Explico: na maioria das revistas científicas a citação de um trabalho com mais de dois autores é feita usando-se o sobrenome do primeiro autor acompanhado de et al. (por exemplo, Silva et al. 2007, só pra escrever um dos sobrenomes mais populares do Brasil).

Uma vez ouvi não sei onde a expressão “et eu”. Morri de rir. É usada pejorativamente contra o manjado tipo de professor-pesquisador que não cansa de dizer “Eu isso, Eu aquilo, Eu aquele outro, Eu, Eu, Eu….”. Também é usado para cientistas que só enxergam o próprio umbigo na hora de escrever: você lê o paper e o cara se cita toda hora. Bem, nem sempre é tão pecado assim. Pode ser que ele seja um dos poucos a tratar daquele assunto usando uma abordagem recente ou diferente. (Hum….).

Certa vez li em uma revista científica famosa um trabalho de 30 páginas de um pesquisador estrangeiro que admiro. Havia 15 citações e 14 se referiam a trabalhos do próprio autor (desculpe, seria grosseiro dizer o nome). Do que já li por aí, é o campeão do “et eu”. Neste espaço vou me dar o direito de auto-citação. Divulgarei aqui algumas publicações de minha própria lavra.

Está inaugurada a seção “et eu”. More »

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nov 6

O continente africano possui paisagens e flores magníficas, mas no quesito grandiosidade, alguns animais da África têm fama mundialmente inquestionável. As cinco espécies que recebem maior destaque são: rinoceronte, elefante, leão, búfalo e leopardo. O Rand, que é a moeda da África do Sul (7 Rands = 1 dólar), ostenta-os, respectivamente, em suas notas de R10, R20, R50, R100 e R200. Estranhou a lista? Cadê o hipopótamo, a chita, o gorila e a girafa? Na verdade, os chamados “big five” não são exatamente os “maiores”, mas sim os mais agressivos e perigosos ao homem.

MapinguariPor que a diversidade de grandes animais só é alta no continente africano? A resposta mais correta é o fator histórico-evolutivo, pois há 20 mil anos atrás, o continente americano também contava com mamíferos quase gigantescos: tatus, ursos, veados (com galhadas de mais 10 metros de largura) e o mais famoso deles, a preguiça gigante, que depois virou lenda na Amazônia com o nome de Mapinguari (tem até pesquisador atrás dela). Então, há cerca de 13 mil anos, o bicho-homem atravessou o estreito de Behring e caminhando (8 km/ano) até a Patagônia foi dizimando estas belas espécies.

O episódio é conhecido como overkill (supermatança) e ninguém tem dúvida que ocorreu, pois todas as outras hipóteses, em especial as climáticas, levantadas para explicar a rápida extinção, foram descartadas. Assim, apesar do tamanho enorme, estes bichos não tinham nenhum instinto evoluído para evitar o homem e representavam uma importante fonte de proteína para nossos ancestrais.

Isto é basicamente provado pelo fato de que, na África, as extinções nesta mesma época foram menores, pois como é o berço de nossa espécie, os animais já haviam sido selecionados para evitar aquele bípede cabeçudo que atuava em grupo. More »

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nov 4

Um rápido olhar no mapa da África e é possível identificar países que destoam pelo desenho de suas fronteiras. A Namíbia, ao sul do continente, é um deles, pois sua fronteira leste, com Botswana e África do Sul, é uma linha reta na vertical (veja o mapa abaixo).

Mapa da Namíbia

Pode-se achar estranho, mas quem só vê o mapa não viu nada ainda. Que tal saber que até 1990 a Namíbia era colônia da África do Sul? Isto contrariava até mesmo a Corte Internacional de Justiça que em 1971 já havia declarado que o controle sul-africano era ilegal. Em 1990, os altos custos da ocupação (50 mil soldados), as pressões internacionais de dentro e de fora do continente, e a bancarrota interna do governo do apartheid, fizeram com que a então chamada, África do Sudoeste (South-West Africa), voltasse a ser Namíbia.

Mas isto ainda não é tudo de curioso neste país: os apenas 2 milhões de habitantes falam 45 línguas (!). Ainda bem que a língua inglesa unifica a nação, já que a alfabetização atinge 85% da população e as aulas do idioma de Sua Majestade são diárias. Bom pra eles, pois os alunos e professores da única universidade (Universidade da Namíbia na capital Windhoek) podem aproveitar mais facilmente a literatura científica, toda em inglês, e ainda viajar aos grandes centros mundiais e aprender novas técnicas sem o obstáculo do idioma (como eu, por exemplo).

Porém, estranho mesmo na Namíbia é sua costa. Com uma extensão de 1570 km e largura variando de 80 a 150 km, é um imenso deserto que cobre 15% de todo país. Praticamente não cai uma gota de água da chuva o ano todo, mesmo sendo à beira do mar. Por quê? More »

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nov 3

WWF  - Planeta Vivo 2006

Quem tem paciência de acompanhar alguns dos meus artigos sabe que não simpatizo com “Relatórios Mundiais” que mostram como o Homem “destrói a natureza”. Recentemente a WWF lançou um destes, Planeta Vivo 2006, afirmando que nossas pegadas ecológicas indicam que estamos esgotando os recursos do planeta. O manuscrito foi escrito por cientistas do mais alto gabarito técnico, mas em nenhum momento a palavra fome foi mencionada, mesmo sendo um problema muito relacionado à questão ambiental, devido, por exemplo, à necessidade crescente de terras para cultivo.

Porém certas iniciativas locais da WWF têm sido muito realistas e proveitosas. Prova disto é o recente relatório publicado por ela e pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) sobre o Projeto Várzea: Desenvolvimento de sistemas de manejo comunitário para a várzea amazônica: lições que estamos aprendendo (download). O texto (33 páginas e ricamente ilustrado) descreve o trabalho de 12 anos com comunidades ribeirinhas no Baixo Amazonas (do Madeira ao Xingu) no co-manejo pesqueiro dos recursos da várzea.

Pra quem nunca ouviu falar, manejo pesqueiro é o corpo de técnicas destinadas a proteger os estoques de peixes, enquanto tenta viabilizar o maior rendimento possível aos pescadores e principalmente garantir a sustentabilidade da atividade no longo prazo. No caso Amazônico se simplesmente houver uma redução sobre os estoques, haverá a demanda por outras formas de sustento para o ribeirinho (agricultura, pecuária), o que pode afetar o ambiente e impactar indireta, mas fortemente, os peixes que dependem da floresta da várzea, para reprodução e alimentação na época da cheia. More »

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