out 30

Outro dia contei, mas vou repetir para você não ter que ficar “clicando aqui”…. et al. é a abreviação do latim et alicui que significa “e colaboradores”. Na hora de citar um trabalho de três ou mais autores, você cita o primeiro autor e et al.: Fulano et al.. Acontece que tem gente que se auto-referencia tanto, que virou um “et eu” (a pronúncia em inglês é “et ai”…ai!) Como blog é uma coisa individual vou me dar o direito de auto-citação. Este é o segundo da seção “et eu”.

Tempos atrás um físico disse que os “cientistas têm tanto interesse na história e filosofia da ciência, como pássaros têm em ornitologia”. Em geral, os pesquisadores seguem a teoria do forrageamento ótimo, aquela mesma, usada para explicar a competição entre aves. Assim, pássaros e cientistas estão todos muito ocupados correndo atrás de migalhas. Quem vai pensar em ornitologia ou história/filosofia?

Porém, de vez em quando pinta a dúvida shakesperiana e se você está amparado por uma eficiente, linda e silenciosa biblioteca como a da Universidade de Cape Town, é relativamente fácil descobrir grandes obras como o livro de T. D. Smith, “Scaling Fisheries: the science of measuring the effects of fishing, 1855-1955” (Medindo a Pesca: a ciência da mensuração dos efeitos da pesca. Cambridge University Press. 392p. 1994) ou o excelente “Modeling Nature: Episodes in the history of population ecology” da J. Kingsland (A Natureza da Modelagem: episódios na história da ecologia de populações - Ed. Chicago. 267p.1985).

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out 18

O Kruger National Park é considerado um dos principais refúgios de vida silvestre do planeta. Localiza-se ao Nordeste da África do Sul, fazendo divisas com Moçambique, Zimbábue e Botsuana. Com 19.700 km2 é maior que muitas cidades, estados e países. O Kruger é dividido em 21 “ecozonas”, que englobam desde áreas alagáveis, matas arbustivas até florestas e savanas.

Acredito que a maior parte dos nomes destas fitofisionomias nem tem tradução para o português. De qualquer forma, tenho de admitir o lugar-comum: parece muito com o cerrado sensu strictu, cerradão ou até com os “campos rupestres”. Não é ofensa, nem erro grave, chamar estas formações brasileiras de Brazilian savanna. Acreditem: é uma grande honra para o cerrado.

Leões

Elefante

 

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out 16

Para os cientistas do IPCC (Painel Inter-Governamental de Mudanças Climáticas) os países tropicais sofrerão mais com o aquecimento global do que os temperados, porque estão localizados nas latitudes com maior probabilidade de serem atingidas pelas piores previsões, isto é, por temperaturas mais altas e pela diminuição da disponibilidade de chuva.

É claro que a base destas simulações é, para dizer o mínimo, curiosa. Antes que você pense que sou mais um dos malucos jogando pedra no IPCC, veja esta: foram observadas variações significativas em 28.671 sistemas biológicos usados no relatório do IPCC para subsidiar os modelos que prevêem o futuro quente do mundo. Quase todos 28.115 (98%) são na Europa e apenas dois (isto mesmo, eu disse dois) na África. Mas para os cientistas, “não há dúvidas”, que são os países africanos que mais padecerão com as mudanças climáticas (Hum…..) ou como quer a maioria das manchetes: “Países pobres sofrerão mais com aquecimento global”.

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jul 25
Dez motivos pra…
icon1 Ronaldo Angelini | icon2 Bafana Divulga, Geral, Turismo, África | icon4 07 25th, 2007| icon32 Comentários »

Dez motivos pra morar em Cape Town e na África do Sul

1 – Não há buracos nas ruas da cidade e as calçadas são asfaltadas. Ótimas para patins, cadeiras de roda e idosos;

2 – A cidade é limpa. Além da varrição diária, as pessoas não jogam papel no chão;

3 – A África do Sul, não é só de grandes animais (leão, tubarão, elefante, baleia). É acima de tudo, paisagens maravilhosas: praias, montanhas, diferentes formações florestais e parques nacionais muito bem cuidados. O mesmo cabe para a Cidade do Cabo: Cape Town é linda: oceano, árvores, aquário, jardim botânico, Parques, Cabo da Boa Esperança, Table Montain, vinícolas, etc…;

4 – As pessoas são educadas e te respeitam mesmo que você não domine a língua; More »

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jul 14

Este é meu último post made in South Africa. Parte da bagagem já está devidamente empacotada e a outra ainda vai dar muito trabalho. Desde outubro do ano passado toda semana coloquei um artigo neste espaço (com exceção do fim/início de ano).

Nem sempre fui muito feliz nos temas, ainda tenho dificuldades com as vírgulas (dá pra notar, né?), mas acredito ter passado algumas informações que considero relevantes sobre ciência, animais, África, Brasil e assuntos correlatos (ou não tão correlatos assim).

Tive o prazer de receber alguns elogios através dos comentários e outros tantos e-mails na mesma linha. É também com muita satisfação que vejo reproduzido alguns destes textos na Revista Bula, cujo site está sendo reformulado devido ao grande número de acessos que o fez sair do ar. Meu último artigo lá publicado tinha recebido mais de quatro mil visitas em apenas uma semana (o que não é muito pros padrões da revista…). More »

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jul 7

Ao redor do Kruger National Park há inúmeras reservas particulares de vida selvagem (chamadas de Private Game Reserve). Estas áreas funcionam como um hotel-fazenda, mas ao invés de engordarem bois e cabras, se dedicam à criação de leões, rinocerontes, javalis, entre outros. Algumas são muito requintadas, possuindo até campos de golfe (de vez em quando alguns jogos são interrompidos para que as girafas atravessem o campo….). Carros próprios do hotel (com guias) se encarregam de te conduzir aos safáris fotográficos e você pode beber um delicioso champanhe, enquanto observa os hipopótamos no lago (um luxo! Te contei, não?).

Apesar da “frescura”, estas reservas empregam muita gente, incluindo profissionais como veterinários e biólogos. De vinte anos pra cá, elas estabeleceram um acordo com a direção do Kruger e parte delas aboliu a cerca que faz divisa com o Parque. Assim, os animais ganharam mais espaço e as reservas podem oferecer um melhor serviço, já que os safáris ficam mais surpreendentes. Além disso, a eliminação das fronteiras possibilita que os animais do Kruger e das reservas se cruzem, aumentando a variabilidade genética e evitando o intercruzamento (ou inbreeding). A natureza e o turismo agradecem. Vocês sabem: pra conservar animais enormes são necessárias grandes extensões de terra. Por exemplo, apenas um elefante consome por dia de 150 a 300 kg de vegetação. More »

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jun 26

A década de 80 foi ruim para a economia da África do Sul. A vigilância das leis do apartheid tinham alto custo, a inflação estava acima dos 10% (ano), muitos brancos eram pobres e começaram a deixar o país em busca de dias melhores na Europa e EUA. A população negra crescia numa taxa muito superior à branca e havia crescentes embargos externos à economia sul-africana por causa do regime político, incluindo boicotes esportivos. Protestos continuavam dentro (com Winnie Mandela, principalmente) e fora do país. E então, o governo fez a mesma pergunta que Mandela no início dos anos 60: quais as opções? Neste caso: dialogar.

Tom Lodge, autor de “Mandela a critical life” (Mandela uma vida crítica, Oxford University Press, 2006, 274p.) explica que quando ele foi transferido do presídio da Prisão de Robben Island para Pollsmoor nos arredores da Cidade do Cabo, em 1982, membros do governo já antecipavam a possibilidade de negociar com os líderes do ANC, o partido dos negros, então na ilegalidade.

Robben Island More »

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jun 17

O regime de segregação racial da África do Sul, que se iniciou na colonização, nos séculos XVI e XVII, se fortaleceu na primeira metade do século XX e finalmente se escancarou em 1948 com a eleição (só brancos votavam) do Partido Nacional.

O apartheid era fundamentado por quatro idéias principais: 1) A África do Sul é formada por quatro grupos raciais: brancos, mestiços (coloured), indianos e africanos, cada um com sua própria cultura; 2) os brancos, como a raça civilizada, tinham o direito ao controle absoluto do Estado; 3) o Estado não era obrigado a prover igual ajuda as raças subordinadas; 4) o grupo branco (africâner e as pessoas de origem inglesa) formava uma só nação, enquanto os outros eram muito divididos, por isto os brancos eram maioria.

Os muros do Apartheid More »

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jun 10

Em 18 de julho de 1918 Nelson Mandela nasceu em Mvezo, no Transkei um dos Estados da África do Sul banhado pelo Oceano Índico. A região era agro-pastoril e sobre a infância Mandela gostava de dizer: “sou do tempo que a criança era educada pelo método de sentar, aquietar-se e apenas ouvir as conversas dos mais velhos”. Hoje é a criança ou o jovem quem mandam e é preciso chamar a “Super-Nani” ou a tropa de choque.

O pai de Nelson Mandela, Henry Gadla, tinha quatro esposas e treze filhos. Ele era descendente de Thembu, chefe de um clã dos Xhosa (pronuncia-se Kôza), um dos muitos povos locais da África do Sul. A formação de Mandela, dentro dos valores de respeito às tradições e autoridades fez com que ele adquirisse os hábitos de nobreza, educação formal e, acima de tudo, de profundo entendimento da “alma” sul-africana. Sem sombra de dúvida, vem daí o famoso charme de Mandela, que consegue ser tão natural comendo um braai (churrasco) com a mão, num bairro pobre como o Gugulethu da Cidade do Cabo, quanto bebendo cherry com a rainha da Inglaterra no Palácio de Buckingham.

Jovem Mandela

 

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nov 19

Numa das mais clássicas definições sobre a ciência, o físico americano Richard Feyman (talvez o mais autêntico e bem humorado entre os cientistas de primeiro time) disse que ela “é um processo de aprendizado sobre a natureza em que, diferentes idéias sobre como o mundo trabalha são medidas contra a observação”. Sim, mas os sentidos e as aparências nos enganam. Só pra ficar no exemplo mais batido, dizer que a Terra é que gira em torno do Sol era, aparentemente, um contra-senso enorme. Foram observações mais acuradas que mostraram como “o céu funciona”.

Mas fazer a verdadeira ciência é lutar junto à fronteira do desconhecimento. Não é uma briga das mais fáceis, na verdade é uma guerra sem fim, que tem que ser travada por soldados-cientistas muito bem preparados e equipados (para gênios como Feyman, bastam lápis e papel…). Além do desconhecido, outro inimigo da ciência e talvez, mais forte, é a ignorância pura, simples e até desinteressada. Fatos já estabelecidos, teorias já comprovadas ou amplamente refutadas permanecem ignoradas pela maioria das pessoas.

Two Oceans Aquarium 4 - Floresta de kelps

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out 16

Paseeio Tubarão Branco I

Em Gassbaai (África do Sul), a duas horas da Cidade do Cabo, fomos passear “com” o tubarão branco. O barco de 12 metros (20 turistas, 100 dólares cada, 5 tripulantes) navegou por 40 minutos e parou no meio do nada. Os marujos começaram a jogar restos de peixe ao mar. É colocada na água uma gaiola, (três metros quadrados de área, dois de profundidade) para quem quiser ver o tubarão por debaixo da água (desculpe decepcioná-lo, mas com água a 14º C e a temperatura no barco a 12º C foi impossível para mim, uma criatura tropical, entrar nesta fria). Acompanhe na foto o momento que o tubarão chega pela primeira vez.

Passeio Tubarão Branco II

Quando o tubarão chega, ele pula na isca, que é então, puxada pelo capitão ou marujos, para que ele não a coma toda de uma vez. A isca é presa apenas com corda para não ferir ou espantar o animal. Realmente os saltos são impressionantes e os tubarões aprenderam a fazer isto para poderem caçar suas presas preferidas, as focas. Note como ele estava próximo a gaiola com os corajosos e congelados, turistas lá dentro.

Passeio Tubarão Branco III

Aqui o tubarão branco nada ao longo do barco com a isca na boca. Este não é o mesmo indivíduo que o anterior, aliás ao todo apareceram 3, mas eles não brigam entre si, pois todos sairíam perdendo e afinal brigar por carniça não deve valer a pena.

Passeio Tubarão Branco IV

Aqui de novo, com a isca. Parece até dócil….

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