abr 13

Nesta quarta-feira, dia 16 de abril, o “fantástico” divulgador da ciência, Marcelo Gleiser, ministrará a aula inaugural, através de vídeo conferência, do Curso de Mestrado em Ecologia e Evolução da UFG (EcoEvol).

O Prof. Gleiser trabalha no Departamento de Física e Astronomia, do Dartmouth College (EUA) e ficou famoso por sua coluna dominical na Folha de São Paulo e por um quadro no Fantástico da Rede Globo. Abaixo uma resenha do livro dele “A Harmonia do Mundo” (sobre Kepler).

Estaremos lá para conferir. O tema da aula será “Cartas a um jovem cientista”.

A aula será no Campus da UFG no Anfiteatro do ICB1 (15:00h)

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mar 11

ENTREVISTA COM MIGUEL ANGEL RODRÍGUEZ

por Dilermando Pereira Lima Júnior

Miguel A. Rodriguez

O que a Espanha tem? Além das touradas e do clássico “Barça e Real” a terra de Cervantes também produz Ecologia de primeira linha. O professor Miguel Angel Rodríguez Fernández do Departamento de Ecologia da Universidade de Alcala esteve recentemente no Brasil realizando uma série de trabalhos no Laboratório de Ecologia Teórica e Síntese – LETS da Universidade Federal de Goiás, onde gentilmente concedeu esta entrevista ao doutorando do NUPELIA (UEM- Maringá) Dilermando Pereira Lima Júnior.

De forma muito descontraída, porém profunda, Miguel Rodriguez contou sobre sua formação, suas principais linhas de pesquisa, apontou tendências na Ecologia no século 21, terminando a entrevista com dicas para jovens ecólogos. Confira: More »

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fev 28

Entrevista com Prof. Dr. Sidinei Magela Thomaz

Professor Doutor Sidinei Magela Thomaz, em seu pós-doutoramento nos Estados Unidos.

Editor associado do periódico científico “Hydrobiologia” (Bélgica) e com mais de 60 artigos científicos publicados (além de numerosos capítulos de livros e quatro livros organizados), o Prof. Dr. Sidinei Magela Thomaz tem se revelado como um dos ecólogos brasileiros com alta produtividade. No último congresso nacional de Limnologia (ciência dedicada a pesquisas ecológicas em corpos aquáticos continentais), o professor e Luiz Mauricio Bini (ecólogo, professor da Universidade Federal de Goiás e pesquisador do CNPq) o chamou de “Ronaldinho Gaúcho” da Limnologia Brasileira, tal é a beleza de seus últimos trabalhos com macrófitas aquáticas.

Em sua sala repleta de livros e artigos científicos, localizada no Nupélia (Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aqüicultura da Universidade Estadual de Maringá), Nei, como é chamado por todos, falou sobre a Limnologia à André A. Padial aluno de doutorado em Ecologia e Evolução da Universidade Federal de Goiás. More »

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fev 27

Simplificar é preciso!

Nos próximos posts este blog vai publicar artigos e entrevistas dos três mosqueteiros que enfrentaram minha disciplina de Divulgação Científica no curso de pós-graduação de Ecologia e Evolução da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Pois é, aquilo que começou com artigos esporádicos no Jornal Opção e depois foi para este blog, agora já é disciplina de pós-graduação. Modéstias à parte, e até por não ter um método definido, até que o curso foi bom, com aulas especiais de Relatividade pelo Prof. Paulo Souza e análise do filme “O Homem Urso” com auxílio do Prof. Ademir Luiz, um historiador-cinéfilo de primeira linha.

Desta forma, leitores do Bafana, apresento a seguir as primeiras linhas de divulgação do Dilermando, do André e do Jhonathan. Podem criticar à vontade. Eles e o Bafana precisam de seu feedback.

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fev 2

Semmelweis com alunos

 

A investigação de Semmelweis é de um rigor científico a toda prova. Carl G. Hempel, em seu livro Filosofia da Ciência Natural (Zahar Editores, 1974 — o original em inglês é de 1966), conta esta história como um exemplo do desenvolvimento científico, mas, sobre a morte das últimas 11 mulheres, parece crer que o exame foi realizado como uma experimentação pura, simples e deliberada, do tipo: “Vamos testar a hipótese que um organismo vivo também carrega partículas mortíferas”. Daquilo que este que vos escreve pôde, vá-lá, investigar, Semmelweis não precisaria fazer isto em mulheres, porque no departamento de patologia ele já realizava experimentos com coelhos, inclusive certificando-se do fato de que organismos vivos poderiam carregar a matéria mortífera.

Até aqui vimos o médico, o cientista e o detetive. Agora começa a saga do herói. Apesar de uma importante revista científica austríaca publicar em seu editorial no final de 1847 os resultados alcançados com as medidas profiláticas adotadas por Semmelweis, as autoridades e brilhantes nomes das ciências médicas da época (demasiado humanas…) se opuseram grandemente a suas descobertas. More »

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jan 29

Semmelweis na enfermaria

É comum em filmes policiais ou de suspense, que o protagonista saiba sozinho a causa da morte (ou conheça o homicida) das vítimas que a película vai acumulando (Jeniffer 8 com Andy Garcia é um exemplo). Tendo por vezes como única testemunha a platéia devoradora de pipocas, a personagem principal luta bravamente contra tudo (às vezes contra si próprio) e todos (principalmente seu chefe, sempre ocioso do cargo e invejoso do talento e coragem do subordinado) para mostrar que sua suspeita está correta. Com o desenrolar da trama e o acúmulo de evidências, o detetive desvenda o mistério e prende o bandido. Na maior parte dos filmes tem-se um final feliz, e então o aclamado herói parte para outra aventura em mundos distantes…

Vamos supor que cinema seja arte. E, então, posso repetir o surrado, mas verdadeiro bordão: a vida imita a arte e vice-versa. Outra suposição é que a vida do cientista é análoga a de um detetive, pois ambos acumulam informações que num primeiro olhar podem parecer incongruentes, mas que, depois de corretamente ordenadas, desvendam o mistério.

O húngaro Ignaz Philipp Semmelweis (1818-1865) é um dos grandes exemplos reais do detetive-cientista. Tendo partido para Viena em 1837 para ser estudante de Direito, encontrou seu verdadeiro talento quando, convidado por um amigo, foi assistir uma aula de anatomia. Graduou-se médico em 1844 com grande interesse em obstetrícia, e radicou-se na Maternidade do Hospital Geral de Viena. More »

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jan 26

Galileu Galilei (caricatura)

Por causa da obra de Galileu a humanidade começou a entrever um Deus, não de capricho e extravagância, como eram todos os deuses da antiguidade, mas um Deus que age por meio de leis” (Millikan, Science & Religion, 1929).

Em 1610 com “Mensagem das estrelas” Galileu ganhou fama e um desejado emprego em Florença para onde se mudou sob os auspícios de um membro da poderosa família Médici, depois de lecionar na já milenar Universidade de Pádua (fundada em 1222).

Mas a intelectualidade florentina não foi muito receptiva a suas idéias. Afinal, dá preguiça pensar, examinar e saber que tudo aquilo que você defendeu por muito tempo, não passa de uma grande farsa, que de tanto você ouvir e dizer acaba acreditando como verdade. E isto pode ainda ser visto hoje, bastando ao leitor, vasculhar os departamentos de humanidades de nossas universidades, com seus marxistas, socialistas democráticos (como se isto fosse possível) e tutti quanti… eles não desistem, como diria o próprio Galileu: “…se as estrelas baixassem a Terra pra dar o seu próprio testemunho, nem isso iria convencê-los (…)”. More »

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dez 14

Cartoon Galileu

Com a publicação de “A mensagem das estrelas” em 1610, cuja primeira edição teve 550 exemplares, Galileu foi nomeado matemático e filósofo do grão duque de Florença (Cosme II de Médicis), a quem, por coincidência, dedicara sua obra. Com essa nova colocação livrou-se da obrigação de subir os oito degraus do estrado que o alçava a um metro e meio do chão na Universidade de Pádua (conservado até hoje no Palácio del Bo) para lecionar. Mudou-se para Florença, foi dispensado das aulas (sonho de quase todo professor-pesquisador universitário), tornou-se um homem célebre na Europa, e claro, alarmou os filósofos da classe do pensamento dominante.

Ele já reclamava com um amigo: O senhor, não sabe, então, que mesmo se as estrelas descessem a Terra para dar seu testemunho, isso não iria convencer os obstinados, que só se importam com os vãos aplausos do que é vulgar, imbecil e estúpido?. É altamente assombroso o que Galileu fez, não contra a “Igreja” ou as instituições “perversas e selvagens”, mas sim contra um modo de pensar que não mais satisfazia seu espírito inquieto.

Para entender melhor o tamanho do seu trabalho, meditemos resumidamente à luz de quatro filósofos da ciência do século XX. More »

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nov 27

Galileu Cartoon

Uma das obras mais importantes, conhecidas e citadas de Galileu Galilei é “Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo” de 1632. Porém seu primeiro escrito é “Diálogo de Cecco di Ronchitti da Bruzene a propósito da nova estrela” de 1605, assinado pelo discípulo Girolamo Spinelli, mas muito provavelmente com a íntima orientação da pena galileana.

Tratava-se da discussão sobre o surgimento de uma estrela com luminosidade variável, o que segundo os filósofos era provocado por fenômenos meteorológicos não relevantes. Mas a medição astronômica que produz os chamados “malditos dados” mostrou que esta nova luz não se deslocava em relação às outras, e que, portanto deveria ser uma verdadeira estrela.

Universidade de PáduaOfendidos os filósofos não aceitaram a tese de Galileu. Aliás, Galileu Quem? Então com 40 anos, era apenas um “medidor” do céu na Universidade de Pádua; e que história era esta de se meter em questões de essência, exclusiva de filósofos desde Aristóteles? A astronomia era uma disciplina matemática (junto com a geometria, aritmética e a música) e dissertar sobre as essências das estruturas era reserva de mercado dos filósofos. More »

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nov 13

 

Estátua de Gauss

Numa aula em 1784 num dos muitos territórios que no futuro comporiam a atual Alemanha, um daqueles rígidos professores pediu aos alunos de 7 anos que somassem os inteiros de 1 a 100. Um moleque de nome Carl o fez tão rápido que assustou o mestre e seu assistente. Ele tinha multiplicado 50 pares que somavam 101. Assim 1+100; 2+99; 3+98; etc…e encontrado o resultado final (5050).

Telescópio de GaussAjudado pelo sistema educacional da época o jovem foi logo pra universidade, pois para ele não havia necessidade de completar as outras séries, como diria o ditado inglês “Só faz doutorado, quem precisa….”. Gauss conseguiu proezas notáveis como prever a localização exata de um planeta observado por outros astrônomos, através de uma técnica por ele criada e hoje conhecida como “método dos mínimos quadrados” e que tem mil e uma utilidades. Além disso, construiu um telescópio com “régua e compasso” que permitia melhores observações. Isto foi considerado o maior avanço neste campo da ciência, desde a matemática grega de 2200 anos atrás!!!

Mas Gauss passou mesmo para a posteridade com a descrição matemática da curva normal, ainda hoje denominada muitas vezes de curva gaussiana. A curva normal estimava a probabilidade de erros de observações astronômicas em estudos sobre a movimentação de corpos celestes. More »

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nov 1

Qualquer espécie de ser vivo, pode ser definida como um conjunto de animais que ao se reproduzirem deixam descendentes férteis. Uma maneira mais divertida e não de todo errada é dizer que “uma espécie é aquilo que um taxonomista competente diz que é”. Há ainda a espécie compreendida como um exemplar platônico (“ideal”) num vidro de laboratório ou numa exsicata no herbário. Todos os que forem iguais a este único indivíduo são da mesma espécie dele. Aquilo que não é tão igual é do mesmo gênero e assim por diante. Mexeu? Ou é bicho ou foi o vento.

Boas fotos e desenhos detalhados, além de uma “chave de identificação” com descrições de partes, e raspas e restos que interessam, auxiliam o taxonomista principiante a chegar em nível de espécie. Este modo de organização, que devemos à Linnaeus, é frequentemente repetido por escritores que também identificam textos ou parágrafos, como autênticos “Camões”, “Fernando Pessoa” ou “Cervantes”, espécimes raros, que deixaram mais saudosos admiradores do que descendentes férteis. No máximo, alguns filhos bastardos, que, como híbridos, não se reproduzem, ou de tão estéreis se reproduzem assexuadamente como escrevinhadores do rei de plantão nesta mundão de meu Deus…

Mas, como diria o colunista sem assunto, “não é isto que eu queria falar…”. Também não vou fazer como aquele personagem rodrigueano que se realmente pudesse falar o que pensava, durante o discurso na cova aberta do falecido, dissertaria antes sobre os enlevos da recém órfã…. Ainda hei de enquadrar estas páginas do “Almirante Nelson” e colocar na parede do meu escritório. De preferência, ao lado do “Passarinho” que Gerda Brentani pintou em 1970 (era disto que eu queria falar).

Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 2 More »

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jun 26

A década de 80 foi ruim para a economia da África do Sul. A vigilância das leis do apartheid tinham alto custo, a inflação estava acima dos 10% (ano), muitos brancos eram pobres e começaram a deixar o país em busca de dias melhores na Europa e EUA. A população negra crescia numa taxa muito superior à branca e havia crescentes embargos externos à economia sul-africana por causa do regime político, incluindo boicotes esportivos. Protestos continuavam dentro (com Winnie Mandela, principalmente) e fora do país. E então, o governo fez a mesma pergunta que Mandela no início dos anos 60: quais as opções? Neste caso: dialogar.

Tom Lodge, autor de “Mandela a critical life” (Mandela uma vida crítica, Oxford University Press, 2006, 274p.) explica que quando ele foi transferido do presídio da Prisão de Robben Island para Pollsmoor nos arredores da Cidade do Cabo, em 1982, membros do governo já antecipavam a possibilidade de negociar com os líderes do ANC, o partido dos negros, então na ilegalidade.

Robben Island More »

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jun 17

O regime de segregação racial da África do Sul, que se iniciou na colonização, nos séculos XVI e XVII, se fortaleceu na primeira metade do século XX e finalmente se escancarou em 1948 com a eleição (só brancos votavam) do Partido Nacional.

O apartheid era fundamentado por quatro idéias principais: 1) A África do Sul é formada por quatro grupos raciais: brancos, mestiços (coloured), indianos e africanos, cada um com sua própria cultura; 2) os brancos, como a raça civilizada, tinham o direito ao controle absoluto do Estado; 3) o Estado não era obrigado a prover igual ajuda as raças subordinadas; 4) o grupo branco (africâner e as pessoas de origem inglesa) formava uma só nação, enquanto os outros eram muito divididos, por isto os brancos eram maioria.

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jun 10

Em 18 de julho de 1918 Nelson Mandela nasceu em Mvezo, no Transkei um dos Estados da África do Sul banhado pelo Oceano Índico. A região era agro-pastoril e sobre a infância Mandela gostava de dizer: “sou do tempo que a criança era educada pelo método de sentar, aquietar-se e apenas ouvir as conversas dos mais velhos”. Hoje é a criança ou o jovem quem mandam e é preciso chamar a “Super-Nani” ou a tropa de choque.

O pai de Nelson Mandela, Henry Gadla, tinha quatro esposas e treze filhos. Ele era descendente de Thembu, chefe de um clã dos Xhosa (pronuncia-se Kôza), um dos muitos povos locais da África do Sul. A formação de Mandela, dentro dos valores de respeito às tradições e autoridades fez com que ele adquirisse os hábitos de nobreza, educação formal e, acima de tudo, de profundo entendimento da “alma” sul-africana. Sem sombra de dúvida, vem daí o famoso charme de Mandela, que consegue ser tão natural comendo um braai (churrasco) com a mão, num bairro pobre como o Gugulethu da Cidade do Cabo, quanto bebendo cherry com a rainha da Inglaterra no Palácio de Buckingham.

Jovem Mandela

 

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