jun 6

Para a geração que chega agora nos 40, poucos filmes foram tão impressionantes na adolescência como Tubarão de Steven Spielberg. Longe dos monumentais efeitos computadorizados de hoje, o aclamado diretor conseguia manejar muito bem a câmera, colocando os espectadores, hora como vítima, outra como predador, fazendo-os, por assim dizer, sentirem-se como ambos. Tudo isto ao som daquela “musiquinha”: tundundun-dundun-tundun… mais aterrorizante talvez apenas, os gritos agudos no chuveiro de Hitchcock, em Psicose, conhecido e traduzido em Portugal como O Filho que era Mãe (parece piada, mas é pura verdade, perguntem pro Ruy Castro).

A cena de abertura do filme é clássica: a garota, num luau com os amigos transviados, vai nadar nua, no oceano tranqüilo. E então, tundundun… na poltrona da cidade do interior (longe do mar) já sabíamos o que ia ocorrer, mas nos aterrorizávamos mesmo assim. Depois vem a caçada ao grande bicho -“assassino”, que mostra toda a sua força, até ser explodido em zil pedaços. Politicamente incorreto? Então que tal lembrar do cultuado Moby Dick, romance de Hermam Melville, sob a direção de John Huston? No filme, Ahab, o capitão, exala ódio da baleia branca. A obsessão do perna-de-pau em matá-la é tamanha que, alude à luta de um homem para atingir sagazmente seus objetivos, enfrentando a natureza indomada. Numa palavra: clássico. É claro, o filme de Huston, que colocou lindos olhos de cavalo na baleia franca, enxota Tubarão para a “sessão da tarde”, pois é um clássico nascido de outro, combinação que nem sempre dá certo. More »

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jun 3

Prezado leitor do Bafana. Num dos últimos posts, o Igor pediu desculpas, pois este blog andou fora do ar devido ao grande acesso de leitores (algo em torno de 600 por dia). Estamos providenciando mais espaço para que isto pare de acontecer, pois já nos chega os congestionamentos horrendos de nossas cidades…

Quero realmente agradecer à você. Sei que alguns leitores ficam meio desapontados com minhas análises limitadas de literatura, afinal isto é um blog de ciência, mas acreditamos que é fundamental para todo professor (ou aprendiz de cientista, como nós) ler livros de outros assuntos, discuti-los e não viver apenas enclausurado nos laboratórios, papers e teses (às vezes discutir só ciência dá uma canseirinha, né não?).

De qualquer forma, prometo me comportar e falar mais sobre ciência e cientistas nos próximos posts.

TRINTA MIL ACESSOS! Nós esperávamos alcançar este número apenas em outubro ou novembro. Muitíssimo obrigado por antecipar nossa satisfação e jogar ainda mais responsabilidade sobre a gente, e lembre-se: você também é parte desta conquista.

É para você, leitor, que o Bafana oferece este brinde virtual.

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mai 27

Olá pessoal. É com imensa gratidão que pedimos desculpas pelos transtornos de acesso ao nosso site nestes últimos dez dias, estamos de volta e desta vez pra valer (assim espero).

Nestes últimos dias quem tentou acessar o Bafana deve ter dado de cara com uma chatíssima página em branco com os dizeres Bandwich Limit Exceeded e se perguntado: Que p* é essa?. Não se exceda… eu explico.

Nosso plano de hospedagem limita-se a 8GB de transferência de arquivos por mês, ou seja, todo conteúdo que você vê, lê ou baixa por aqui é contabilizado. Acontece que quando compramos o plano de hospedagem para o blog, estimávamos um tráfego de 80 a no máximo 100 visitas por dia, uma média de 5GB/mês. Mas para nossa grata surpresa o Bafana tem sido cada vez mais procurado e recomendado (+6000 visitas por mês), e devemos tudo isso a você leitor.

Por isso vamos investir em mais espaço, mais tráfego e disponibilizar ainda mais informações e contamos sempre com sua presença aqui no Bafana Ciência.

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mai 23

imagem via blog http://glaucenografia.blogspot.com/2007/12/revoluao-genomica.html

A exposição: Revolução Genômica, é uma badalada exibição de temas ligados à molécula de DNA, e já foi definido como “… o hardware molecular que dá suporte ao processo da vida”.

No primeiro salão da exposição, somos reportados à uma floresta tropical e toda a sua biodiversidade. Plantas foram dispostas formando um indisfarçável jardim de madame, com televisões multi-coloridas espalhadas por todos os lados. Alguns terrários de vidro exibiam espécimes verdadeiros de nossa fauna. Uma cobra, um sagüi, um tucano e até um homem, pra mostrar que compartilhamos, por ancestralidade, o DNA com eles. A idéia é boa, mas nada original. Meu amigo, Walter Barrela, enjaulou-se com a família no Zoológico de Sorocaba na década de 90. Somos mesmos uns animais. More »

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mai 17

O romance Os Demônios de Dostoiévski antecipou o modo de ação de terroristas e revolucionários de esquerda, mas a religiosidade do autor de Crime e Castigo o impediu de prever que um dia, os terroristas pudessem matar em nome do Onipotente.

Vejamos por exemplo, o intelectual Sayyid Qutb. Com 42 anos saiu pela primeira vez do Egito em 1948 para estudar os currículos escolares norte-americanos, pois trabalhava no ministério da educação. Chegando lá, achou tudo muito ruim e degradante. Considerou as festas de igrejas protestantes americanas cheias de “sex-apple”. Também não gostava de mulher. O tipo esquisitão. More »

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abr 28

Sem tremer as bases o Prof. Dr. Marcelo Hermes-Lima volta com a décima edição do Talk Show científico Ciência Brasil. Dessa vez o entrevistado é o Prof. Alberto Veloso – Especialista em Sismologia.

Os terremotos são muito comuns no planeta terra. Segundo dados do serviço sismológico americano, por ano há 100 mil terremotos que são sentidos, ou seja, é 1 terremoto a cada 5 minutos. Nessa primeira parte do programa, o especialista em Sismologia e fundador do observatório sismológico da Universidade de Brasília (UNB), Alberto Veloso, traz aspectos científicos e históricos desses fenômenos e estudos dos pesquisadores. Os terremotos são uma submovimentação do chão, que às vezes pode ocorrer de forma violenta devida a uma passagem de um das sísmicas. De acordo com o especialista, a terra está submetida à esforços e tensões geológicas que atuam de forma lenta, mas durante muito tempo a rocha pode se deformar e com isso até quebrar, e é nessa quebra que acontece o terremoto. Historicamente, o primeiro registro de um terremoto foi há 4 mil anos a.C.

Agora confira ou baixe aqui pelo Bafana mais um episódio do Ciência Brasil.

Download aqui

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abr 18

Discuti na semana passada que “Os Demônios” de Dostoiévski, escrito em 1870, foi profético ao tratar do caráter (ou falta de) de revolucionários e niilistas. Daí o nome do livro que nas primeiras versões no idioma de Camões foi traduzido como “Os possessos”. Esta diferença é explicada pelo tradutor da Editora 34, Paulo Bezerra: “o título original é que significa demônios (biês no singular), bem diferente de odierjímie (possessos)”.

Aqui uma pausa. Quando escrevo Dostoievski (sem acento agudo) o processador de texto do Word nada assinala, mas se uso o acento Dostoiévski, como nos livros da Editora 34, ele é sublinhado como palavra errada. Daí o acento no meu texto. More »

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abr 13

Para definir os feitos científicos de Sir Isaac Newton (1642-1727), Lord Byron escreveu sintética e profundamente: “O homem caiu pela maçã e com a maçã se ergueu”. Mas, muito ocupado em suas farras, é provável que o poeta não soubesse o nome e sobrenome da macieira newtoniana: Terceira Lei de Kepler, que mostra como os planetas giram em torno do Sol. Sobre os ombros deste gigante alemão, a flor de obsessão inglesa foi capaz de demonstrar o porquê das órbitas elípticas. O resto é história.

E por falar em história, nosso divulgador de ciência “fantástico” (pra usar o adjetivo do Ademir Luiz), Marcelo Gleiser, lançou ano passado “A Harmonia do Mundo” (Cia. das Letras, 327), um “romance-histórico” que conta a vida de Johannes Kepler (1571-1630). More »

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abr 10

Não há dúvida entre os biógrafos de Dostoiévski (1821-1881) que seu “Os Demônios”, escrito entre 1870 e 1872, é um panfleto contra os radicais russos e mais precisamente contra o niilismo. Publicado primeiramente em capítulos no O Mensageiro Russo, o autor dos já consagrados, “Notas do Subterrâneo” (1864), “Crime e Castigo” (1866) e “O Jogador” (1867), paralisou seu trabalho “A Vida de um Grande Pecador” no final de 1869, para se dedicar, em suas próprias palavras, à “uma questão contemporânea mais importante”.

Tratava-se das agitações políticas que começavam a abalar seriamente a Rússia dos anos 60 e 70 do século XIX. Lembremos que o próprio Dostoiévski esteve encrencado vinte anos antes (ver artigo anterior), mas agora a nova geração se radicalizara. Por exemplo, em abril de 1866, um estudante (Karalósov) atirou em Alexandre II, errando, porém, o alvo. Levado no ato à presença do czar, que pessoalmente lhe tomou a pistola, o estudante não mostrou nenhum arrependimento. More »

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abr 4

Fiodor Dostoiévski

Foi em abril de 1849 que Dostoiévski e outras 27 pessoas foram presas acusadas de conspiração contra o czar Nicolau I da Rússia. Sim, ele tinha lá sua culpa, pois um ano antes, o aclamado autor de Gente Pobre (1846), passara a se reunir na casa de Petrachévski para discutir temas censurados na imprensa russa: as recentes transformações liberais da Europa, a eficácia de alguns sistemas socialistas e o fim da servidão dos camponeses, este último, o assunto preferido de Dostoiévski.

A eloqüência usada por Dostoiévski, quando se referia às “intoleráveis injustiças contra o povo russo”, fez com que Spechniev, também membro do círculo de Petrachévski, o convidasse para outras reuniões com o objetivo de organizar ações mais práticas na luta contra o autoritarismo. Dostoiévski empolgou-se com a fala, o cavalheirismo e o dinheiro emprestado de Spechniev, a quem chamou uma vez de “meu Mefistóteles”, e passou a integrar um grupo seleto para discutir tais “atitudes”. Foram presos três meses depois. More »

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mar 19

 

Promessas… do Marcelo

Marcelo Leite é provavelmente o mais importante jornalista científico do país, mantendo um blog bem escrito e antenado (Ciencia em Dia). É uma das referências nacionais no quesito divulgação científica, a atividade que se preocupa com a popularização dos procedimentos e resultados da ciência.

Mas o velho ditado “em casa de ferreiro, espeto de pau” serve para M. Leite que transformou sua tese de doutorado em Ciências Sociais, no livro Promessas do Genoma (Editora UNESP, 243p., 2006).

Não que falte ao livro, uma boa compilação de informações sobre toda aquela falação do projeto genoma humano (PGH) que tomou conta da mídia mundial no início deste século. Mas o livro peca por excesso de academicismo, nos levando a impressão que Marcelo, abriu o arquivo de sua tese, “salvou como” livro e mandou para o editor (e olha que nem li a tese….). More »

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mar 8

Nossas Universidades

O grande intelectual Otto Maria Carpeaux, reforçou num artigo memorável (A idéia da Universidade e as idéias das classes médias [Download aqui]) que a vida espiritual das nações depende das universidades: a França medieval é a Sorbonne, a renascentista, o Collège de France, e a moderna, a École Normale Supérieure. Já a Inglaterra conservadora é Oxford e Cambridge. A Alemanha luterana foi Wittenberg e Iena e a moderna Bonn e Berlim. E por aí vai.

Agora os (meus) exemplos tupiniquins da nossa “vida espiritual”. More »

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mar 4

Decompondo a natureza física do arco-íris

Por: Jhonathan Diego Nascimento de Jesus

Livro: Desvendando o Arco-Íris

Richard Dawkins é um dos mais proeminentes divulgadores da ciência atual. Em “Desvendando o Arco-íris” (Editora Companhia das Letras, 2002, R$ 54,50), ele esbanja elegância e erudição. É válido lembrar que esse livro foge um pouco ao conteúdo apresentado nos demais livros publicados pelo autor.

Encontramos uma obra mais densa e de cunho filosófico mais amplo. No entanto não falta seu bom humor característico nem mesmo sua exaltação a teoria da evolução através do processo de seleção natural, que mostra que Dawkins é mais darwiniano que o próprio Darwin. More »

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fev 18

Nossas Universidades Públicas!!!

Muito bem, você entrou numa universidade pública. Está entre aqueles cerca de 3 a 4% de brasileiros que não pagam pra fazer o ensino superior. Parabéns. Será uma economia e tanto para sua família. Pelo que pude pesquisar um curso particular de Biologia, por exemplo, não sai por menos de $600,00/mês. As engenharias giram em torno de R$800,00 e mesmo cursos “giz e lousa” como administração e pedagogia devem estar na faixa de R$250,00 a R$550,00. Multiplique isto por 12 (meses) e por 4 ou 5 (anos) e você terá uma idéia do custo.

Ainda é muitíssimo provável que a universidade pública em que tenhas entrado seja menos pior que suas vizinhas que cobram mensalidades (filantrópicas, privadas, etc…). Esta diferença se dá por vários motivos. O primeiro, mas não principal, é o fato de que pelo menos 40% dos professores das universidades públicas têm se esforçado pra realizar, dentro dos limites financeiros e intelectuais de cada um, pesquisas científicas em suas áreas de concentração. Esta atividade faz com que o professor estude, leia, reflita um pouco mais (sei que isto era pra ser feito sem a pesquisa, mas não é o que ocorre) e até conte com sua ajuda na pesquisa como orientado. Por isto, é muito provável que as aulas dele sejam mais informativas, ou que ele se encontre mais preparado para responder suas perguntas. More »

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fev 14

Capa do Ralatório CCS

É preciso dizer uma verdade: o relatório do IPCC, Carbon Dioxide Capture and Storage (Captura e Estoque de Dióxido Carbono) de setembro de 2005 foi mal diagramado, as figuras são insuficientes e o texto não responde o que todo mundo quer saber. Pra quem não leu: ele não fala nem quanto o mar ou a temperatura vão subir.

A Figura 7 do Resumo (confira abaixo), que mostra os cenários de emissão de CO2 (2005-2095), com ou sem as medidas de mitigação é confusa e a legenda diz: “Este exemplo é baseado num simples cenário e, portanto, não cobre o intervalo inteiro de incertezas”. Afinal: posso ou não confiar na extrapolação? As outras figuras ficariam lindas em cartolinas de trabalhos de colégio. Além disso, eles poderiam ter feito a gentileza de colocar o seguinte gráfico: no eixo X, o tempo (1900-2100), no eixo Y1, a temperatura e no Y2, o CO2 (pra fazer este tipo de gráfico, vá pro Excel e escolha gráfico, depois, tipos personalizados, e linhas em dois eixos). É pedir demais, colocar o intervalo de confiança? More »

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