nov 1

Qualquer espécie de ser vivo, pode ser definida como um conjunto de animais que ao se reproduzirem deixam descendentes férteis. Uma maneira mais divertida e não de todo errada é dizer que “uma espécie é aquilo que um taxonomista competente diz que é”. Há ainda a espécie compreendida como um exemplar platônico (“ideal”) num vidro de laboratório ou numa exsicata no herbário. Todos os que forem iguais a este único indivíduo são da mesma espécie dele. Aquilo que não é tão igual é do mesmo gênero e assim por diante. Mexeu? Ou é bicho ou foi o vento.

Boas fotos e desenhos detalhados, além de uma “chave de identificação” com descrições de partes, e raspas e restos que interessam, auxiliam o taxonomista principiante a chegar em nível de espécie. Este modo de organização, que devemos à Linnaeus, é frequentemente repetido por escritores que também identificam textos ou parágrafos, como autênticos “Camões”, “Fernando Pessoa” ou “Cervantes”, espécimes raros, que deixaram mais saudosos admiradores do que descendentes férteis. No máximo, alguns filhos bastardos, que, como híbridos, não se reproduzem, ou de tão estéreis se reproduzem assexuadamente como escrevinhadores do rei de plantão nesta mundão de meu Deus…

Mas, como diria o colunista sem assunto, “não é isto que eu queria falar…”. Também não vou fazer como aquele personagem rodrigueano que se realmente pudesse falar o que pensava, durante o discurso na cova aberta do falecido, dissertaria antes sobre os enlevos da recém órfã…. Ainda hei de enquadrar estas páginas do “Almirante Nelson” e colocar na parede do meu escritório. De preferência, ao lado do “Passarinho” que Gerda Brentani pintou em 1970 (era disto que eu queria falar).

Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 2 More »

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ago 19

A divulgação científica, objetivo principal deste blog, é uma atividade que tenta explicar os métodos e resultados de trabalhos e problemas científicos numa linguagem acessível ao chamado público leigo. Os textos de divulgação científica são também a melhor forma, talvez a única, de pesquisadores cada vez mais especializados, adquirirem “cultura geral” sobre ciência.

Vira e mexe divulgadores como eu lamentam o pouco espaço na mídia para fazer sua atividade. Mas recentemente, o MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) apresentou o relatório, Percepção Pública da Ciência e Tecnologia mostrando que o público de modo geral, está satisfeito com a qualidade e quantidade do assunto Ciência & Tecnologia abordado principalmente em telejornais. More »

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ago 12
Carta para um recém formado
icon1 Ronaldo Angelini | icon2 Geral, Livros | icon4 08 12th, 2007| icon34 Comentários »

Este texto de estréia, da nova versão do Bafana Ciência, foi meu discurso como paraninfo proferido na colocação de grau dos alunos do Curso de Biologia da Universidade Estadual de Goiás (Anápolis) em 10/08/2007. Na verdade este texto também pode ser lido como uma resenha do recomendável “O valor do amanhã” de Eduardo Giannetti (Editora Cia. das Letras, 337p.).

Carta para um recém formado

Caros ex-alunos

Finalmente é chegada a hora de terminar outra etapa na longa marcha da vida, e então me parece um bom momento para refletir sobre esta própria vida.

Há 4 ou 5 anos atrás, vocês escolheram a profissão de biólogo e professor de biologia, justamente naquela idade que, segundo um pensador, é a “fase da vida humana onde o desprezo pelo risco e a esperança presunçosa de sucesso se encontram mais ativos” (1).  More »

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jul 25
Dez motivos pra…
icon1 Ronaldo Angelini | icon2 Bafana Divulga, Geral, Turismo, África | icon4 07 25th, 2007| icon32 Comentários »

Dez motivos pra morar em Cape Town e na África do Sul

1 – Não há buracos nas ruas da cidade e as calçadas são asfaltadas. Ótimas para patins, cadeiras de roda e idosos;

2 – A cidade é limpa. Além da varrição diária, as pessoas não jogam papel no chão;

3 – A África do Sul, não é só de grandes animais (leão, tubarão, elefante, baleia). É acima de tudo, paisagens maravilhosas: praias, montanhas, diferentes formações florestais e parques nacionais muito bem cuidados. O mesmo cabe para a Cidade do Cabo: Cape Town é linda: oceano, árvores, aquário, jardim botânico, Parques, Cabo da Boa Esperança, Table Montain, vinícolas, etc…;

4 – As pessoas são educadas e te respeitam mesmo que você não domine a língua; More »

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jul 14

Este é meu último post made in South Africa. Parte da bagagem já está devidamente empacotada e a outra ainda vai dar muito trabalho. Desde outubro do ano passado toda semana coloquei um artigo neste espaço (com exceção do fim/início de ano).

Nem sempre fui muito feliz nos temas, ainda tenho dificuldades com as vírgulas (dá pra notar, né?), mas acredito ter passado algumas informações que considero relevantes sobre ciência, animais, África, Brasil e assuntos correlatos (ou não tão correlatos assim).

Tive o prazer de receber alguns elogios através dos comentários e outros tantos e-mails na mesma linha. É também com muita satisfação que vejo reproduzido alguns destes textos na Revista Bula, cujo site está sendo reformulado devido ao grande número de acessos que o fez sair do ar. Meu último artigo lá publicado tinha recebido mais de quatro mil visitas em apenas uma semana (o que não é muito pros padrões da revista…). More »

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nov 19

É um pássaro? É um avião? “Não! É uma ilusão criada, no capitalismo, para que compensemos a falta de liberdade individual com a liberdade imaginária vivenciada por ele, o super-herói” e o Super-Homem é um deles.

Essa é uma das definições do Prof. Nildo Viana, em seu “Heróis e super-heróis no mundo dos quadrinhos” (Editora Achiamé, RJ, 77p.), livro no qual explica os valores axiológicos dos gibis e analisa o inconsciente coletivo a eles associado. Em “A Ciência dos Super-Heróis”, de Lois Gresh e Robert Weinberg (Ediouro, 230p.), no qual os super-heróis são explorados do ponto de vista científico, o Super-Homem é mostrado como uma impossibilidade. Por exemplo, o poder de voar do Super vem do fato de que em Krypton, a gravidade é mil vezes mais forte do que a da Terra, mas isto exigiria ossos muito densos e maiores e obviamente ele não seria nadinha parecido com os humanos. Infelizmente, até Krypton é um absurdo, pois mesmo um planeta com gravidade 50 vezes maior que a da Terra, é essencialmente impossível de se formar, segundo a física conhecida da matéria sólida, pois ele se colapsaria em si mesmo. More »

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