mai 6

Lord R. A. Fisher

Ronald A. Fisher era um arrogante, sem paciência com ninguém que fosse, ou parecesse, menos inteligente que ele, isto é, quase o mundo todo. Era extremamente original e ainda, um pesquisador muito produtivo, que nos últimos 50 anos de sua vida conseguiu publicar praticamente um trabalho (importante) a cada 2 meses. Isto numa época sem computadores (ele morreu em 1962), com suas correções automáticas e cálculos precisos. Ele fez os dele em calculadoras primitivas e praticamente sozinho.

Já tratamos semana passada de sua colaboração significativa com a Estatística, mas ele não ficou só aí. More »

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abr 19

Karl Pearson em sua sala

Para um pesquisador, o método científico é muito mais importante que os resultados de um trabalho. É a metodologia da pesquisa que vai decidir se aquela frase de duas linhas na conclusão (se é que no trabalho há conclusão) tem validade científica ou não. Sem uma metodologia adequada, um bom número de argumentos não ajuda em nada. Exemplos também não servem pois, como diriam os matemáticos: “exemplo não é prova”.

São necessárias observações honestas e um delineamento experimental adequado para dizer sim ou não para a hipótese testada. Hoje é muito trivial pensar que se queremos comparar, por exemplo, dois tipos de arroz, basta cozinhar os dois em panelas separadas com o mesmo tempo de cozimento, a mesma quantidade de sal, cebola e tempero, e depois experimentá-los, com o auxílio de outras pessoas que não devem saber qual é o tipo que estão comendo. Mas amigos, nem sempre foi assim. More »

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abr 4

More Than Just a Game (movie)

Um dos chavões sobre a esquerda brasileira é que ela não era unida nem na prisão. Bem, parece que isto não é só um defeito de brasileiros. Na Robben Island, ilha símbolo do regime racista sul-africano conhecido como apartheid, os presos políticos de diversas facções também não se bicavam, nem na hora do futebol. Futebol na Robben Island? Por acaso presos políticos negros de cabelos pixaim podiam jogar bola, sem serem incomodados pelos guardas “brancos de olhos azuis”?

E não é que podia? Claro que não foi fácil, os presos tiveram que reclamar muito para conseguir este direito e contaram com a ajuda fundamental da Cruz Vermelha Internacional. Esta história é contada por Chuck Korr e Marvin Close em More Than Just a Game: Football V Apartheid (editora Collins, 2008), que traduzo livremente para: “Mais Que Apenas um Jogo: Futebol X Apartheid” e pode vir a ser um best-seller em 2010, quando a Copa do Mundo será jogada naquele país que foi banido do futebol pela FIFA em 1964, e assim permaneceu por quase 30 anos, quando a democracia finalmente nasceu na África do Sul (uma prévia do livro aqui). More »

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mar 26

Turing e as Maçãs

Durante a Segunda Guerra Mundial, o matemático Alan Mathison Turing matriculou-se numa organização de defesa que aceitava voluntários. Quando perguntado no formulário se compreendia que a partir daquele momento, estava sujeito as leis militares, respondeu não. Com o treinamento, tornou-se um exímio atirador, mas não participava das paradas e lhe foi pedida uma explicação. A dele era simples como a resolução de uma equação de primeira ordem: como havia respondido não no questionário da matrícula, ele não era um soldado e não devia explicações.

Nem por isto o jovem de 28 anos deixou de ajudar os ingleses na Guerra. E que ajuda! Com uma vasta teoria matemática na cabeça, já comprovada durante seu curso na Universidade de Cambridge e depois com seu trabalho: “Sobre os números computáveis, com uma aplicação aos problemas da decisão” (confira abaixo), realizado em Princeton, no qual delineava o conceito de uma máquina hipotética de computação universal (que chamamos hoje de computador), Turing foi parar no Departamento de Comunicações do Ministério de Relações Exteriores e sua missão era, nada mais nada menos, que desvendar os códigos secretos das mensagens alemãs. More »

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mar 18

Oswaldo e a Carrocinha

Nosso maior dramaturgo, Nelson Rodrigues, dizia que o complexo de vira-latas é característica fundamental no brasileiro. Outro intelectual fundamental desta terra, Sérgio Buarque de Holanda, foi mais acadêmico no assunto: “(…) o Brasil (…) se envergonhava de si mesmo, de sua realidade biológica. Aqueles que pugnaram por uma vida nova (…) representavam a idéia que o país não pode crescer pelas suas próprias forças naturais: deve-se formar de fora para dentro, deve merecer aprovação dos outros.More »

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mar 9

Capa Veja: Darwin 150 anos

Noites atrás fez 200 anos que um Charles Darwin nasceu. Digo “um”, pois outro promissor Charles Darwin nascera anos antes e teria sido tio do homem que desvendou a evolução, se não morresse ainda jovem, contaminado por ele mesmo numa aula de anatomia. Aparentemente o pai do famoso Darwin prestou uma homenagem ao irmão falecido ao batizar o filho. Também tinha esperanças de que seu filho fosse talentoso como o tio. Foi além…

A Veja, a terceira revista semanal do mundo em número de exemplares vendidos, colocou Darwin na capa e destacou a publicação de Origens das espécies: Uma guerra de 150 anos: porque Darwin não conseguiu expulsar Adão e Eva dos livros escolares” (Confira o artigo aqui). Poxa, Veja! O aniversário do Origens…  é só no final do ano.

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mar 4

Oswaldo e sua Cruz!!

Em março de 1903, Oswaldo Cruz já era diretor do Instituto Manguinhos, chamado por ele “jardim-de-infância da ciência”, quando foi nomeado para a Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), pelo recém empossado presidente brasileiro Rodrigues Alves, cuja promessa de campanha era sanear a capital federal (Rio de Janeiro).

Quando o assunto era saúde pública havia tudo a se fazer, em especial a definição das atribuições das administrações municipais, estaduais e federais, como mostrado por Henrique Cukierman em seu Yes, nós temos Pasteur: Manguinhos, Oswaldo Cruz e a História da Ciência no Brasil (Editora Relume Dumará e Faperj, 2007, 437 p.). More »

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fev 25

Ilhas Maurício

Depois de sair das Galápagos, o Beagle, com o jovem Charles Darwin, atravessou o Oceano Pacífico aportando no Taiti, Nova Zelândia e Austrália. Já no Oceano Índico, mais precisamente nas Ilhas Keeling ou Ilha dos Cocos, Darwin entendeu a formação dos recifes de corais que foram confirmadas 17 dias depois quando chegou às Ilhas Maurício, onde permaneceu entre 29 de abril e 09 de maio de 1836.

Darwin estava profundamente influenciado pelos Princípios da Geologia de seu amigo Charles Lyell (ambos descansam em paz na Abadia de Westminster), que explicava como as mudanças geológicas eram graduais ao invés de catastróficas (a natureza não dá saltos). Darwin mostrou em seu diário de viagem a história dos recifes: uma ilha formada por atividade vulcânica, cerca-se de um recife de corais pequeno. A ilha afunda gradualmente. Os corais vão se sucedendo (os vivos sobre os mortos) e o conjunto vai soerguendo, compensando o rebaixamento e alargando o diâmetro do recife que se torna uma barreira, na medida que forma uma espécie de lagoa-anel que circunda a ilha. Quando o topo da ilha submergir por completo, ter-se-á um atol. More »

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fev 20

fiocruz1

Se você tem a sorte de ter que viajar de carro ao Rio de Janeiro quase que fatalmente terá o azar de ter de passar pela horrenda Avenida Brasil, com seu tráfego ruidoso e sua paisagem desoladora que mostra um Brasil que poderia ter sido mas não foi. Destoando deste cenário feio, nesta mesma avenida de nome irônico, aponta por entre altas árvores de Mata Atlântica (e outras nem tão nativas) a torre de um templo ou de um castelo das Arábias. Pra quem não sabe, trata-se do Instituto Oswaldo Cruz ou simplesmente Instituto Manguinhos, que para muitos é a inauguração ou ainda, o desembarque da ciência brasileira oriunda da Europa, mais precisamente do Instituto Pasteur na França.

É precisamente esta história, em quase todos os seus meandros e aspectos sociológicos, que Henrique Cukierman conta em seu Yes, nós temos Pasteur: Manguinhos, Oswaldo Cruz e a História da Ciência no Brasil (Editora Relume Dumará e Faperj, 2007, 437 p.). More »

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dez 11

Diariamente, Kurt Gödel ia e voltava do Instituto de Estudos Avançados acompanhado de nada menos que Albert Einstein que já era muito famoso na época. As conversas pareciam ser animadas e ainda hoje é objeto de especulação para os historiadores da ciência.  O assistente de Einstein, Ernst G. Strauss, uma vez contou que Einstein tinha chego chateado no laboratório pois achava que Gödel estava totalmente maluco. “E porque?”; “Votou em Eisenhower”, respondeu o físico.

Mais de uma vez Einstein disse que ia ao Instituto só para conversar com Gödel no caminho, já que os argumentos lógicos deste matemático sempre eram muito precisos beirando o non-sense. Rebecca Goldstein em seu Incompletude: a prova e o paradoxo de Kurt Gödel (Cia. das Letras 242p.), descreve alguns destes “causos”: no Instituto criaram um departamento só para ele, pois assim ele não tinha que participar em outras reuniões com sua lógica extravagante que nunca admitia afrontar uma autoridade (ou pessoa em cargo superior). Outra vez reafirmara que não concordava com a idéia da seleção natural (era probabilística demais pro gosto dele) argumentando que “Stálin também não acreditava nela e que ele era muito inteligente”. More »

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nov 28

É velha a piada, mas vale à pena recordar. Dois físicos estavam voando de balão (gastando dinheiro do CNPq) estudando a forma das nuvens, quando se perderam (típico…) e foram cair num campo deserto muito distante do ponto de pouso. Um homem flanava por ali. Os físicos mais que depressa: “Por favor, meu senhor, sabe onde estamos?”. O caminhante respondeu após intermináveis trinta minutos: “Num balão”. Um dos físicos perguntou-lhe: “O senhor é matemático, não é?”, no que o homem indagou: “Sou. Como você sabe?”. O físico não o perdoou: “Bem, o senhor demorou pra responder; deu uma resposta exata e por último, mas não menos importante, sua resposta não serve pra nada!”.

Pra que serve a matemática? Bem, se for utilizada para alguma coisa, os matemáticos mais puros lhe dirão que não é mais matemática, podendo ser contabilidade, economia, biomatemática, porém, não é mais matemática, aquele assunto de que tratam os matemáticos (“puros”) que têm sempre a sensação de estar descobrindo verdades objetivas pela razão, e não apenas construindo sistemas. More »

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out 1

Imagem by NET

Carl Sagan é o grande ícone da divulgação científica mundial. Em seus últimos livros, Bilhões & Bilhões e O Mundo Assombrado pelos Demônios, alerta-nos para o perigo do analfabetismo científico. Segundo ele, mesmo pessoas formadas na universidade desconhecem mecanismos básicos da natureza o que leva à uma confusão entre ciência com pseudociência ou ainda ficção científica.

Ele morreu em 1996, mas teve um livro póstumo editado e publicado por sua viúva em 2006 e agora traduzido para o português pela Companhia das Letras: Variedades da Experiência Científica: uma visão pessoal da busca por Deus. Nele são transcritas as “Palestras Gifford” que proferiu em 1985 na Universidade de Glasgow na Escócia.

Os assuntos são os que sempre o dominaram e fazem parte daquelas questões fundamentais que aos sábados à tarde, o homem comum costuma formular: Como surgiu o universo?; Existe vida em outros planetas?; Deus existe?; Porque tanta gente leva religião à sério?; E este mesmo cidadão leigo, sonha suas “soluções fenomenais…, mas, no fim, o dia contará estórias sempre iguais” (lembram o Cotidiano do Vinícius?). More »

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set 26

No artigo anterior Ademir Luiz, dissertou sobre os problemas de um professor de História ao ensinar as crianças a evolução e os ancestrais da espécie humana. Segundo ele, alunos dizem não acreditar no processo de seleção natural e então estudam por obrigação, “já que aquilo não está nas Escrituras”.

Isto sinceramente me soa não como crendice sincera do aluno adolescente, mas sim como uma maneira de resistir ao estudo de uma matéria um pouco mais complicada do que simplesmente: “(….) Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou suas narinas com um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gênesis, cap.2 v.7). More »

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set 23


Apresentando, nosso grande amigo Ademir Luiz: Do desafio de ensinar História diante do fundamentalismo religioso.

Todo professor de História vive um dilema anual: como apresentar a matéria sobre o surgimento do homem sem ofender a gregos ou a troianos?

A escola é, ou deveria ser, uma instituição laica por definição. Muito mais do que uma difusora de ideologias a escola tem o dever e a vocação de ser uma difusora do saber, isenta de qualquer tipo de preconceito. Um livro didático nada mais é do que o substrato do conhecimento humano acumulado em anos, décadas, ou mesmo séculos, de estudos teóricos e empíricos realizados por incontáveis cientistas e homens de letras; alguns gênios, outros nem tanto, mas todos humanos, muito humanos, lidando com problemas tipicamente humanos. O que se publica para fins didáticos é tão somente o resultado do provado e comprovado destes esforços. Senão vejamos.

Em um livro de Química não existe lugar para o éter olímpico. Em um livro de Física o que se vê é matemática aplicada, puramente lógica, nunca teorias mirabolantes seguidas de explicações herméticas. Os livros de Biologia fazem questão de trazer fotografias ampliadas de seres microscópicos para que não se tenha dúvidas de que eles realmente existem. Os livros de Geografia sabiamente fazem o mesmo com os planetas e as galáxias, provando que de fato há muito mais espaço aí fora do que Horácio poderia imaginar. Tudo isto é liquido e certo, óbvio até. More »

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set 9

Imagem Bafana Ciência

Em 2009 o mundo será invadido por reportagens, documentários, lançamentos editoriais, vídeos e toda a sorte de mídias versando sobre um assunto: Charles Darwin. A avalanche de informação terá início provavelmente em fevereiro, mais precisamente no dia 12 quando se comemora 200 anos do nascimento do pai da seleção natural. Os festejos não se encerrarão tão cedo visto que em 24 de novembro de 2009, outro aniversário ilustre acontece: o livro A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural, best-seller em seu lançamento, faz 150 anos.

Se você quer se “ilustrar” sobre o assunto para não ficar boiando nas conversas, há muitos, mas muitos livros de e sobre Darwin. Aliás, mais de uma vez já foi dito que a montanha de publicação sobre Darwin é colossal por si só (no sítio da Livraria Cultura a palavra “Darwin” nos itens de busca encontra 384 títulos). Para o leitor ter uma noção da quantidade de informação gerada, um dos biógrafos de Darwin, Frank J. Sulloway, passou 14 anos investigando o que o jovem pesquisador de 23 anos fez no arquipélago de Galápagos durante a sua estadia de 5 semanas! Certamente o velho sábio inglês se atordoaria com tantas notícias sobre ele mesmo. Lembremos que Einstein, outro cientista famoso, foi imortalizado numa foto mostrando a língua para um papparazzi. Ele não era louco, estava apenas de saco cheio das perseguições. More »

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