mai 30

A Ciência é um processo de aprendizado sobre a natureza em que diferentes idéias sobre como o mundo trabalha são medidas contra a observação. Desta forma, diferente do senso comum, a ciência necessita testar suas idéias, sintetizadas em hipóteses ou modelos, através do confronto com a realidade. Foi assim com Galileu que, observando os movimentos dos astros, provou (em sentido literal) que a Terra girava em torno do Sol, apesar disto parecer tão ilógico. Sem incorrer em grande erro podemos dizer que a ciência, tal qual a conhecemos hoje, nasceu com Galileu.

Agora, imagine um homem que, em plena Inquisição, sustentava que a Lua não era uma esfera perfeita, que a Via Láctea era composta de inúmeras e incontáveis estrelas, além é claro de nosso planeta ser apenas mais um entre outros, e tudo isto usando um telescópio (que, para seus pares, “distorcia a realidade do olho nu”!). Não bastassem esses pioneirismos, ao invés de escrever uma de suas principais obras, o Diálogo sobre os dois Máximos Sistemas de Mundo em latim (o “inglês” da época) publicou mesmo em italiano (idioma oficial de apenas um país). Mas a clara intenção de Galileu neste seu livro de 1632 era divulgar a ciência, ou melhor, ensinar o método científico matemático-experimental, que ele havia delineado em oposição ao respeito irrestrito que seus pares davam as chamadas “autoridades” (sistema aristotélico-ptolomaico). More »

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mai 21

A xenofobia ou aversão aos estrangeiros existe desde que o mundo é mundo. Mas a repulsa é apenas uma faceta deste mal. No Brasil, tribos literalmente comiam umas as outras. Na África, Oceania e Oriente Médio, quem não era do grupo virava escravo. Os egípcios, por exemplo, obrigaram os judeus à carregarem pedras pra construírem inúteis pirâmides, até serem libertos por Moisés, na conhecida passagem da história, que pesquisadores têm cada vez mais duvidado (veja por exemplo: aqui).

Mas independente se os judeus fugiram ou não do Egito, o fato é que os judeus viraram os bodes expiatórios de várias gerações em muitos países. Por exemplo, na Hungria de 1920 (Pós-Primeira Guerra) foi sancionada a primeira legislação anti-semita importante na Europa, limitando a admissão de judeus na universidade a 6% que era a percentagem que eles representavam na população total. Assim, há 88 anos o sistema de cotas era fruto da fobia aos judeus, mas hoje, dizem os bem-pensantes e politicamente corretos, é apenas um modo justo de fazer “reparações” (Deixa pra lá….). More »

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mai 17

O romance Os Demônios de Dostoiévski antecipou o modo de ação de terroristas e revolucionários de esquerda, mas a religiosidade do autor de Crime e Castigo o impediu de prever que um dia, os terroristas pudessem matar em nome do Onipotente.

Vejamos por exemplo, o intelectual Sayyid Qutb. Com 42 anos saiu pela primeira vez do Egito em 1948 para estudar os currículos escolares norte-americanos, pois trabalhava no ministério da educação. Chegando lá, achou tudo muito ruim e degradante. Considerou as festas de igrejas protestantes americanas cheias de “sex-apple”. Também não gostava de mulher. O tipo esquisitão. More »

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mai 3

A vida e morte pascoalina descrita acima é baseada no segundo capítulo do livro de Jared Diamond Colapso: Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso (2005, Record, 683 páginas). O autor é o mesmo de Armas, Germes e Aço: os Destinos das Sociedades Humanas, que mostra o desenvolvimento de diferentes sociedades nos últimos 13 mil anos e que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer de 1998, colocando, de quebra, seu nome como o 9º intelectual mais importante (pra ser mais preciso “famoso”) na recente lista da revista Prospect e do portal Foreign Policy.

Diamond é professor da Universidade da Califórnia (Los Angeles), doutor em ornitologia tendo trabalhado por anos com os maravilhosos pássaros da Nova Guiné que tanto encantaram no século XIX o naturalista Alfred R. Wallace, o co-autor da teoria da seleção natural. Diamond foi também diretor, durante 12 anos, da WWF (World Wildlife Fund) nos EUA, uma das mais poderosas ONGs ambientalistas do mundo. Pra encurtar, o homem tem background. More »

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abr 29

O jovem Matu’a, de ascendência nobre, bateu mais forte com seu machado de pedra e viu, aliviado, a queda da palmeira que faltava para montar o “trenó”. Logo em seguida, se deu conta da realidade e suspirou cansado do futuro recente: restava ainda rolar o moai para cima do trenó e arrastá-lo (sem rodas) para perto da praia a 10 km de distância. O mesmo moai que séculos depois se descobriria pesar 75 toneladas e que o leitor certamente ouviu falar e conhece a história, ao menos em parte.

Apesar dos pesares, Matu’a sabia da necessidade imperiosa da obra, pois, do contrário, o trabalho de seus súditos de entalhar o moai e o pukao (uma espácie de ‘chápeu’ colocado nos Moais) estaria perdido. Além disso, pelo menos 500 habitantes do clã que herdaria ali estavam para auxiliar no transporte e era preciso, mais do que nunca, dar exemplo de trabalho e determinação, já que alguns deles não andavam tão satisfeitos com a vida e ameaçavam o poder dos chefes. More »

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abr 24

“A divisão entre a matemática pura e a matemática aplicada está cada vez menor com o uso dos computadores e não é impossível que a ficção dos números se torne realidade”

O Homem Que Calculava, de Malba Tahan (Editora Record) é um clássico da literatura juvenil que está em sua 64ª edição. É provável que tenha alcançado mais leitores que alguns dos principais e aclamados livros de Monteiro Lobato, outro autor brasileiro que se dedicou ao público jovem. Sim, ao contrário do que muita gente pensa, Malba Tahan não nasceu num oásis longínquo em 1885, mas é apenas o pseudônimo do professor de matemática Júlio César de Mello e Souza, carioca que viveu entre 1895 e 1974.

Esta agradável confusão foi criada por ele mesmo com o auxílio do poderoso Irineu Marinho que começou a publicar em 1925, no jornal A Noite, a coluna “Contos de Malba Tahan”. O sucesso foi enorme e, autorizado por Getúlio Vargas, Júlio César conseguiu uma carteira de identidade com o próprio pseudônimo! Apesar disso, alguns de seus relatos biográficos dizem que ele se arrependia de não seguir a carreira militar do pai, pois pelo menos já “estaria arranjado financeiramente”. (E me pergunto se é verdade, pois não creio que ele contribuísse com as Forças Armadas tanto quanto contribui com a literatura juvenil, pois este professor incansável era detentor de uma didática e dedicação pacientes e eternas ao ensino.) Morreu sozinho num hotel, provavelmente de infarto, depois de falar a normalistas de uma escola do Recife sobre a arte de contar histórias. More »

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abr 18

Discuti na semana passada que “Os Demônios” de Dostoiévski, escrito em 1870, foi profético ao tratar do caráter (ou falta de) de revolucionários e niilistas. Daí o nome do livro que nas primeiras versões no idioma de Camões foi traduzido como “Os possessos”. Esta diferença é explicada pelo tradutor da Editora 34, Paulo Bezerra: “o título original é que significa demônios (biês no singular), bem diferente de odierjímie (possessos)”.

Aqui uma pausa. Quando escrevo Dostoievski (sem acento agudo) o processador de texto do Word nada assinala, mas se uso o acento Dostoiévski, como nos livros da Editora 34, ele é sublinhado como palavra errada. Daí o acento no meu texto. More »

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abr 16

É regra que os cadernos culturais da grande mídia impressa dedicam-se aquilo que é “popularmente” conhecida como cultura, isto é, as ciências humanas, entendendo aqui quase que tão somente a Literatura, contemporânea ou não, a Sociologia, de algum fenômeno recorrente tido como alta novidade, e em menor grau, a Filosofia, que por vezes é chatamente ideologizada. É o pensamento se repetindo como farsa…

Mais recentemente os cadernos têm aberto espaços para a “divulgação científica”, ocupados geralmente por algum pesquisador que se acha apto à tarefa, ou mesmo um jornalista que “gostaria de ter sido cientista”. Apesar destas honrosas exceções, o fato é que as ciências naturais (Exatas e Biologia) nunca são vistas como parte da cultura, inclusive seu legado é chamado em alguns círculos como “terceira cultura”. More »

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abr 13

Para definir os feitos científicos de Sir Isaac Newton (1642-1727), Lord Byron escreveu sintética e profundamente: “O homem caiu pela maçã e com a maçã se ergueu”. Mas, muito ocupado em suas farras, é provável que o poeta não soubesse o nome e sobrenome da macieira newtoniana: Terceira Lei de Kepler, que mostra como os planetas giram em torno do Sol. Sobre os ombros deste gigante alemão, a flor de obsessão inglesa foi capaz de demonstrar o porquê das órbitas elípticas. O resto é história.

E por falar em história, nosso divulgador de ciência “fantástico” (pra usar o adjetivo do Ademir Luiz), Marcelo Gleiser, lançou ano passado “A Harmonia do Mundo” (Cia. das Letras, 327), um “romance-histórico” que conta a vida de Johannes Kepler (1571-1630). More »

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abr 10

Não há dúvida entre os biógrafos de Dostoiévski (1821-1881) que seu “Os Demônios”, escrito entre 1870 e 1872, é um panfleto contra os radicais russos e mais precisamente contra o niilismo. Publicado primeiramente em capítulos no O Mensageiro Russo, o autor dos já consagrados, “Notas do Subterrâneo” (1864), “Crime e Castigo” (1866) e “O Jogador” (1867), paralisou seu trabalho “A Vida de um Grande Pecador” no final de 1869, para se dedicar, em suas próprias palavras, à “uma questão contemporânea mais importante”.

Tratava-se das agitações políticas que começavam a abalar seriamente a Rússia dos anos 60 e 70 do século XIX. Lembremos que o próprio Dostoiévski esteve encrencado vinte anos antes (ver artigo anterior), mas agora a nova geração se radicalizara. Por exemplo, em abril de 1866, um estudante (Karalósov) atirou em Alexandre II, errando, porém, o alvo. Levado no ato à presença do czar, que pessoalmente lhe tomou a pistola, o estudante não mostrou nenhum arrependimento. More »

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abr 4

Fiodor Dostoiévski

Foi em abril de 1849 que Dostoiévski e outras 27 pessoas foram presas acusadas de conspiração contra o czar Nicolau I da Rússia. Sim, ele tinha lá sua culpa, pois um ano antes, o aclamado autor de Gente Pobre (1846), passara a se reunir na casa de Petrachévski para discutir temas censurados na imprensa russa: as recentes transformações liberais da Europa, a eficácia de alguns sistemas socialistas e o fim da servidão dos camponeses, este último, o assunto preferido de Dostoiévski.

A eloqüência usada por Dostoiévski, quando se referia às “intoleráveis injustiças contra o povo russo”, fez com que Spechniev, também membro do círculo de Petrachévski, o convidasse para outras reuniões com o objetivo de organizar ações mais práticas na luta contra o autoritarismo. Dostoiévski empolgou-se com a fala, o cavalheirismo e o dinheiro emprestado de Spechniev, a quem chamou uma vez de “meu Mefistóteles”, e passou a integrar um grupo seleto para discutir tais “atitudes”. Foram presos três meses depois. More »

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mar 19

 

Promessas… do Marcelo

Marcelo Leite é provavelmente o mais importante jornalista científico do país, mantendo um blog bem escrito e antenado (Ciencia em Dia). É uma das referências nacionais no quesito divulgação científica, a atividade que se preocupa com a popularização dos procedimentos e resultados da ciência.

Mas o velho ditado “em casa de ferreiro, espeto de pau” serve para M. Leite que transformou sua tese de doutorado em Ciências Sociais, no livro Promessas do Genoma (Editora UNESP, 243p., 2006).

Não que falte ao livro, uma boa compilação de informações sobre toda aquela falação do projeto genoma humano (PGH) que tomou conta da mídia mundial no início deste século. Mas o livro peca por excesso de academicismo, nos levando a impressão que Marcelo, abriu o arquivo de sua tese, “salvou como” livro e mandou para o editor (e olha que nem li a tese….). More »

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mar 4

Decompondo a natureza física do arco-íris

Por: Jhonathan Diego Nascimento de Jesus

Livro: Desvendando o Arco-Íris

Richard Dawkins é um dos mais proeminentes divulgadores da ciência atual. Em “Desvendando o Arco-íris” (Editora Companhia das Letras, 2002, R$ 54,50), ele esbanja elegância e erudição. É válido lembrar que esse livro foge um pouco ao conteúdo apresentado nos demais livros publicados pelo autor.

Encontramos uma obra mais densa e de cunho filosófico mais amplo. No entanto não falta seu bom humor característico nem mesmo sua exaltação a teoria da evolução através do processo de seleção natural, que mostra que Dawkins é mais darwiniano que o próprio Darwin. More »

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jan 26

Galileu Galilei (caricatura)

Por causa da obra de Galileu a humanidade começou a entrever um Deus, não de capricho e extravagância, como eram todos os deuses da antiguidade, mas um Deus que age por meio de leis” (Millikan, Science & Religion, 1929).

Em 1610 com “Mensagem das estrelas” Galileu ganhou fama e um desejado emprego em Florença para onde se mudou sob os auspícios de um membro da poderosa família Médici, depois de lecionar na já milenar Universidade de Pádua (fundada em 1222).

Mas a intelectualidade florentina não foi muito receptiva a suas idéias. Afinal, dá preguiça pensar, examinar e saber que tudo aquilo que você defendeu por muito tempo, não passa de uma grande farsa, que de tanto você ouvir e dizer acaba acreditando como verdade. E isto pode ainda ser visto hoje, bastando ao leitor, vasculhar os departamentos de humanidades de nossas universidades, com seus marxistas, socialistas democráticos (como se isto fosse possível) e tutti quanti… eles não desistem, como diria o próprio Galileu: “…se as estrelas baixassem a Terra pra dar o seu próprio testemunho, nem isso iria convencê-los (…)”. More »

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jan 22
Voltamos…
icon1 Igor Alcântara | icon2 Artigos, Geral, Livros | icon4 01 22nd, 2008| icon32 Comentários »

Open Source

 

Olá pessoal, depois de um longo e desavisado período de férias o Bafana Ciência volta a sua rotina de divulgação científica e um pouco de entretenimento. Peço desculpas pelo aparente abandono, a culpa foi toda minha, já que fui para um lugar tão distante, não tinha energia elétrica…

Papo furado à parte, a partir da próxima semana além de novos livros e artigos para baixar, o Bafana também trará enquetes sobre ecologia, história da ciência e divulgação. Há ainda algumas surpresas… mas estas não posso contar.

Quanto aos Livros Disponíveis (agrademos todos os comentários), o site fabitapiti.net realmente saiu da rede, então, até acharmos novos links com livros para ciência em formato .pdf. Estamos à procura! Quem souber pode mandar para nosso novo e-mail: bafanaciencia@gmail.com.

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