set 4

Imagem Bafana Ciência

Aprendemos na escola que Darwin não foi o único a imaginar um processo de evolução para as espécies. Quase que inevitavelmente no ensino deste tema, os livros didáticos e professores contrapõem a teoria darwiniana com a lamarckista. Em muitos casos, inclusive, Lamarck e sua hipótese de evolução, são ridicularizados. Com a exposição Darwin, que acontece em Goiânia (de 19/09 a 05/10), vale a pena sabermos um pouco mais sobre este suposto “inimigo” de Darwin.

Jean Baptiste Lamarck nasceu em 1o de agosto de 1744. Tinha 10 irmãos e pertencia a uma família da nobreza inferior e decadente francesa, isto é, nariz empinado mas quase sem ter o que comer (o mundo não mudou muito de lá para cá…).

Lamarck serviu ao exército durante seis anos e, com o espírito científico já aflorando no soldado, aproveitou as inúmeras viagens dentro da própria França para estudar as variedades de plantas que encontrava pelo caminho. More »

abr 24

“A divisão entre a matemática pura e a matemática aplicada está cada vez menor com o uso dos computadores e não é impossível que a ficção dos números se torne realidade”

O Homem Que Calculava, de Malba Tahan (Editora Record) é um clássico da literatura juvenil que está em sua 64ª edição. É provável que tenha alcançado mais leitores que alguns dos principais e aclamados livros de Monteiro Lobato, outro autor brasileiro que se dedicou ao público jovem. Sim, ao contrário do que muita gente pensa, Malba Tahan não nasceu num oásis longínquo em 1885, mas é apenas o pseudônimo do professor de matemática Júlio César de Mello e Souza, carioca que viveu entre 1895 e 1974.

Esta agradável confusão foi criada por ele mesmo com o auxílio do poderoso Irineu Marinho que começou a publicar em 1925, no jornal A Noite, a coluna “Contos de Malba Tahan”. O sucesso foi enorme e, autorizado por Getúlio Vargas, Júlio César conseguiu uma carteira de identidade com o próprio pseudônimo! Apesar disso, alguns de seus relatos biográficos dizem que ele se arrependia de não seguir a carreira militar do pai, pois pelo menos já “estaria arranjado financeiramente”. (E me pergunto se é verdade, pois não creio que ele contribuísse com as Forças Armadas tanto quanto contribui com a literatura juvenil, pois este professor incansável era detentor de uma didática e dedicação pacientes e eternas ao ensino.) Morreu sozinho num hotel, provavelmente de infarto, depois de falar a normalistas de uma escola do Recife sobre a arte de contar histórias. More »

jan 29

Semmelweis na enfermaria

É comum em filmes policiais ou de suspense, que o protagonista saiba sozinho a causa da morte (ou conheça o homicida) das vítimas que a película vai acumulando (Jeniffer 8 com Andy Garcia é um exemplo). Tendo por vezes como única testemunha a platéia devoradora de pipocas, a personagem principal luta bravamente contra tudo (às vezes contra si próprio) e todos (principalmente seu chefe, sempre ocioso do cargo e invejoso do talento e coragem do subordinado) para mostrar que sua suspeita está correta. Com o desenrolar da trama e o acúmulo de evidências, o detetive desvenda o mistério e prende o bandido. Na maior parte dos filmes tem-se um final feliz, e então o aclamado herói parte para outra aventura em mundos distantes…

Vamos supor que cinema seja arte. E, então, posso repetir o surrado, mas verdadeiro bordão: a vida imita a arte e vice-versa. Outra suposição é que a vida do cientista é análoga a de um detetive, pois ambos acumulam informações que num primeiro olhar podem parecer incongruentes, mas que, depois de corretamente ordenadas, desvendam o mistério.

O húngaro Ignaz Philipp Semmelweis (1818-1865) é um dos grandes exemplos reais do detetive-cientista. Tendo partido para Viena em 1837 para ser estudante de Direito, encontrou seu verdadeiro talento quando, convidado por um amigo, foi assistir uma aula de anatomia. Graduou-se médico em 1844 com grande interesse em obstetrícia, e radicou-se na Maternidade do Hospital Geral de Viena. More »

nov 1

Qualquer espécie de ser vivo, pode ser definida como um conjunto de animais que ao se reproduzirem deixam descendentes férteis. Uma maneira mais divertida e não de todo errada é dizer que “uma espécie é aquilo que um taxonomista competente diz que é”. Há ainda a espécie compreendida como um exemplar platônico (“ideal”) num vidro de laboratório ou numa exsicata no herbário. Todos os que forem iguais a este único indivíduo são da mesma espécie dele. Aquilo que não é tão igual é do mesmo gênero e assim por diante. Mexeu? Ou é bicho ou foi o vento.

Boas fotos e desenhos detalhados, além de uma “chave de identificação” com descrições de partes, e raspas e restos que interessam, auxiliam o taxonomista principiante a chegar em nível de espécie. Este modo de organização, que devemos à Linnaeus, é frequentemente repetido por escritores que também identificam textos ou parágrafos, como autênticos “Camões”, “Fernando Pessoa” ou “Cervantes”, espécimes raros, que deixaram mais saudosos admiradores do que descendentes férteis. No máximo, alguns filhos bastardos, que, como híbridos, não se reproduzem, ou de tão estéreis se reproduzem assexuadamente como escrevinhadores do rei de plantão nesta mundão de meu Deus…

Mas, como diria o colunista sem assunto, “não é isto que eu queria falar…”. Também não vou fazer como aquele personagem rodrigueano que se realmente pudesse falar o que pensava, durante o discurso na cova aberta do falecido, dissertaria antes sobre os enlevos da recém órfã…. Ainda hei de enquadrar estas páginas do “Almirante Nelson” e colocar na parede do meu escritório. De preferência, ao lado do “Passarinho” que Gerda Brentani pintou em 1970 (era disto que eu queria falar).

Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 2 More »

jun 17

O regime de segregação racial da África do Sul, que se iniciou na colonização, nos séculos XVI e XVII, se fortaleceu na primeira metade do século XX e finalmente se escancarou em 1948 com a eleição (só brancos votavam) do Partido Nacional.

O apartheid era fundamentado por quatro idéias principais: 1) A África do Sul é formada por quatro grupos raciais: brancos, mestiços (coloured), indianos e africanos, cada um com sua própria cultura; 2) os brancos, como a raça civilizada, tinham o direito ao controle absoluto do Estado; 3) o Estado não era obrigado a prover igual ajuda as raças subordinadas; 4) o grupo branco (africâner e as pessoas de origem inglesa) formava uma só nação, enquanto os outros eram muito divididos, por isto os brancos eram maioria.

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jun 10

Em 18 de julho de 1918 Nelson Mandela nasceu em Mvezo, no Transkei um dos Estados da África do Sul banhado pelo Oceano Índico. A região era agro-pastoril e sobre a infância Mandela gostava de dizer: “sou do tempo que a criança era educada pelo método de sentar, aquietar-se e apenas ouvir as conversas dos mais velhos”. Hoje é a criança ou o jovem quem mandam e é preciso chamar a “Super-Nani” ou a tropa de choque.

O pai de Nelson Mandela, Henry Gadla, tinha quatro esposas e treze filhos. Ele era descendente de Thembu, chefe de um clã dos Xhosa (pronuncia-se Kôza), um dos muitos povos locais da África do Sul. A formação de Mandela, dentro dos valores de respeito às tradições e autoridades fez com que ele adquirisse os hábitos de nobreza, educação formal e, acima de tudo, de profundo entendimento da “alma” sul-africana. Sem sombra de dúvida, vem daí o famoso charme de Mandela, que consegue ser tão natural comendo um braai (churrasco) com a mão, num bairro pobre como o Gugulethu da Cidade do Cabo, quanto bebendo cherry com a rainha da Inglaterra no Palácio de Buckingham.

Jovem Mandela

 

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