jun 6

Para a geração que chega agora nos 40, poucos filmes foram tão impressionantes na adolescência como Tubarão de Steven Spielberg. Longe dos monumentais efeitos computadorizados de hoje, o aclamado diretor conseguia manejar muito bem a câmera, colocando os espectadores, hora como vítima, outra como predador, fazendo-os, por assim dizer, sentirem-se como ambos. Tudo isto ao som daquela “musiquinha”: tundundun-dundun-tundun… mais aterrorizante talvez apenas, os gritos agudos no chuveiro de Hitchcock, em Psicose, conhecido e traduzido em Portugal como O Filho que era Mãe (parece piada, mas é pura verdade, perguntem pro Ruy Castro).

A cena de abertura do filme é clássica: a garota, num luau com os amigos transviados, vai nadar nua, no oceano tranqüilo. E então, tundundun… na poltrona da cidade do interior (longe do mar) já sabíamos o que ia ocorrer, mas nos aterrorizávamos mesmo assim. Depois vem a caçada ao grande bicho -“assassino”, que mostra toda a sua força, até ser explodido em zil pedaços. Politicamente incorreto? Então que tal lembrar do cultuado Moby Dick, romance de Hermam Melville, sob a direção de John Huston? No filme, Ahab, o capitão, exala ódio da baleia branca. A obsessão do perna-de-pau em matá-la é tamanha que, alude à luta de um homem para atingir sagazmente seus objetivos, enfrentando a natureza indomada. Numa palavra: clássico. É claro, o filme de Huston, que colocou lindos olhos de cavalo na baleia franca, enxota Tubarão para a “sessão da tarde”, pois é um clássico nascido de outro, combinação que nem sempre dá certo. More »

out 31

Pavlov e seu cachorro

Sopa Primordial

 

 

ago 12
Carta para um recém formado
icon1 Ronaldo Angelini | icon2 Geral, Livros | icon4 08 12th, 2007| icon34 Comentários »

Este texto de estréia, da nova versão do Bafana Ciência, foi meu discurso como paraninfo proferido na colocação de grau dos alunos do Curso de Biologia da Universidade Estadual de Goiás (Anápolis) em 10/08/2007. Na verdade este texto também pode ser lido como uma resenha do recomendável “O valor do amanhã” de Eduardo Giannetti (Editora Cia. das Letras, 337p.).

Carta para um recém formado

Caros ex-alunos

Finalmente é chegada a hora de terminar outra etapa na longa marcha da vida, e então me parece um bom momento para refletir sobre esta própria vida.

Há 4 ou 5 anos atrás, vocês escolheram a profissão de biólogo e professor de biologia, justamente naquela idade que, segundo um pensador, é a “fase da vida humana onde o desprezo pelo risco e a esperança presunçosa de sucesso se encontram mais ativos” (1).  More »