jun 17

Oi gente!

Segue abaixo um dos e-mails mais desanimadores que este blog já recebeu. O Fernando M. Pelicice que acabou de passar num concurso da UFT foi mandado embora, pois segundo a análise do juiz, ele é amigo íntimo de um dos membros da banca, já que tem trabalho em co-autoria com este professor (e mais quatro autores). Esperamos que o advogado do Fernando possa reverter o processo.

Ficamos na torcida pelo Fernando.

E-mail do Fernando: More »

nov 14

Lênin & Trotsky (Red Square, 1919)

Há uma estória famosa entre os esquerdistas. Lênin e Trotski olham a multidão ensandecida, que eles mesmos tinham atiçado, e dizem um ao outro: “O povo está nas ruas. Vamos liderá-lo”. Era a “transformação do mundo” proposta no Manifesto Comunista. A multidão confiou neles (quais eram as opções?) e deu-lhes as inúmeras vidas (tudo em nome de um mundo melhor….). Uma catástrofe econômica, social, política e com um resistente resíduo educacional que ainda faz suas vítimas em países periféricos como o Brasil.

Sou um daqueles pesquisadores novatos que acredita que a multidão precisa de instrução e informação. A consciência, a atitude e o número de filhos são de seu livre arbítrio. Sem esta de liderança, dedos em riste ou alarmismos catastróficos. Mas o que ela pensa hoje, sobre o trabalho dos cientistas?

Dias atrás foi lançado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) o relatório, Percepção Pública da Ciência e Tecnologia. Foram feitas 2004 entrevistas com adultos no final do ano passado, distribuídas de acordo com a população de cada Estado e municípios sorteados (o método de escolha é o PPT, Probabilidade Proporcional ao Tamanho).

Os coordenadores foram Ildeu de Castro Moreira e Luisa Massarani, ambos organizadores do livro “Ciência e Público” (Editora Vieira & Lent), diga-se de passagem, um livraço pra quem se interessa pelo assunto.

Sobre os entrevistados, apenas 10% tem nível superior completo, e 23% ou não terminou ou está no colegial. Os autores escrevem colegial, ginásio e primário. Acho que o correto seria “ensino médio” e “fundamental”, mas prefiro a terminologia adotada por eles, pois a nova coloca no mesmo termo (fundamental) a pessoa com 2 (primário) e 7 (ginásio) anos de estudo, e isto decididamente não é uma boa classificação.

Duas informações me impressionaram no público alvo: 31% não trabalham fora de casa (na seqüência, por importância, dona-de-casa, aposentado, desempregado, estudante) e apenas 30% se declaram católicos. Isto está certo? Todo mundo diz que somos um país de maioria católica. Muito estranho. Será que o PPT funcionou direito? More »

nov 1

Qualquer espécie de ser vivo, pode ser definida como um conjunto de animais que ao se reproduzirem deixam descendentes férteis. Uma maneira mais divertida e não de todo errada é dizer que “uma espécie é aquilo que um taxonomista competente diz que é”. Há ainda a espécie compreendida como um exemplar platônico (“ideal”) num vidro de laboratório ou numa exsicata no herbário. Todos os que forem iguais a este único indivíduo são da mesma espécie dele. Aquilo que não é tão igual é do mesmo gênero e assim por diante. Mexeu? Ou é bicho ou foi o vento.

Boas fotos e desenhos detalhados, além de uma “chave de identificação” com descrições de partes, e raspas e restos que interessam, auxiliam o taxonomista principiante a chegar em nível de espécie. Este modo de organização, que devemos à Linnaeus, é frequentemente repetido por escritores que também identificam textos ou parágrafos, como autênticos “Camões”, “Fernando Pessoa” ou “Cervantes”, espécimes raros, que deixaram mais saudosos admiradores do que descendentes férteis. No máximo, alguns filhos bastardos, que, como híbridos, não se reproduzem, ou de tão estéreis se reproduzem assexuadamente como escrevinhadores do rei de plantão nesta mundão de meu Deus…

Mas, como diria o colunista sem assunto, “não é isto que eu queria falar…”. Também não vou fazer como aquele personagem rodrigueano que se realmente pudesse falar o que pensava, durante o discurso na cova aberta do falecido, dissertaria antes sobre os enlevos da recém órfã…. Ainda hei de enquadrar estas páginas do “Almirante Nelson” e colocar na parede do meu escritório. De preferência, ao lado do “Passarinho” que Gerda Brentani pintou em 1970 (era disto que eu queria falar).

Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 Gerda - Pequeno Bestiário Brasileiro 1969 2 More »

jul 14

Este é meu último post made in South Africa. Parte da bagagem já está devidamente empacotada e a outra ainda vai dar muito trabalho. Desde outubro do ano passado toda semana coloquei um artigo neste espaço (com exceção do fim/início de ano).

Nem sempre fui muito feliz nos temas, ainda tenho dificuldades com as vírgulas (dá pra notar, né?), mas acredito ter passado algumas informações que considero relevantes sobre ciência, animais, África, Brasil e assuntos correlatos (ou não tão correlatos assim).

Tive o prazer de receber alguns elogios através dos comentários e outros tantos e-mails na mesma linha. É também com muita satisfação que vejo reproduzido alguns destes textos na Revista Bula, cujo site está sendo reformulado devido ao grande número de acessos que o fez sair do ar. Meu último artigo lá publicado tinha recebido mais de quatro mil visitas em apenas uma semana (o que não é muito pros padrões da revista…). More »