mar 9

Capa Veja: Darwin 150 anos

Noites atrás fez 200 anos que um Charles Darwin nasceu. Digo “um”, pois outro promissor Charles Darwin nascera anos antes e teria sido tio do homem que desvendou a evolução, se não morresse ainda jovem, contaminado por ele mesmo numa aula de anatomia. Aparentemente o pai do famoso Darwin prestou uma homenagem ao irmão falecido ao batizar o filho. Também tinha esperanças de que seu filho fosse talentoso como o tio. Foi além…

A Veja, a terceira revista semanal do mundo em número de exemplares vendidos, colocou Darwin na capa e destacou a publicação de Origens das espécies: Uma guerra de 150 anos: porque Darwin não conseguiu expulsar Adão e Eva dos livros escolares” (Confira o artigo aqui). Poxa, Veja! O aniversário do Origens…  é só no final do ano.

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fev 25

Ilhas Maurício

Depois de sair das Galápagos, o Beagle, com o jovem Charles Darwin, atravessou o Oceano Pacífico aportando no Taiti, Nova Zelândia e Austrália. Já no Oceano Índico, mais precisamente nas Ilhas Keeling ou Ilha dos Cocos, Darwin entendeu a formação dos recifes de corais que foram confirmadas 17 dias depois quando chegou às Ilhas Maurício, onde permaneceu entre 29 de abril e 09 de maio de 1836.

Darwin estava profundamente influenciado pelos Princípios da Geologia de seu amigo Charles Lyell (ambos descansam em paz na Abadia de Westminster), que explicava como as mudanças geológicas eram graduais ao invés de catastróficas (a natureza não dá saltos). Darwin mostrou em seu diário de viagem a história dos recifes: uma ilha formada por atividade vulcânica, cerca-se de um recife de corais pequeno. A ilha afunda gradualmente. Os corais vão se sucedendo (os vivos sobre os mortos) e o conjunto vai soerguendo, compensando o rebaixamento e alargando o diâmetro do recife que se torna uma barreira, na medida que forma uma espécie de lagoa-anel que circunda a ilha. Quando o topo da ilha submergir por completo, ter-se-á um atol. More »

jan 19

Era das Descobertas

Durante a viagem no Beagle, que acabou por originar sua obra prima “A Origem das Espécies”, o naturalista Charles Darwin talvez tenha não apenas conhecido uma gama diversa de animais e plantas, mas também novos aromas e sabores da culinária das diferentes culturas com as quais teve contato. Assim, Darwin descreveu como as espécies se originam através da seleção natural, lutando pela procriação, disputando espaços, ou na busca por alimentos. More »

set 23


Apresentando, nosso grande amigo Ademir Luiz: Do desafio de ensinar História diante do fundamentalismo religioso.

Todo professor de História vive um dilema anual: como apresentar a matéria sobre o surgimento do homem sem ofender a gregos ou a troianos?

A escola é, ou deveria ser, uma instituição laica por definição. Muito mais do que uma difusora de ideologias a escola tem o dever e a vocação de ser uma difusora do saber, isenta de qualquer tipo de preconceito. Um livro didático nada mais é do que o substrato do conhecimento humano acumulado em anos, décadas, ou mesmo séculos, de estudos teóricos e empíricos realizados por incontáveis cientistas e homens de letras; alguns gênios, outros nem tanto, mas todos humanos, muito humanos, lidando com problemas tipicamente humanos. O que se publica para fins didáticos é tão somente o resultado do provado e comprovado destes esforços. Senão vejamos.

Em um livro de Química não existe lugar para o éter olímpico. Em um livro de Física o que se vê é matemática aplicada, puramente lógica, nunca teorias mirabolantes seguidas de explicações herméticas. Os livros de Biologia fazem questão de trazer fotografias ampliadas de seres microscópicos para que não se tenha dúvidas de que eles realmente existem. Os livros de Geografia sabiamente fazem o mesmo com os planetas e as galáxias, provando que de fato há muito mais espaço aí fora do que Horácio poderia imaginar. Tudo isto é liquido e certo, óbvio até. More »

set 9

Imagem Bafana Ciência

Em 2009 o mundo será invadido por reportagens, documentários, lançamentos editoriais, vídeos e toda a sorte de mídias versando sobre um assunto: Charles Darwin. A avalanche de informação terá início provavelmente em fevereiro, mais precisamente no dia 12 quando se comemora 200 anos do nascimento do pai da seleção natural. Os festejos não se encerrarão tão cedo visto que em 24 de novembro de 2009, outro aniversário ilustre acontece: o livro A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural, best-seller em seu lançamento, faz 150 anos.

Se você quer se “ilustrar” sobre o assunto para não ficar boiando nas conversas, há muitos, mas muitos livros de e sobre Darwin. Aliás, mais de uma vez já foi dito que a montanha de publicação sobre Darwin é colossal por si só (no sítio da Livraria Cultura a palavra “Darwin” nos itens de busca encontra 384 títulos). Para o leitor ter uma noção da quantidade de informação gerada, um dos biógrafos de Darwin, Frank J. Sulloway, passou 14 anos investigando o que o jovem pesquisador de 23 anos fez no arquipélago de Galápagos durante a sua estadia de 5 semanas! Certamente o velho sábio inglês se atordoaria com tantas notícias sobre ele mesmo. Lembremos que Einstein, outro cientista famoso, foi imortalizado numa foto mostrando a língua para um papparazzi. Ele não era louco, estava apenas de saco cheio das perseguições. More »

set 1

Imagem by Net

Já está em Goiânia a exposição Darwin – Descubra o homem e teoria revolucionária que mudou o mundo promovida pelo Instituto Sangari.  Como alguns sabem critiquei tempos atrás, aqui mesmo neste espaço, outra produção deste Instituto, a Exposição Genômica (vi em SP) que, por motivos diversos, achei mal feita (aparelhos de TV em exagero e muito texto num ambiente de penumbra com uma música horrorosa ao fundo…).

Mas “Darwin” vale a pena. Tem orquídeas verdadeiras e um texto explicando a paixão que elas exerceram no neto de Erasmus, o livre-pensador, que já tinha perdido um talentoso filho também de nome Charles Darwin (1758-1778). Este tio, que o mais famoso Charles (1809-1882) não chegou a conhecer, morreu ao se contaminar numa aula de anatomia com um corte que fez na própria mão (talvez não fosse tão talentoso assim…). Quando veio ao mundo, o futuro cientista da seleção natural era a esperança do avô, para compensar a perda do filho homônimo e para continuar a saga de grandes médicos na família. Mas o neto de Erasmus desmaiou na primeira aula de dissecação de cadáveres, e foi então, seguir os bichos, as plantas e pensar como tudo estava relacionado… More »

ago 5

Imagem exclusiva Bafana Ciência

As ilhas Galápagos, que pertencem ao Equador e se situam no chamado “meio do mundo” têm um símbolo inequívoco que lhes fornece o nome: as tartarugas gigantes. Há dois significados para Galápagos em espanhol: cágado e sela, já que os grandes cascos destes répteis lembram uma sela de cavalo.

Independente disto, estes animais realmente são gigantes pela própria natureza: os machos alcançam um metro e meio e cerca de 250 kg (junte apenas 4 e você tem uma tonelada). Foram servidas em banquetes para quase todos os navegantes que visitaram as ilhas, começando pelo Frei Tomas de Berlanga, arcebispo do Panamá, que durante uma viagem ao Peru em 1535, perdeu-se para descobrir oficialmente as ilhas. Não se tem certeza se o Frei disse que “Deus escreve certo por linhas tortas”, já que ele achou as ilhas pouco convidativas, apesar de entrar para a história por este acontecimento. More »

mai 30

A Ciência é um processo de aprendizado sobre a natureza em que diferentes idéias sobre como o mundo trabalha são medidas contra a observação. Desta forma, diferente do senso comum, a ciência necessita testar suas idéias, sintetizadas em hipóteses ou modelos, através do confronto com a realidade. Foi assim com Galileu que, observando os movimentos dos astros, provou (em sentido literal) que a Terra girava em torno do Sol, apesar disto parecer tão ilógico. Sem incorrer em grande erro podemos dizer que a ciência, tal qual a conhecemos hoje, nasceu com Galileu.

Agora, imagine um homem que, em plena Inquisição, sustentava que a Lua não era uma esfera perfeita, que a Via Láctea era composta de inúmeras e incontáveis estrelas, além é claro de nosso planeta ser apenas mais um entre outros, e tudo isto usando um telescópio (que, para seus pares, “distorcia a realidade do olho nu”!). Não bastassem esses pioneirismos, ao invés de escrever uma de suas principais obras, o Diálogo sobre os dois Máximos Sistemas de Mundo em latim (o “inglês” da época) publicou mesmo em italiano (idioma oficial de apenas um país). Mas a clara intenção de Galileu neste seu livro de 1632 era divulgar a ciência, ou melhor, ensinar o método científico matemático-experimental, que ele havia delineado em oposição ao respeito irrestrito que seus pares davam as chamadas “autoridades” (sistema aristotélico-ptolomaico). More »