mai 13

Caros leitores, alunos e colegas do Programa de Pós-graduação em Ecologia e Evolução!

O livro do curso de campo de 2008, realizado na fazenda Tanguro –MT, já está disponível (Download aqui)!!!!

Mapa Faz. Tanguro

Vale a pena ver esse livro para melhor conhecer a abordagem desse tipo de disciplina que busca seguir o modelo desenvolvido pela Organization of Tropical Studies (OTS), de grande sucesso em formar ecólogos voltados para testar hipóteses explícitas em campo.

Agradecemos novamente aos professores e alunos participantes e a nossos parceiros (Fazenda Tanguro, UNEMAT e IPAM), que contribuiram com muita dedicação e empenho para que esse objetivo fosse atingido.

abr 8

Modern Bovary

Recentemente uma jornalista da revista Época gerou a fúria dos blogueiros divulgadores de ciência, pois fez críticas rasas a algumas pesquisas realizadas em diferentes universidades do mundo todo.

O episódio tem várias facetas e uma delas é o enorme ego de boa parte dos cientistas que só admitem críticas, aos seus procedimentos e resultados, vindas de seus pares. É como se as críticas de “alienígenas” ao mundo científico não valessem e por isto devem ser logo tratadas como coisa de “não-iniciados” pois os pesquisadores cada vez mais se parecem com os cientistas-profetas de Fundação (download da trilogia), o clássico de ficção-científica de Isaac Asimov, em que os cientistas são vistos como homens operadores de milagres, tal o avanço tecnológico que demonstram, e não como mero seres humanos que conseguem suas proezas com muito esforço e boa dose de talento. More »

nov 5

Bafana Images

Quem acompanha este blog já sabe que não sou aquele crítico sempre preocupado com os últimos lançamentos das editoras. Agora, por exemplo, acabei de ler A ciência: Deus ou Diabo? (Editora Unesp, 2001), uma série de entrevistas com cientistas (franceses e americanos) feita por Guitta Pessis-Pasternak, uma jornalista que também já escreveu outras obras do mesmo gênero como Do caos à inteligência artificial.

Guitta é exemplar. Por incrível que pareça ela lê, ou pelo menos passa a impressão de ter lido, os artigos e livros dos seus entrevistados, gente como Feyerabend (historiador da ciência), J.P. Changeux (neurobiologista), Ilya Prigogine (químico, estudioso do tempo), dentre outros de primeiro time. More »

out 1

Imagem by NET

Carl Sagan é o grande ícone da divulgação científica mundial. Em seus últimos livros, Bilhões & Bilhões e O Mundo Assombrado pelos Demônios, alerta-nos para o perigo do analfabetismo científico. Segundo ele, mesmo pessoas formadas na universidade desconhecem mecanismos básicos da natureza o que leva à uma confusão entre ciência com pseudociência ou ainda ficção científica.

Ele morreu em 1996, mas teve um livro póstumo editado e publicado por sua viúva em 2006 e agora traduzido para o português pela Companhia das Letras: Variedades da Experiência Científica: uma visão pessoal da busca por Deus. Nele são transcritas as “Palestras Gifford” que proferiu em 1985 na Universidade de Glasgow na Escócia.

Os assuntos são os que sempre o dominaram e fazem parte daquelas questões fundamentais que aos sábados à tarde, o homem comum costuma formular: Como surgiu o universo?; Existe vida em outros planetas?; Deus existe?; Porque tanta gente leva religião à sério?; E este mesmo cidadão leigo, sonha suas “soluções fenomenais…, mas, no fim, o dia contará estórias sempre iguais” (lembram o Cotidiano do Vinícius?). More »

jun 10

O meu negócio é número” repetia uma personagem do humorista Jô Soares (no tempo que ele era engraçado) para ironizar o então ministro – forasteiro da Agricultura, o economista Delfim Neto. Afinal a Economia é uma ciência exata ou não? Roberto Campos que tem uma substancial obra econômico-política disse certa vez que os Ensaios Analíticos de Mário Henrique Simonsen era o livro que ele gostaria de ter escrito. Neste, os assuntos vão desde a associação entre matemática e música, passando pela teoria da relatividade e culminando claro, com economia (fico devendo uma resenha deste excepcional livro).

A Economia já foi denominada como a ciência irmã da Ecologia. A etimologia das palavras é similar: “nomia”: manejo, “logia”: estudo, “eco”: casa. Assim enquanto a Ecologia é o estudo da casa, a Economia trata de seu manejo. Uma das formas mais eficazes na conciliação destas disciplinas, buscando desenvolvimento e preservação, é através do uso de modelos matemáticos que são simplificações do mundo real, e às vezes servem como a hipótese nula para cientistas nos mais diversos campos do saber. Aliás, foi um destes modelos que auxiliou grandemente a Biologia e, posso dizer, o pensamento humano. More »

mai 30

A Ciência é um processo de aprendizado sobre a natureza em que diferentes idéias sobre como o mundo trabalha são medidas contra a observação. Desta forma, diferente do senso comum, a ciência necessita testar suas idéias, sintetizadas em hipóteses ou modelos, através do confronto com a realidade. Foi assim com Galileu que, observando os movimentos dos astros, provou (em sentido literal) que a Terra girava em torno do Sol, apesar disto parecer tão ilógico. Sem incorrer em grande erro podemos dizer que a ciência, tal qual a conhecemos hoje, nasceu com Galileu.

Agora, imagine um homem que, em plena Inquisição, sustentava que a Lua não era uma esfera perfeita, que a Via Láctea era composta de inúmeras e incontáveis estrelas, além é claro de nosso planeta ser apenas mais um entre outros, e tudo isto usando um telescópio (que, para seus pares, “distorcia a realidade do olho nu”!). Não bastassem esses pioneirismos, ao invés de escrever uma de suas principais obras, o Diálogo sobre os dois Máximos Sistemas de Mundo em latim (o “inglês” da época) publicou mesmo em italiano (idioma oficial de apenas um país). Mas a clara intenção de Galileu neste seu livro de 1632 era divulgar a ciência, ou melhor, ensinar o método científico matemático-experimental, que ele havia delineado em oposição ao respeito irrestrito que seus pares davam as chamadas “autoridades” (sistema aristotélico-ptolomaico). More »

abr 16

É regra que os cadernos culturais da grande mídia impressa dedicam-se aquilo que é “popularmente” conhecida como cultura, isto é, as ciências humanas, entendendo aqui quase que tão somente a Literatura, contemporânea ou não, a Sociologia, de algum fenômeno recorrente tido como alta novidade, e em menor grau, a Filosofia, que por vezes é chatamente ideologizada. É o pensamento se repetindo como farsa…

Mais recentemente os cadernos têm aberto espaços para a “divulgação científica”, ocupados geralmente por algum pesquisador que se acha apto à tarefa, ou mesmo um jornalista que “gostaria de ter sido cientista”. Apesar destas honrosas exceções, o fato é que as ciências naturais (Exatas e Biologia) nunca são vistas como parte da cultura, inclusive seu legado é chamado em alguns círculos como “terceira cultura”. More »

mar 4

Decompondo a natureza física do arco-íris

Por: Jhonathan Diego Nascimento de Jesus

Livro: Desvendando o Arco-Íris

Richard Dawkins é um dos mais proeminentes divulgadores da ciência atual. Em “Desvendando o Arco-íris” (Editora Companhia das Letras, 2002, R$ 54,50), ele esbanja elegância e erudição. É válido lembrar que esse livro foge um pouco ao conteúdo apresentado nos demais livros publicados pelo autor.

Encontramos uma obra mais densa e de cunho filosófico mais amplo. No entanto não falta seu bom humor característico nem mesmo sua exaltação a teoria da evolução através do processo de seleção natural, que mostra que Dawkins é mais darwiniano que o próprio Darwin. More »

fev 27

Simplificar é preciso!

Nos próximos posts este blog vai publicar artigos e entrevistas dos três mosqueteiros que enfrentaram minha disciplina de Divulgação Científica no curso de pós-graduação de Ecologia e Evolução da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Pois é, aquilo que começou com artigos esporádicos no Jornal Opção e depois foi para este blog, agora já é disciplina de pós-graduação. Modéstias à parte, e até por não ter um método definido, até que o curso foi bom, com aulas especiais de Relatividade pelo Prof. Paulo Souza e análise do filme “O Homem Urso” com auxílio do Prof. Ademir Luiz, um historiador-cinéfilo de primeira linha.

Desta forma, leitores do Bafana, apresento a seguir as primeiras linhas de divulgação do Dilermando, do André e do Jhonathan. Podem criticar à vontade. Eles e o Bafana precisam de seu feedback.

nov 22

Darwin on-line

O blog é um meio de comunicação como outro qualquer. Assim como há jornais ruins e outros mais confiáveis, programas chatos na TV e outros passáveis e piadas sem graça e outras melhores, há também blogs bons, ruins, péssimos, informativos, desprezíveis, engraçados e tediosos.

Já passei o olho sobre blogs que servem como diários de uma pessoa, que, até onde sei, é a idéia original que motivou a criação dos blogs. Não tive interesse por nenhum deles. No fundo e eu diria até na superfície, a vida cotidiana da maior parte da humanidade é uma chatice. (Daí que a gente idolatre os gênios que pegam a vida de um cara sem graça e a transformam em literatura). Mesmo o blog da velhinha espanhola que ganhou o prêmio de melhor blog do mundo (já perdi o endereço, desculpe sim?) me pareceu tedioso. Tem quem goste.

Einsten JournalEntrei no mundo dos blogs quando fui pra África do Sul, e no meio dos meus afazeres preparei um artigo de divulgação científica sobre Tubarão Branco (que tinha ido ver na ilha das focas) e resolvi enviá-lo pro Jornal Opção de Goiânia. Mas quando o email saiu da minha caixa, eu caí na real: porque um jornal de Goiás publicaria um artigo sobre Tubarão Branco na África? Ainda se o desenvolvimento do texto estivesse na linha que o tubarão branco é o predador que controla o crescimento da população de animais negros, etc…, o editor teria um “gancho” pra colocar o artigo no jornal. Então, modifiquei o artigo para o público infantil, enviei pra “Ciência Hoje das crianças” e, mais de um ano depois, não recebi nem a negativa…. É um pessoal muito ocupado, claro, claro… Desta maneira, restou-me o recurso do blog. Sempre tem alguém na internet procurando sobre tubarão branco. Eu sou professor, fui ver de perto, li artigos e livros e então acredito que posso falar um pouco sobre o assunto. Simples assim.

Mas aqui entre nós, aquelas páginas que te disponibilizam as ferramentas do blog (como blogspot e wordpress) juram que você vai ser feliz…, porém quando você começa a usar os programas pra valer, eles não abrem, se abrem não aceitam a postagem, se aceitam a postagem não aceitam sua editoração do texto (tamanho da letra, espaçamento das linhas), se aceitam isto, não fazem a postagem das fotos e assim vai, com você brigando com o computador. Nunca dá certo. Atualmente quem arruma meu blog, Bafana Ciência é meu amigo e aluno Igor, que tornou-se, por assim dizer, meu “produtor de arte” (ainda sem salário definido….). O Bafana ficou muito melhor, mas nem é mais meu. Agora é nosso, mas sobre minha batuta, claro. O Igor também concorda. More »

nov 1

 

O Ciência Brasil é um blog de divulgação científica escrito pelo Prof. Dr. Marcelo Hermes-Lima. Desde sua criação em março deste ano vem fazendo o maior sucesso, em apenas 9 meses de existência o blog já conta com mais de 30.000 acessos, o que é um estouro! Já que se trata de um blog e que este fala especificamente de ciência.

Um dos pontos fortes do blog é a colaboração de diversos leitores e cientistas para a produção de conteúdo da página. O Prof. Marcelo além de expor seus próprios textos, divulga nos posts os artigos que recebe de amigos, cientistas e diversos leitores. Este tipo de colaboração além de tornar a página rica e diversificada, ajuda a manter a atualização do blog. Afinal, cientistas brasileiros são tão criativos quanto ocupados.

No caso do Prof. Marcelo, além de cuidar do Departamento de Biologia da UnB, ministrar duas disciplinas, pesquisar e publicar artigos, orientar alunos de mestrado e doutorado, esposa, filhos, blog, e-mails, cachorro, papagaio e etc… ainda apresenta um talk-show no Painel Brasil. Aliás esse é o primeiro talk-show de ciência no Brasil!

Todos os programas têm um tema predefinido como AIDS e HIV, Colesterol, Darwin e a Evolução da Vida, onde o Prof. Marcelo convida um especialista no assunto e desenvolve uma entrevista formal, capaz de agradar tanto os leigos quanto os especialistas que também assistem ao programa. É uma grata novidade para a divulgação científica no Brasil, como disse o próprio Marcelo em uma entrevista para a Agência FAPESP: “Nossa proposta é mostrar a importância da educação e da divulgação científica feita com fidelidade às informações. O Ciência Brasil é uma aula universitária disfarçada de entrevista”.

O Bafana Ciência apóia e fomenta este tipo de atitude. Às vezes não basta apenas reclamar que faltam incentivos e que a burocracia não ajuda a produção e divulgação de ciência no país. Como fazem o Prof. Marcelo, o Bafana aqui e tantos outros blogs de divulgação, temos de arregaçar as mangas e usar as ferramentas que temos para que a informação e o conhecimento cheguem ao maior número de pessoas possíveis. Citando o EcoLine: Conhecer mais, para mudar melhor e Conhecer melhor para mudar mais.

Blog: http://cienciabrasil.blogspot.com/

Talk-shows: http://www.painelbrasil.tv/home/ciencia/

 

ago 19

A divulgação científica, objetivo principal deste blog, é uma atividade que tenta explicar os métodos e resultados de trabalhos e problemas científicos numa linguagem acessível ao chamado público leigo. Os textos de divulgação científica são também a melhor forma, talvez a única, de pesquisadores cada vez mais especializados, adquirirem “cultura geral” sobre ciência.

Vira e mexe divulgadores como eu lamentam o pouco espaço na mídia para fazer sua atividade. Mas recentemente, o MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) apresentou o relatório, Percepção Pública da Ciência e Tecnologia mostrando que o público de modo geral, está satisfeito com a qualidade e quantidade do assunto Ciência & Tecnologia abordado principalmente em telejornais. More »

nov 19

Numa das mais clássicas definições sobre a ciência, o físico americano Richard Feyman (talvez o mais autêntico e bem humorado entre os cientistas de primeiro time) disse que ela “é um processo de aprendizado sobre a natureza em que, diferentes idéias sobre como o mundo trabalha são medidas contra a observação”. Sim, mas os sentidos e as aparências nos enganam. Só pra ficar no exemplo mais batido, dizer que a Terra é que gira em torno do Sol era, aparentemente, um contra-senso enorme. Foram observações mais acuradas que mostraram como “o céu funciona”.

Mas fazer a verdadeira ciência é lutar junto à fronteira do desconhecimento. Não é uma briga das mais fáceis, na verdade é uma guerra sem fim, que tem que ser travada por soldados-cientistas muito bem preparados e equipados (para gênios como Feyman, bastam lápis e papel…). Além do desconhecido, outro inimigo da ciência e talvez, mais forte, é a ignorância pura, simples e até desinteressada. Fatos já estabelecidos, teorias já comprovadas ou amplamente refutadas permanecem ignoradas pela maioria das pessoas.

Two Oceans Aquarium 4 - Floresta de kelps

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nov 5

Semana passada (29/10), enquanto os brasileiros votavam pra presidente, a Folha de São Paulo trazia dois artigos aparentemente não relacionados, mas profundamente intricados. Numa página, Marcelo Gleiser, considerado o melhor divulgador brasileiro da ciência, professor de Física nos EUA e, apesar de pesquisador, rico, chama a atenção para os caminhos da divulgação científica, que idealmente deveria ocorrer apenas após todo processo burocrático de avaliação do artigo por pares da mesma área, antes da aceitação e publicação em periódico reconhecido.

Infelizmente como os cientistas são demasiados humanos, eles acabam divulgando antes os resultados e as pessoas ficam meio sem saber se podem ou não confiar nele. Apesar de admirador de Gleiser, não dá pra concordar com todo o artigo. Primeiro que, apesar de fundamental para os cientistas, o público dito leigo não liga pra processo: como é mesmo aquela história que diz que leis e salsichas, se soubéssemos como são feitas não as obedeceríamos nem as comeríamos? More »