dez 1

Alan Teger (pesca)

Esta semana, no Instituto Oceanográfico da USP, aconteceu o 1º Workshop Brasileiro sobre Modelagem de Ecossistemas aplicada à Pesca (Download das palestras aqui). No post Os Bagres da Amazônia falei que esta é minha área de pesquisa principal. Realmente uma pena não ter participado para aprender mais sobre temas correlatos, além é claro de conhecer os pesquisadores (também tenho saudades de São Paulo…).

Modelagem ecológica pode parecer mais umas daquelas ocupações de cientistas em suas torres de marfim, mas decididamente não é (Aliás, se fosse não teria problema nenhum, mas este assunto fica pra outra hora). Na verdade é uma forma simples, porém abrangente pra se predizer alguns processos ecológicos e nossa pressão sobre eles. More »

nov 9

Várzea Amazônica

et al. é a abreviação da expressão latina et alicui que significa “e colaboradores”. Explico: na maioria das revistas científicas a citação de um trabalho com mais de dois autores é feita usando-se o sobrenome do primeiro autor acompanhado de et al. (por exemplo, Silva et al. 2007, só pra escrever um dos sobrenomes mais populares do Brasil).

Uma vez ouvi não sei onde a expressão “et eu”. Morri de rir. É usada pejorativamente contra o manjado tipo de professor-pesquisador que não cansa de dizer “Eu isso, Eu aquilo, Eu aquele outro, Eu, Eu, Eu….”. Também é usado para cientistas que só enxergam o próprio umbigo na hora de escrever: você lê o paper e o cara se cita toda hora. Bem, nem sempre é tão pecado assim. Pode ser que ele seja um dos poucos a tratar daquele assunto usando uma abordagem recente ou diferente. (Hum….).

Certa vez li em uma revista científica famosa um trabalho de 30 páginas de um pesquisador estrangeiro que admiro. Havia 15 citações e 14 se referiam a trabalhos do próprio autor (desculpe, seria grosseiro dizer o nome). Do que já li por aí, é o campeão do “et eu”. Neste espaço vou me dar o direito de auto-citação. Divulgarei aqui algumas publicações de minha própria lavra.

Está inaugurada a seção “et eu”. More »

nov 3

WWF  - Planeta Vivo 2006

Quem tem paciência de acompanhar alguns dos meus artigos sabe que não simpatizo com “Relatórios Mundiais” que mostram como o Homem “destrói a natureza”. Recentemente a WWF lançou um destes, Planeta Vivo 2006, afirmando que nossas pegadas ecológicas indicam que estamos esgotando os recursos do planeta. O manuscrito foi escrito por cientistas do mais alto gabarito técnico, mas em nenhum momento a palavra fome foi mencionada, mesmo sendo um problema muito relacionado à questão ambiental, devido, por exemplo, à necessidade crescente de terras para cultivo.

Porém certas iniciativas locais da WWF têm sido muito realistas e proveitosas. Prova disto é o recente relatório publicado por ela e pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) sobre o Projeto Várzea: Desenvolvimento de sistemas de manejo comunitário para a várzea amazônica: lições que estamos aprendendo (download). O texto (33 páginas e ricamente ilustrado) descreve o trabalho de 12 anos com comunidades ribeirinhas no Baixo Amazonas (do Madeira ao Xingu) no co-manejo pesqueiro dos recursos da várzea.

Pra quem nunca ouviu falar, manejo pesqueiro é o corpo de técnicas destinadas a proteger os estoques de peixes, enquanto tenta viabilizar o maior rendimento possível aos pescadores e principalmente garantir a sustentabilidade da atividade no longo prazo. No caso Amazônico se simplesmente houver uma redução sobre os estoques, haverá a demanda por outras formas de sustento para o ribeirinho (agricultura, pecuária), o que pode afetar o ambiente e impactar indireta, mas fortemente, os peixes que dependem da floresta da várzea, para reprodução e alimentação na época da cheia. More »

out 30

Outro dia contei, mas vou repetir para você não ter que ficar “clicando aqui”…. et al. é a abreviação do latim et alicui que significa “e colaboradores”. Na hora de citar um trabalho de três ou mais autores, você cita o primeiro autor e et al.: Fulano et al.. Acontece que tem gente que se auto-referencia tanto, que virou um “et eu” (a pronúncia em inglês é “et ai”…ai!) Como blog é uma coisa individual vou me dar o direito de auto-citação. Este é o segundo da seção “et eu”.

Tempos atrás um físico disse que os “cientistas têm tanto interesse na história e filosofia da ciência, como pássaros têm em ornitologia”. Em geral, os pesquisadores seguem a teoria do forrageamento ótimo, aquela mesma, usada para explicar a competição entre aves. Assim, pássaros e cientistas estão todos muito ocupados correndo atrás de migalhas. Quem vai pensar em ornitologia ou história/filosofia?

Porém, de vez em quando pinta a dúvida shakesperiana e se você está amparado por uma eficiente, linda e silenciosa biblioteca como a da Universidade de Cape Town, é relativamente fácil descobrir grandes obras como o livro de T. D. Smith, “Scaling Fisheries: the science of measuring the effects of fishing, 1855-1955” (Medindo a Pesca: a ciência da mensuração dos efeitos da pesca. Cambridge University Press. 392p. 1994) ou o excelente “Modeling Nature: Episodes in the history of population ecology” da J. Kingsland (A Natureza da Modelagem: episódios na história da ecologia de populações - Ed. Chicago. 267p.1985).

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