out 5

Herzog_Herman_Moonlit_Fishing_Scene

A proibição, ou limitação, ao uso de um recurso renovável ou não, nos remete a teoria da “Tragédia dos Comuns”, termo cunhado por Garret Hardin em 1968. A teoria sustenta que o aumento da população, incrementaria a pressão sobre os recursos, primeiro em níveis locais, depois, globais, levando ao inevitável resultado de sobre-exploração e ruína. A única solução apontada por Hardin para evitar a tragédia seria controlar o acesso dos comuns ao recurso através de leis e normas. Exemplos mais recentes tem, mostrado que, às vezes, estas restrições não são tão necessárias, pois, dependendo da diversidade dos agentes, o “sistema” pode-se manter estável. Aqui podemos especular o tema com outro modelo: “o dilema do prisioneiro” (baseado na teoria dos jogos).

Imagine dois prisioneiros que são interrogados por um crime que cometeram juntos. Se ninguém confessa, a polícia não pode certificar-se do caso, e ambos são punidos com uma condenação menor. A polícia oferece a cada prisioneiro um atrativo para confessar e testemunhar contra o outro na corte, mas se o outro também confessa a testemunha não será necessária e o atrativo não vale. Resumindo: se há cooperação entre os prisioneiros (ninguém confessa) eles recebem sentenças reduzidas ou quando ambos confessam, moderada.

Entretanto se um prisioneiro pensa que o outro não confessou o crime, ele é tentado a possibilidade de obter a liberdade, testemunhando contra o outro que pagará a maior pena. Ainda há a possibilidade de que ele pense que o outro confessou, e então, terá de confessar também para evitar a maior pena a ele mesmo. Desta forma, o sujeito não confessa: a) quando ele confia no outro e b) quando ele está disposto a sacrificar-se para tentar algo melhor, tentando assim otimizar seu ganho. (Filme Cálculo Mortal) More »

set 21

Valendo-se de modelos matemáticos, o manejo pesqueiro transforma o cientista num verdadeiro “detetive-ecológico”, ainda que nem, sempre bem-sucedido.

O pescador

A indústria pesqueira gera mais de 200 bilhões de dólares por ano e este montante não tem custo de produção, uma vez que o0 pescado aproveita serviços ambientais gratuitos como luz solar, crescimento de algas, reciclagem de nutrientes, ambientes de reprodução, entre outros.

Entretanto, não se pode pegar todo o peixe de uma só vez, pois é necessário que parte dele fique na água e se reproduza (ou se renove, daí a expressão recurso renovável) garantindo a pesca futura. Para saber o quanto se pode capturar um determinado estoque, sem afetar a sua renovação, é preciso adotar técnicas de ciência do “manejo pesqueiro”. More »

dez 1

Alan Teger (pesca)

Esta semana, no Instituto Oceanográfico da USP, aconteceu o 1º Workshop Brasileiro sobre Modelagem de Ecossistemas aplicada à Pesca (Download das palestras aqui). No post Os Bagres da Amazônia falei que esta é minha área de pesquisa principal. Realmente uma pena não ter participado para aprender mais sobre temas correlatos, além é claro de conhecer os pesquisadores (também tenho saudades de São Paulo…).

Modelagem ecológica pode parecer mais umas daquelas ocupações de cientistas em suas torres de marfim, mas decididamente não é (Aliás, se fosse não teria problema nenhum, mas este assunto fica pra outra hora). Na verdade é uma forma simples, porém abrangente pra se predizer alguns processos ecológicos e nossa pressão sobre eles. More »

nov 16

Usina Hidrelétrica de Itaipu

Em torno de 30 países no mundo dependem diretamente de reservatórios de água para acender a luz, usar o liquidificador e rodar as máquinas da indústria. O Brasil é um deles, já que 95% de sua energia são geradas pelas hidroelétricas, consideradas limpas quando comparadas a queima de óleo e carvão, que jogam o dióxido de carbono na atmosfera e mais seguras e baratas que as usinas nucleares.

Porém quando uma barragem é construída e fechada, um novo ecossistema se estabelece, pois no lugar do rio, surge um lago, com características especiais e que pode acomodar usos múltiplos, isto é, servir como local de pesca comercial, turismo, recreação, piscicultura, esportes náuticos e armazenamento de água. Estima-se que o Brasil tenha de 100 a 300 reservatórios grandes (aqueles com capacidade de armazenamento superior a 10 milhões de m³ de água), cujas áreas somadas chegam a 35.200 km² (0,5% da área do país).

Ecologia e Manejo de recursos pesqueiros em reservatórios do BrasilNo que diz respeito à pesca comercial/artesanal nestes ambientes, acaba de ser lançado pela Editora da Universidade Estadual de Maringá um livro que mais pode ser considerado uma enciclopédia: “Ecologia e Manejo de Recursos Pesqueiros em Reservatórios do Brasil” de Ângelo Antonio Agostinho, Luiz Carlos Gomes e Fernando Mayer Pelicice. O termo enciclopédia não é exagerado, pois a obra congrega muitas informações sobre reservatórios que estavam fragmentadas ou em diferentes trabalhos científicos ou, a maior parte, em relatórios de uso restrito ou teses não publicadas. Inevitavelmente, eles constatam que não há informação para a maioria destes corpos d’água (às vezes não se sabe nem quando foram fechados) e por isto, os autores se concentram, a maior parte do tempo, em dados de 77 deles. More »

nov 9

Várzea Amazônica

et al. é a abreviação da expressão latina et alicui que significa “e colaboradores”. Explico: na maioria das revistas científicas a citação de um trabalho com mais de dois autores é feita usando-se o sobrenome do primeiro autor acompanhado de et al. (por exemplo, Silva et al. 2007, só pra escrever um dos sobrenomes mais populares do Brasil).

Uma vez ouvi não sei onde a expressão “et eu”. Morri de rir. É usada pejorativamente contra o manjado tipo de professor-pesquisador que não cansa de dizer “Eu isso, Eu aquilo, Eu aquele outro, Eu, Eu, Eu….”. Também é usado para cientistas que só enxergam o próprio umbigo na hora de escrever: você lê o paper e o cara se cita toda hora. Bem, nem sempre é tão pecado assim. Pode ser que ele seja um dos poucos a tratar daquele assunto usando uma abordagem recente ou diferente. (Hum….).

Certa vez li em uma revista científica famosa um trabalho de 30 páginas de um pesquisador estrangeiro que admiro. Havia 15 citações e 14 se referiam a trabalhos do próprio autor (desculpe, seria grosseiro dizer o nome). Do que já li por aí, é o campeão do “et eu”. Neste espaço vou me dar o direito de auto-citação. Divulgarei aqui algumas publicações de minha própria lavra.

Está inaugurada a seção “et eu”. More »

nov 4

Um rápido olhar no mapa da África e é possível identificar países que destoam pelo desenho de suas fronteiras. A Namíbia, ao sul do continente, é um deles, pois sua fronteira leste, com Botswana e África do Sul, é uma linha reta na vertical (veja o mapa abaixo).

Mapa da Namíbia

Pode-se achar estranho, mas quem só vê o mapa não viu nada ainda. Que tal saber que até 1990 a Namíbia era colônia da África do Sul? Isto contrariava até mesmo a Corte Internacional de Justiça que em 1971 já havia declarado que o controle sul-africano era ilegal. Em 1990, os altos custos da ocupação (50 mil soldados), as pressões internacionais de dentro e de fora do continente, e a bancarrota interna do governo do apartheid, fizeram com que a então chamada, África do Sudoeste (South-West Africa), voltasse a ser Namíbia.

Mas isto ainda não é tudo de curioso neste país: os apenas 2 milhões de habitantes falam 45 línguas (!). Ainda bem que a língua inglesa unifica a nação, já que a alfabetização atinge 85% da população e as aulas do idioma de Sua Majestade são diárias. Bom pra eles, pois os alunos e professores da única universidade (Universidade da Namíbia na capital Windhoek) podem aproveitar mais facilmente a literatura científica, toda em inglês, e ainda viajar aos grandes centros mundiais e aprender novas técnicas sem o obstáculo do idioma (como eu, por exemplo).

Porém, estranho mesmo na Namíbia é sua costa. Com uma extensão de 1570 km e largura variando de 80 a 150 km, é um imenso deserto que cobre 15% de todo país. Praticamente não cai uma gota de água da chuva o ano todo, mesmo sendo à beira do mar. Por quê? More »

out 30

Outro dia contei, mas vou repetir para você não ter que ficar “clicando aqui”…. et al. é a abreviação do latim et alicui que significa “e colaboradores”. Na hora de citar um trabalho de três ou mais autores, você cita o primeiro autor e et al.: Fulano et al.. Acontece que tem gente que se auto-referencia tanto, que virou um “et eu” (a pronúncia em inglês é “et ai”…ai!) Como blog é uma coisa individual vou me dar o direito de auto-citação. Este é o segundo da seção “et eu”.

Tempos atrás um físico disse que os “cientistas têm tanto interesse na história e filosofia da ciência, como pássaros têm em ornitologia”. Em geral, os pesquisadores seguem a teoria do forrageamento ótimo, aquela mesma, usada para explicar a competição entre aves. Assim, pássaros e cientistas estão todos muito ocupados correndo atrás de migalhas. Quem vai pensar em ornitologia ou história/filosofia?

Porém, de vez em quando pinta a dúvida shakesperiana e se você está amparado por uma eficiente, linda e silenciosa biblioteca como a da Universidade de Cape Town, é relativamente fácil descobrir grandes obras como o livro de T. D. Smith, “Scaling Fisheries: the science of measuring the effects of fishing, 1855-1955” (Medindo a Pesca: a ciência da mensuração dos efeitos da pesca. Cambridge University Press. 392p. 1994) ou o excelente “Modeling Nature: Episodes in the history of population ecology” da J. Kingsland (A Natureza da Modelagem: episódios na história da ecologia de populações - Ed. Chicago. 267p.1985).

Scaling Fisheries: the science of measuring the effects of fishingModeling Nature More »

ago 29

No longínquo ano de 1860 o governo norueguês implantou aquele que é conhecido como o primeiro sistema de monitoramento de desembarque pesqueiro. Os “frios” noruegueses queriam saber quanto e quais peixes estavam tirando do mar. Eles tinham certeza que sem esta informação ficaria praticamente impossível, manter a pesca em níveis sustentáveis ou mesmo aumentar a produção.

Este domínio da chamada estatística pesqueira passou ser praxe também em outros países e hoje em dia no site da FAO (Food and Agriculture Organization http://faostat.fao.org/) é possível você encontrar grandes séries de dados (espacial e temporalmente distribuídos), mostrando a dinâmica pesqueira do mundo todo.
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